Site icon Noticias Nacionais

Uma das últimas condenadas por crimes na Alemanha nazi morre aos 99 anos

No dia 27 de março de 2020, o mundo recebeu a notícia do falecimento de uma das últimas pessoas condenadas por crimes na Alemanha nazista. A ex-secretária do campo de concentração de Stutthof, Brunhilde Pomsel, morreu aos 99 anos em sua casa em Munique, na Alemanha. O anúncio foi feito pelo tribunal onde ela foi julgada, que não divulgou a causa da morte.

Pomsel se tornou uma figura conhecida após o lançamento do documentário “Uma Vida Alemã”, em 2016, que trazia entrevistas com ela sobre sua experiência como secretária de Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Adolf Hitler. Em 2017, aos 106 anos, ela foi condenada a dois anos de prisão por cumplicidade no assassinato de milhares de judeus no campo de concentração de Stutthof, localizado na Polônia ocupada pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Apesar de ter trabalhado como secretária de Goebbels, Pomsel sempre negou ter conhecimento dos horrores cometidos pelo regime nazista. Ela afirmava que apenas cumpria ordens e que não questionava as decisões de seus superiores. No entanto, durante o julgamento, ela admitiu ter conhecimento dos assassinatos de judeus e ter visto os corpos sendo transportados para fora do campo de concentração.

A condenação de Pomsel, realizada quando ela já tinha 106 anos e não podia ser presa, foi um marco na história da Alemanha. Foi a primeira vez que uma pessoa tão idosa foi julgada por crimes cometidos durante o regime nazista, mostrando que a justiça não tem prazo de validade. O tribunal também afirmou que o julgamento serviu como um lembrete dos horrores do passado e uma forma de honrar as vítimas do regime nazista.

Apesar de ter sido condenada, Pomsel continuou negando qualquer culpa. Alegou que, assim como milhões de alemães, foi enganada pela propaganda nazista e só descobriu os verdadeiros horrores do regime após a guerra. No entanto, sua participação como secretária do campo de concentração de Stutthof foi comprovada por documentos e testemunhos.

A morte de Brunhilde Pomsel marca o fim de uma era e traz à tona novamente a discussão sobre a responsabilidade dos cidadãos comuns durante períodos de regimes autoritários. Será que apenas cumprir ordens é suficiente para se isentar de culpa? A resposta pode variar de acordo com a perspectiva de cada um, mas é inegável que os horrores cometidos durante o regime nazista deixaram marcas profundas que ainda são sentidas até os dias de hoje.

Apesar de ter sido uma figura controversa, Pomsel também é lembrada por sua longevidade e sua capacidade de sobreviver a tempos difíceis. Ela viveu até os 99 anos, enfrentando as consequências de suas decisões e lidando com a culpa e o peso de seu passado. Sua história é um lembrete de que as escolhas que fazemos em momentos críticos podem ter consequências para o resto de nossas vidas.

Com o falecimento de Pomsel, também se encerra o capítulo de julgamentos relacionados aos crimes cometidos durante o regime nazista. Resta agora a memória das vítimas e o compromisso de nunca esquecer os horrores do passado, para que jamais se repitam no futuro. Que a história de Brunhilde Pomsel sirva como uma lição para as gerações futuras e que a paz e a justiça prevaleçam sempre.

Exit mobile version