O mais recente sucesso da Netflix, Adolescência, tem gerado muita discussão e reflexão sobre um tema que ainda é tabu em nossa sociedade: a comunidade de homens que se autodenominam “incels” (involuntariamente celibatários) e que afirmam “odiar” mulheres. O documentário, que acompanha a vida de três jovens que se identificam como incels, trouxe à tona uma realidade que muitos desconheciam e que tem causado polêmica e questionamentos sobre o que leva esses homens a agirem dessa forma.
Mas afinal, o que é um incel? O termo surgiu na década de 1990, criado por uma mulher chamada Alana, que criou um fórum online para discutir suas frustrações em relação à sua vida amorosa. Com o passar dos anos, o termo foi se popularizando e ganhando novos significados, sendo utilizado por homens que se consideram incapazes de encontrar uma parceira e que culpam as mulheres por isso.
O documentário Adolescência mostra a vida de três jovens incels: Jack Peterson, um jovem de 19 anos que se considera um “celibatário involuntário” e que acredita que as mulheres são manipuladoras e interesseiras; Steven, um homem de 30 anos que se autodenomina “celibatário involuntário” e que culpa as mulheres por sua falta de sucesso amoroso; e Thomas, um homem de 26 anos que se identifica como “incel” e que acredita que as mulheres são inferiores aos homens.
O que chama a atenção no documentário é a forma como esses homens se expressam e como veem as mulheres. Eles afirmam que as mulheres são manipuladoras, interesseiras e que só se interessam por homens ricos e bonitos. Além disso, eles acreditam que as mulheres têm o poder de escolher com quem querem se relacionar, enquanto eles, como incels, são rejeitados e excluídos da sociedade.
Mas o que leva esses homens a agirem dessa forma? A resposta não é simples e envolve diversos fatores, como a criação, a sociedade em que vivem e até mesmo questões psicológicas. Muitos incels relatam ter sofrido bullying e rejeição na adolescência, o que pode ter afetado sua autoestima e confiança. Além disso, a pressão social para ser bem-sucedido e ter uma vida amorosa ativa pode ser um fator determinante para a frustração desses homens.
Outro ponto importante a ser destacado é a influência da internet e das redes sociais na vida desses jovens. Muitos deles encontram nas comunidades online de incels um lugar onde se sentem acolhidos e compreendidos, o que pode reforçar suas crenças e comportamentos negativos em relação às mulheres.
É importante ressaltar que o documentário Adolescência não tem a intenção de romantizar ou justificar as atitudes desses homens, mas sim de trazer à tona uma realidade que precisa ser discutida e compreendida. Afinal, o que leva esses homens a “odiar” as mulheres e a se considerarem incapazes de encontrar uma parceira?
É preciso entender que a misoginia e o machismo estão enraizados em nossa sociedade e que esses homens são vítimas desse sistema opressor. Ao invés de julgá-los e excluí-los, é necessário oferecer ajuda e compreensão, além de promover uma reflexão sobre as questões de gênero e a importância do respeito e da igualdade entre homens e mulheres.
É importante também que as mulheres sejam ouvidas e que suas vozes sejam valorizadas. Muitas vezes, as mulheres são vistas como objetos e não como seres humanos com desejos















