Duas deputadas transgénero brasileiras, Erika Hilton e Erica Malunguinho, denunciaram recentemente que tiveram problemas com a emissão de vistos para viajar para os Estados Unidos. Segundo elas, ao solicitarem os documentos necessários para a viagem, foram identificadas como homens pelas autoridades americanas.
Erika Hilton e Erica Malunguinho são duas importantes figuras políticas no Brasil. Ambas foram eleitas deputadas estaduais em 2018, tornando-se as primeiras parlamentares transgénero do país. Erika, que é negra e periférica, representa o estado de São Paulo; enquanto Erica, a primeira mulher transgénero eleita no Brasil, representa o estado de Pernambuco.
As duas deputadas tiveram a oportunidade de viajar para os Estados Unidos para participar de um evento sobre diversidade e inclusão no mês de março deste ano. Porém, ao solicitarem seus vistos, foram surpreendidas ao verem que seus documentos de identificação listavam seus nomes masculinos e gênero como homem. Erika e Erica afirmaram que essa situação foi extremamente constrangedora e que sentiram que suas identidades foram negadas pelas autoridades americanas.
É importante ressaltar que o Brasil possui uma legislação avançada quando se trata de reconhecimento e proteção dos direitos das pessoas transgénero. Desde 2018, a mudança de nome e gênero no registro civil é um direito garantido para os cidadãos brasileiros, sem a necessidade de cirurgias ou laudo médico. Além disso, em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a discriminação contra pessoas transgénero é um crime de racismo, o que oferece uma maior proteção e punição para casos de preconceito e violência.
Diante desse cenário, é inadmissível que autoridades de outro país desconsiderem a identidade de cidadãos brasileiros. Erika Hilton e Erica Malunguinho representam uma parcela da população que ainda enfrenta muitos desafios e discriminações, principalmente na política. No Brasil, apenas 2,8% dos cargos políticos são ocupados por pessoas transgénero, o que mostra a falta de representatividade e inclusão dessa comunidade.
O fato de Erika e Erica serem identificadas como homens em seus documentos é uma negação de suas identidades e uma violação dos seus direitos humanos. Ainda mais quando se trata de duas figuras políticas que lutam diariamente por uma sociedade mais igualitária e inclusiva.
Felizmente, após a denúncia das deputadas e a pressão da sociedade brasileira, as autoridades americanas emitiram, no dia 24 de março, os vistos corretamente, reconhecendo as identidades femininas de Erika e Erica. Essa é uma vitória não só para as duas parlamentares, mas para toda a comunidade transgénero brasileira que enfrenta constantes violações de direitos.
No entanto, mesmo com essa solução, é necessário refletirmos sobre o preconceito e a desinformação que ainda existem em relação às pessoas transgénero. É fundamental que respeitemos e reconheçamos a identidade de cada indivíduo, garantindo seus direitos e promovendo uma sociedade mais justa e igualitária.
Erika Hilton e Erica Malunguinho são inspirações e referências para muitas pessoas, transgénero ou não, que lutam por uma sociedade mais inclusiva e respeitosa. A postura das deputadas em denunciar o ocorrido e exigir seus direitos é um exemplo de coragem e empoderamento. Que essa situação sirva como alerta para que casos como esse não se repitam e que continuemos avançando na luta por igualdade e respeito




