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“Batata”, “mesa” e touradas: a herança portuguesa do Prémio Nobel da Literatura Abdulrazak Gurnah

O autor Abdulrazak Gurnah, nascido em Zanzibar, guarda em sua memória as influências portuguesas deixadas em sua terra natal. Em uma entrevista à Renascença, ele compartilhou suas reflexões sobre o impacto do colonialismo e a atual onda de emigração na Europa.

Gurnah é conhecido por seu livro “Gente da Casa”, que retrata a vida de uma família em Zanzibar durante o período colonial. Em sua obra, ele explora as complexidades das relações entre colonizadores e colonizados, e como essas relações ainda afetam a sociedade atual.

Na entrevista, Gurnah falou sobre como as influências portuguesas ainda são visíveis em Zanzibar, desde a arquitetura até a culinária. Ele também destacou a importância de preservar a história e a cultura de seu país, mesmo com a crescente influência da globalização.

No entanto, o autor também abordou um novo tipo de colonialismo que está se espalhando pelo mundo: o “colonialismo instantâneo”. Ele se refere às grandes empresas de tecnologia, como a Google e o Tik Tok, que estão exercendo um grande poder sobre as sociedades e culturas locais.

Gurnah alerta para os perigos dessa influência, que muitas vezes é exercida sem o conhecimento ou consentimento das comunidades afetadas. Ele enfatiza a importância de preservar a diversidade cultural e a identidade de cada país, em vez de serem homogeneizados pela cultura dominante.

Além disso, o autor também falou sobre a atual onda de emigração na Europa, que tem sido um tema recorrente em suas obras. Ele acredita que essa migração em massa é um reflexo das desigualdades no mundo, onde alguns países têm mais recursos e oportunidades do que outros.

No entanto, Gurnah pede mais humanidade e compaixão em relação aos migrantes. Ele enfatiza que essas pessoas estão deixando suas casas em busca de uma vida melhor, e que é nosso dever acolhê-las e ajudá-las a se integrar em suas novas comunidades.

O autor também ressalta a importância de abordar as causas subjacentes da emigração, como a pobreza e a instabilidade política em muitos países. Ele acredita que, se essas questões forem resolvidas, haverá menos necessidade de migração em massa.

Gurnah também compartilhou suas esperanças para o futuro, onde as diferenças culturais e sociais serão valorizadas e respeitadas. Ele acredita que, se trabalharmos juntos para construir um mundo mais justo e igualitário, poderemos criar um futuro melhor para todos.

Em suas palavras, “a diversidade é o que torna o mundo interessante e bonito”. E é essa diversidade que devemos celebrar e proteger, em vez de tentar impor uma cultura dominante sobre todas as outras.

Em resumo, a entrevista com Abdulrazak Gurnah nos lembra da importância de preservar a história e a cultura de cada país, e de sermos mais humanos e compassivos em relação aos migrantes. Se seguirmos esses princípios, poderemos construir um mundo mais justo e acolhedor para todos.

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