As atividades de investimento da Sé Apostólica e do Instituto para as Obras de Religião (IOR) passaram a ser acompanhadas de perto pela Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA), em uma iniciativa histórica que visa trazer maior transparência e eficiência na gestão financeira desses órgãos pertencentes à Igreja Católica.
A medida foi anunciada pelo Papa Francisco em fevereiro deste ano, mostrando seu compromisso com a reforma da Igreja e aprimoramento de suas finanças. Anteriormente, o IOR, também conhecido como “Banco do Vaticano”, era responsável por gerir grande parte do patrimônio e investimentos da Igreja, sob a supervisão do Conselho de Superintendência. No entanto, com o novo sistema, a APSA, que já atuava como órgão financeiro da Santa Sé, agora também assumirá parte das atividades de investimento do IOR, garantindo maior controle e coordenação entre os dois órgãos.
Embora o Vaticano não seja um Estado com fins lucrativos, a Igreja possui um vasto patrimônio, adquirido por meio de doações, legados e investimentos ao longo dos séculos. Com a crescente complexidade do cenário financeiro mundial, torna-se cada vez mais importante uma gestão eficiente e responsável desses bens, garantindo que sejam utilizados para cumprir a missão da Igreja de promover o bem comum e ajudar os mais necessitados.
Com a nova estrutura, a APSA passa a gerir diretamente parte dos fundos da Sé Apostólica, enquanto o IOR continuará responsável pelos investimentos do Conselho de Superintendência. Essa mudança permitirá uma análise integrada dos investimentos da Igreja e uma maior transparência em relação aos recursos utilizados.
Vale ressaltar que a APSA não é um órgão desconhecido no âmbito financeiro do Vaticano. Fundada em 1891, ela já atuava como órgão financeiro da Santa Sé, encarregada de administrar as propriedades imobiliárias e gerir as finanças das congregações religiosas. Com a nova atribuição, a APSA terá um papel ainda mais importante na gestão do patrimônio da Igreja, garantindo que os recursos sejam aplicados de forma ética e responsável.
Além disso, o IOR passará por uma auditoria externa anual, a ser realizada por uma empresa independente. Essa medida reforça o compromisso do Vaticano em ser transparente em relação às suas atividades financeiras e assegurar que os recursos sejam utilizados de forma a promover os valores cristãos.
Para o Papa Francisco, essa reforma nas atividades de investimento é parte de um processo maior de melhora na governança e transparência da Igreja Católica. Ele afirma que “a Igreja não pode ser governada como uma empresa, mas deve ser administrada com transparência e responsabilidade, em conformidade com os princípios evangélicos”.
Com essa iniciativa, a Igreja dá um passo importante em direção a uma gestão mais eficiente e transparente de seu patrimônio, mostrando estar alinhada às exigências da modernidade e aos valores cristãos. Com a administração conjunta da APSA e do IOR, espera-se que a gestão financeira da Sé Apostólica e do IOR sejam mais integradas e eficientes, gerando maior credibilidade para a Igreja como instituição e garantindo que os recursos sejam utilizados para o bem comum.















