O ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, fez um discurso marcante hoje ao afirmar que a União Europeia (UE) viu “evaporar” a ilusão de que o poder comercial, enquanto potência consumidora, tem peso geopolítico no mundo. Essa declaração, dada em um evento em Bruxelas, levanta questões importantes sobre o papel da UE no cenário global e como ela pode se posicionar diante dos desafios atuais.
Draghi, que deixou o cargo de presidente do BCE em 2019, é conhecido por suas opiniões francas e diretas. Em seu discurso, ele destacou que a UE é a maior potência comercial do mundo, com um mercado único de 450 milhões de pessoas e um PIB de mais de 15 trilhões de dólares. No entanto, ele ressaltou que isso não é suficiente para garantir uma posição de destaque na geopolítica global.
O ex-presidente do BCE explicou que a UE tem sido vista como uma potência comercial, mas não como uma potência geopolítica. Isso significa que, apesar de seu poder econômico, a UE não tem conseguido exercer influência política e estratégica no mesmo nível que outras potências mundiais, como os Estados Unidos e a China. Draghi enfatizou que essa é uma ilusão que precisa ser superada para que a UE possa enfrentar os desafios do mundo moderno.
Uma das principais razões para essa falta de influência geopolítica, segundo Draghi, é a falta de unidade entre os países membros da UE. Ele destacou que, apesar de estarem unidos em questões comerciais, os países da UE muitas vezes têm interesses divergentes em outras áreas, o que enfraquece a posição do bloco no cenário internacional. Além disso, ele apontou que a UE tem sido lenta em tomar decisões e agir de forma unificada, o que a coloca em desvantagem em relação a outros atores globais.
No entanto, Draghi também enfatizou que a UE tem potencial para se tornar uma potência geopolítica de destaque, desde que tome medidas para fortalecer sua unidade e sua capacidade de ação. Ele destacou que a pandemia de COVID-19 mostrou que a UE pode agir de forma decisiva e coordenada quando necessário, e que esse espírito de cooperação deve ser mantido e fortalecido para enfrentar outros desafios globais.
Além disso, o ex-presidente do BCE ressaltou que a UE precisa se posicionar de forma mais assertiva e estratégica em questões como segurança, defesa e tecnologia. Ele destacou que a UE tem o potencial de se tornar líder em áreas como inteligência artificial e tecnologias limpas, o que poderia aumentar sua influência e relevância no cenário global.
Draghi também enfatizou a importância da cooperação com outros atores globais, como os Estados Unidos e a China. Ele destacou que a UE deve buscar parcerias estratégicas com esses países, mas sem comprometer seus próprios valores e interesses. Ele ressaltou que a UE deve ser uma voz forte em questões como mudanças climáticas, direitos humanos e comércio justo, e que esses valores devem ser levados em consideração em todas as suas relações internacionais.
O discurso de Draghi é um lembrete importante de que a UE precisa se posicionar de forma mais assertiva e estratégica no cenário global. Como a maior potência comercial do mundo, a UE tem o potencial de exercer uma influência significativa na geopolítica global. No entanto, para isso, é necessário que haja unidade e ação coordenada entre os países membros, além de uma postura mais proativa em relação aos desafios atuais.
É importante que a UE não veja a declaração de Draghi como uma crítica, mas sim como
