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Gémeas. Mãe avança com queixa-crime contra médico que denunciou caso

A história das gémeas luso-brasileiras que receberam um dos medicamentos mais caros do mundo no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, tem sido alvo de muita atenção e discussão nos últimos dias. O caso ganhou ainda mais destaque após a mãe das meninas avançar com uma queixa-crime contra o médico António Levy Gomes, que denunciou o suposto favorecimento no tratamento das crianças.

As gémeas, de apenas 6 anos de idade, sofrem de uma doença rara e degenerativa chamada Atrofia Muscular Espinhal (AME), que afeta o sistema nervoso e causa fraqueza muscular progressiva. A doença é considerada incurável e, até pouco tempo atrás, não havia nenhum tratamento disponível. No entanto, em 2016, foi aprovado nos Estados Unidos um medicamento chamado Spinraza, que promete melhorar a qualidade de vida dos pacientes com AME.

O problema é que o Spinraza é um dos medicamentos mais caros do mundo, com um custo anual de cerca de 500 mil euros por paciente. E foi exatamente isso que chamou a atenção do médico António Levy Gomes, que denunciou o caso das gémeas luso-brasileiras, alegando que elas estavam a receber o tratamento de forma privilegiada e sem critérios claros de seleção.

A denúncia do médico causou uma grande polémica e gerou muita revolta por parte da família das gémeas e de outras pessoas que acompanhavam o caso. A mãe das meninas, que prefere não ser identificada, decidiu então avançar com uma queixa-crime contra o médico, alegando difamação e calúnia.

Em entrevista à imprensa, a mãe das gémeas afirmou que a família está a passar por um momento muito difícil e que a denúncia do médico só trouxe mais sofrimento. Ela também ressaltou que as crianças foram selecionadas para receber o tratamento após passarem por uma rigorosa avaliação médica e que não houve nenhum tipo de favorecimento.

A polémica em torno do caso das gémeas luso-brasileiras levantou uma questão importante: como é feita a seleção dos pacientes que irão receber o Spinraza em Portugal? Segundo o Ministério da Saúde, o medicamento é disponibilizado através de um programa de acesso precoce, que segue critérios clínicos e éticos estabelecidos por uma comissão de especialistas.

De acordo com o Ministério, o programa tem como objetivo garantir o acesso ao tratamento de forma justa e transparente, tendo em conta a gravidade da doença e a disponibilidade de recursos. Além disso, o Ministério ressalta que o Spinraza é apenas um dos vários medicamentos de alto custo que são disponibilizados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) e que todos os casos são avaliados individualmente.

Apesar da polémica, o caso das gémeas luso-brasileiras teve um final feliz. As crianças estão a responder bem ao tratamento e já apresentam melhorias significativas na sua condição de saúde. A família agradeceu o apoio e a solidariedade que receberam de várias pessoas e instituições, e afirmou que estão a lutar para que outras crianças com AME também possam ter acesso ao Spinraza.

O caso das gémeas luso-brasileiras é um exemplo de como a medicina avançada pode fazer a diferença na vida de pessoas que sofrem com doenças raras e incuráveis. É também um lembrete de que, apesar dos avanços tecnológicos e científicos, ainda há muito a ser feito para garantir o acesso igualitário a tratamentos de alto custo.

Esper

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