João Queiroz é um dos mais renomados artistas brasileiros contemporâneos, conhecido por sua obra marcada pelo diálogo constante com a paisagem. No entanto, o que muitos não sabem é que sua produção artística foi influenciada por uma doença prolongada que o acompanhou durante grande parte de sua vida. Apesar dos desafios enfrentados, Queiroz encontrou na arte uma forma de expressar sua visão de mundo e explorar a construção do olhar.
Nascido em 1958, na cidade de São Paulo, João Queiroz cresceu em meio à efervescência cultural da década de 1960. Desde cedo, demonstrou interesse pela arte, mas foi somente na adolescência que começou a se dedicar de forma mais intensa à pintura. No entanto, aos 18 anos, foi diagnosticado com uma doença que afetaria sua saúde pelo resto da vida: a esclerose múltipla.
A esclerose múltipla é uma doença autoimune que ataca o sistema nervoso central, causando danos ao cérebro e à medula espinhal. Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas geralmente incluem fadiga, fraqueza muscular, problemas de coordenação e visão, entre outros. Para Queiroz, a doença se manifestou principalmente através de problemas de visão, o que o impediu de continuar pintando da forma tradicional.
No entanto, ao invés de se deixar abater pela doença, Queiroz encontrou na arte uma forma de superar os desafios impostos por sua condição. Ele passou a explorar novas técnicas e materiais, adaptando sua forma de pintar às limitações físicas que enfrentava. Foi nesse momento que a paisagem se tornou um tema recorrente em sua obra, não apenas como um elemento romântico, mas como ponto de partida para explorar a construção do olhar.
A paisagem sempre foi um tema presente na história da arte, desde as pinturas rupestres até as obras contemporâneas. No entanto, para Queiroz, a paisagem não é apenas um cenário a ser retratado, mas sim um meio de expressar sua visão de mundo e suas reflexões sobre a vida e a natureza. Em suas pinturas, é possível perceber uma mistura de elementos figurativos e abstratos, criando uma atmosfera poética e contemplativa.
Além da paisagem, a figura humana também é um elemento recorrente em sua obra. No entanto, ao invés de retratar pessoas de forma realista, Queiroz as transforma em seres quase oníricos, inseridos em meio a uma natureza exuberante. Essa abordagem reflete sua visão de que o homem e a natureza estão intrinsecamente ligados, e que é preciso respeitar e preservar o meio ambiente.
Outro aspecto marcante na obra de João Queiroz é o uso de cores vibrantes e contrastantes, que conferem uma sensação de movimento e dinamismo às suas pinturas. Essa escolha cromática também é uma forma de expressar sua energia e vitalidade, mesmo diante dos desafios impostos pela doença.
Ao longo de sua carreira, Queiroz já realizou diversas exposições individuais e coletivas em importantes instituições e galerias de arte no Brasil e no exterior. Seu trabalho também faz parte de importantes coleções públicas e privadas, sendo reconhecido e admirado por críticos e amantes da arte.
Em 2018, o artista foi homenageado com uma grande retrospectiva de sua obra no Museu de Arte Moderna de São Paulo, intitulada “João Queiroz: Pintura e Paisagem”. A exposição reuniu mais de 100 obras, abrangendo desde seus primeiros trabalhos até suas produções mais recentes, e mostrou a evolução













