A pobreza é um grave problema que assola não apenas Portugal, mas todo o mundo. Apesar dos avanços sociais e econômicos, ainda existem milhões de pessoas vivendo em situação de extrema carência e sem acesso a condições básicas de vida. Diante dessa realidade, a luta contra a pobreza deve ser um “desígnio nacional”, uma missão assumida por todos nós para garantir um futuro mais justo e igualitário.
Esta tem sido a bandeira defendida por Maria d’Oliveira Martins, docente e investigadora da Universidade Católica e autora do livro “Direito a não ser pobre”. Em uma recente entrevista, a professora ressaltou que Portugal está “muito aquém” do que poderia ser feito para combater a pobreza e melhorar as condições de vida dos mais necessitados. E apontou algumas das principais falhas no sistema que contribuem para manter essa realidade de desigualdade social.
Um dos pontos destacados por Maria d’Oliveira Martins é a ineficiência da Segurança Social, que muitas vezes delega às famílias a responsabilidade de garantir o sustento e o bem-estar de seus membros. No entanto, nem sempre as famílias têm condições de arcar com essa responsabilidade, o que perpetua um ciclo de pobreza e exclusão. Além disso, a pesquisadora também critica a falta de investimentos e recursos destinados à área social, que muitas vezes privilegiam outras áreas consideradas mais prioritárias.
Outro ponto que merece destaque é a falta de relatórios de execução de medidas sociais. Enquanto em outros países há um acompanhamento e avaliação constante das políticas de combate à pobreza, em Portugal isso ainda é uma lacuna. Segundo Maria d’Oliveira Martins, esses relatórios são fundamentais para se ter uma noção exata da realidade e, consequentemente, permitir a aplicação de medidas mais efetivas e direcionadas às necessidades da população.
No entanto, apesar dos desafios e das críticas, é preciso destacar que Portugal tem avançado em algumas questões na luta contra a pobreza. Um exemplo é o aumento do salário mínimo, que tem contribuído para a redução das desigualdades. Além disso, o país também tem implementado políticas de combate à pobreza infantil, com iniciativas como a tarifa social de energia e a distribuição de alimentos nas escolas.
Mas é necessário ir além. A pobreza não é apenas uma questão de necessidades básicas, mas também de dignidade e oportunidades. Por isso, é fundamental investir em programas e políticas que promovam a capacitação e a inclusão social, permitindo que as pessoas tenham condições de conquistar uma vida melhor e mais digna. Além disso, é preciso abordar as causas estruturais da pobreza, como a desigualdade de gênero, a discriminação racial e a falta de acesso à educação e ao emprego.
E é nesse sentido que a luta contra a pobreza deve se tornar um desígnio nacional. Não podemos deixar essa responsabilidade apenas para o governo ou para as instituições de caridade. Cada um de nós pode e deve contribuir de alguma maneira para transformar essa realidade. Seja através de ações voluntárias, doações, ou até mesmo de uma mudança de perspectiva em relação aos mais vulneráveis. É preciso lembrar que a pobreza não é uma escolha, mas sim uma consequência de um sistema injusto e desigual.
Não podemos fechar os olhos e esperar que o problema se resolva sozinho. É hora de agir e tornar a luta contra a pobreza uma prioridade nacional, com o compromisso de construir um país mais justo e solidário. Como disse Maria
