Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fez uma declaração que gerou polêmica e questionamentos em relação à situação da Crimeia. Em uma entrevista, ele perguntou: “Se a Ucrânia quer a Crimeia, por que não lutou por ela onze anos atrás, quando ela foi entregue à Rússia sem que um tiro fosse disparado?”. Essa pergunta levantou discussões sobre a atitude da Ucrânia em relação à Crimeia e a sua possível responsabilidade na atual situação.
Para entender melhor essa questão, é preciso voltar no tempo e relembrar os acontecimentos que levaram à anexação da Crimeia pela Rússia. Em 2014, a Ucrânia estava passando por uma crise política e social, com protestos e manifestações contra o então presidente Viktor Yanukovych. Em meio a esse cenário, Yanukovych foi deposto e um novo governo pró-ocidente foi instaurado.
Porém, a Crimeia, uma região autônoma da Ucrânia com maioria de população russa, não aceitou a mudança de governo e realizou um referendo para decidir sua independência. A maioria da população votou a favor da anexação à Rússia, que foi reconhecida pelo governo russo e criticada pela comunidade internacional. A Ucrânia, por sua vez, não teve forças para resistir e a Crimeia foi entregue à Rússia sem que houvesse um conflito armado.
Agora, voltando à pergunta do presidente Biden, é importante entender que a Ucrânia não tinha condições de lutar pela Crimeia naquele momento. A crise política e social que o país enfrentava enfraqueceu suas forças militares e políticas, tornando impossível uma resistência contra a Rússia. Além disso, a anexação da Crimeia foi realizada de forma rápida e estratégica, sem dar tempo para que a Ucrânia pudesse reagir.
Outro ponto importante a ser destacado é que a Ucrânia sempre considerou a Crimeia como parte de seu território, mesmo após a anexação. O país nunca aceitou a decisão do referendo e continua lutando pela devolução da região. Inclusive, a Ucrânia tem buscado apoio internacional para pressionar a Rússia a devolver a Crimeia, mas sem sucesso até o momento.
Além disso, é importante lembrar que a Ucrânia já enfrentou diversas dificuldades em sua história recente, como a queda da União Soviética, a crise econômica e a instabilidade política. Portanto, é compreensível que o país não tenha condições de enfrentar um conflito com a Rússia por uma região que, apesar de ser considerada ucraniana, tem maioria de população russa e forte influência do país vizinho.
Diante disso, é injusto culpar a Ucrânia por não ter lutado pela Crimeia há onze anos. O país já passou por muitas dificuldades e continua lutando para se manter unido e fortalecido. Além disso, a decisão de entregar a Crimeia à Rússia não foi tomada pelo povo ucraniano, mas sim por uma minoria que se aproveitou da instabilidade política para realizar um referendo questionável.
É importante ressaltar que a Ucrânia não está sozinha nessa luta pela Crimeia. A comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, tem se posicionado contra a anexação e apoiado a Ucrânia em sua busca pela devolução da região. Além disso, é preciso lembrar que a paz e a diplomacia são sempre as melhores opções para resolver conflitos, e não a guerra.
Portanto, ao invés de questionar a atitude da U















