A província de Cabo Delgado, localizada no norte de Moçambique, é conhecida por sua riqueza em recursos naturais, especialmente no setor de gás natural. No entanto, desde outubro de 2017, a região enfrenta uma grave crise de segurança devido a uma insurgência armada que tem assolado a região. Grupos extremistas associados ao Estado Islâmico têm realizado ataques em várias áreas da província, causando mortes, deslocamento e destruição.
A rebelião armada em Cabo Delgado tem sido motivo de preocupação para o governo e para a população local, bem como para a comunidade internacional. Os ataques, que começaram com pequenas incursões nas vilas mais remotas, têm se intensificado e se espalhado por toda a província, provocando uma crise humanitária sem precedentes. De acordo com as últimas estimativas, mais de 200.000 pessoas foram deslocadas de suas casas e cerca de 1.500 mortes já foram registradas.
Os perpetradores desses ataques são supostamente combatentes islâmicos que se autodenominam Al-Shabaab, embora não haja ligação direta com o grupo homônimo ativo na Somália. O nome significa “os jovens” em árabe e mostra a intenção dos rebeldes de atrair jovens desesperados e vulneráveis para suas fileiras. Acredita-se que esses grupos estão sendo financiados por contrabando de drogas e tráfico de armas, mas também têm motivações ideológicas e religiosas.
Um dos principais desafios enfrentados pelas autoridades moçambicanas na luta contra a insurgência é a vasta extensão do território de Cabo Delgado e a falta de infraestrutura adequada. Os rebeldes se aproveitam dessas condições para realizar seus ataques de forma rápida e eficaz, fugindo em seguida para áreas remotas onde é difícil localizá-los. Além disso, a pobreza extrema e a falta de oportunidades econômicas na região são fatores que alimentam a adesão de novos combatentes aos grupos armados.
No entanto, o governo moçambicano tem tomado medidas para frear a violência na província. Em 2019, foi criada a Força de Defesa do Estado de Moçambique (FDSM), que é composta por militares e policiais e tem como objetivo combater os insurgentes. A FDSM tem realizado operações de segurança em diferentes áreas, como Pemba, a capital de Cabo Delgado, e tem obtido alguns avanços importantes na luta contra os rebeldes.
Além disso, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e outros países vizinhos têm demonstrado solidariedade com Moçambique e oferecido apoio financeiro e logístico para ajudar a conter a crise em Cabo Delgado. A SADC anunciou recentemente a criação de uma força militar conjunta para combater os insurgentes e proteger as fronteiras da região. Outros países, como Portugal e a França, também anunciaram suporte para o governo moçambicano na luta contra a insurgência.
Outra iniciativa importante para lidar com a crise humanitária em Cabo Delgado foi a criação de campos de refugiados para acolher aqueles que foram forçados a deixar suas casas devido aos ataques. Além do apoio básico, como alimentação e abrigo, esses campos oferecem assistência psicológica e social para ajudar os deslocados a lidar com o trauma e as dificuldades enfrentadas.
Apesar da gravidade da situação, é importante destacar que a violência em Cabo Delgado não representa a população moçambicana como um todo. A maioria dos moç














