Relatório da Fundação AIS identifica 62 países onde há pessoas perseguidas ou discriminadas pela sua fé, com casos de morte e rapto. Situação é pior nos regimes autoritários e onde há crime organizado, diz à Renascença Catarina Martins Bettencourt. Cristãos continuam a ser as principais vítimas, mas em África a ameaça jihadista também tem como alvo muçulmanos moderados. Redes sociais estão a servir para espalhar o ódio contra as minorias.
A liberdade de religião é um direito humano fundamental, garantido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. No entanto, infelizmente, ainda existem muitos países onde esse direito é constantemente violado. De acordo com o relatório da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), existem atualmente 62 países onde pessoas são perseguidas ou discriminadas por causa de sua fé, com casos de morte e rapto.
O relatório, intitulado “Perseguidos e Esquecidos?”, analisa a situação em diferentes regiões do mundo e revela que a perseguição religiosa é mais intensa em regimes autoritários e em áreas onde há presença de grupos criminosos organizados. Catarina Martins Bettencourt, responsável pela área de estudos da AIS, afirma que “a perseguição religiosa é um fenômeno global e não está restrita a uma única região ou religião. Ela afeta milhões de pessoas em todo o mundo e é uma das principais violações dos direitos humanos”.
O relatório destaca que os cristãos continuam a ser as principais vítimas de perseguição religiosa, com cerca de 327 milhões de pessoas enfrentando algum tipo de discriminação ou violência por causa de sua fé. No entanto, em países como Nigéria, Burkina Faso e Mali, a ameaça jihadista também tem como alvo muçulmanos moderados, causando uma onda de violência e deslocamento forçado.
Além disso, o relatório aponta que as redes sociais estão sendo usadas como ferramentas para espalhar o ódio contra minorias religiosas. Grupos extremistas e indivíduos intolerantes usam essas plataformas para disseminar discursos de ódio e incitar a violência contra aqueles que têm crenças diferentes das suas. Isso tem contribuído para o aumento da perseguição religiosa em todo o mundo.
É importante ressaltar que a perseguição religiosa não afeta apenas a liberdade de culto, mas também tem um impacto profundo na vida das pessoas. Muitos são forçados a abandonar suas casas e comunidades, deixando para trás suas vidas e pertences. Além disso, a perseguição pode levar à violência, tortura, prisão e até mesmo à morte.
Diante dessa realidade alarmante, é fundamental que a comunidade internacional se una para combater a perseguição religiosa em todo o mundo. Governos, organizações e indivíduos devem trabalhar juntos para garantir que a liberdade de religião seja respeitada e protegida em todos os lugares. Além disso, é necessário promover o diálogo inter-religioso e a tolerância, para que as diferenças religiosas não sejam motivo de conflito e violência.
A Fundação AIS tem desempenhado um papel importante na defesa dos direitos das minorias religiosas em todo o mundo. Através de projetos de ajuda humanitária e de conscientização, a organização tem ajudado a aliviar o sofrimento das vítimas de perseguição religiosa e a promover a liberdade de religião.
É preciso lembrar que a perseguição religiosa não é um problema distante, mas sim uma realidade que afeta milhões de pessoas
