Nos últimos anos, temos visto um crescente descontentamento com o sistema político brasileiro. Escândalos de corrupção, falta de representatividade e ineficiência na gestão pública são apenas alguns dos problemas que têm gerado uma grande insatisfação na população. Nesse contexto, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prevê o fim da reeleição tem ganhado cada vez mais destaque e despertado discussões sobre a necessidade de mudanças no sistema eleitoral.
Segundo o cientista político Creomar de Souza, CEO da consultoria de análise política, a percepção geral no ambiente político é de que algo precisa ser mudado. Para ele, a PEC do fim da reeleição é uma tentativa de atender a essa demanda por renovação e de diminuir a polarização política que tem sido tão prejudicial para o país. No entanto, ele alerta para a importância de se pensar em outras reformas, além da eleitoral, para que haja uma real mudança no cenário político brasileiro.
Uma das principais críticas ao sistema político atual é justamente a possibilidade de reeleição, que permite que um mesmo político se mantenha no poder por vários mandatos consecutivos. Esse modelo tem sido alvo de muitas críticas, pois acaba gerando uma perpetuação de grupos políticos no poder e dificulta a entrada de novas lideranças. Além disso, a reeleição também pode gerar um desequilíbrio na disputa eleitoral, já que os candidatos que já ocupam cargos públicos têm vantagens em relação aos novos concorrentes.
Com a PEC do fim da reeleição, a proposta é limitar a permanência de um político no mesmo cargo a apenas um mandato. Essa medida pode trazer benefícios, como a renovação dos quadros políticos, maior diversidade de ideias e projetos, e uma maior representatividade da sociedade no poder. No entanto, é importante ressaltar que essa mudança não é suficiente para resolver todos os problemas do sistema político brasileiro.
Creomar de Souza destaca que, mesmo com o fim da reeleição, o Congresso Nacional ainda terá um grande poder sobre o orçamento e a gestão pública. Por isso, é fundamental que outras reformas sejam realizadas, como a diminuição do número de partidos políticos e a reforma do sistema de financiamento de campanhas. Além disso, é preciso que haja uma mudança na cultura política do país, com uma maior participação e engajamento da sociedade na vida política.
É importante lembrar que a PEC do fim da reeleição ainda está em discussão no Congresso e que, mesmo se aprovada, só entrará em vigor a partir de 2026. Isso significa que ainda há tempo para que outras reformas sejam debatidas e implementadas, buscando uma melhoria real no sistema político brasileiro.
Outro ponto importante a ser destacado é que, mesmo com o fim da reeleição, é fundamental que os eleitores façam escolhas conscientes e responsáveis na hora de votar. É preciso que a população esteja atenta às propostas e histórico dos candidatos, e que cobre uma atuação ética e transparente dos políticos eleitos.
Portanto, a PEC do fim da reeleição é um passo importante para a renovação política no Brasil, mas não é a única medida necessária. É preciso que haja uma ampla reforma no sistema político e que a sociedade se engaje nesse processo, para que possamos ter um país mais justo, democrático e próspero. Não podemos perder a oportunidade de construir um futuro melhor para todos.














