O mundo do cinema amanheceu mais triste no dia 17 de março de 2021, quando a notícia do falecimento de João Canijo, um dos mais renomados cineastas portugueses, foi anunciada. Aos 68 anos, ele deixou um legado de filmes premiados e reconhecidos internacionalmente, como foi o caso de “Sapatos Pretos”, que lhe rendeu um Urso de Prata no Festival de Berlim.
Nascido em 1952, em Figueira da Foz, João Canijo cresceu em um ambiente artístico, influenciado por sua mãe, uma atriz de teatro. Aos 18 anos, mudou-se para Lisboa para estudar Teatro Técnico e, posteriormente, ingressou na Escola Superior de Teatro e Cinema. Foi nesse período que ele descobriu sua paixão pela sétima arte e começou a produzir seus primeiros filmes.
Ao longo de sua carreira, João Canijo se destacou por retratar temas sociais e histórias da vida cotidiana, muitas vezes com personagens femininas fortes e complexas. Suas obras abordam questões como a violência doméstica, a prostituição e o desemprego, sempre com um olhar sensível e crítico.
No entanto, foi em 1998, com o filme “Sapatos Pretos”, que João Canijo alcançou o reconhecimento internacional. A obra, que conta a história de uma família que vive em um bairro social em Lisboa, foi exibida no Festival de Berlim e recebeu o Urso de Prata, um dos mais prestigiados prêmios do cinema mundial. Além disso, o filme também ganhou o Prémio do Público no Festival Internacional de Cinema de Leeds, no Reino Unido.
O sucesso de “Sapatos Pretos” abriu portas para que João Canijo continuasse a sua trajetória no cinema. Com mais de 30 anos de carreira, ele dirigiu mais de 20 filmes, entre curtas e longas-metragens. Entre suas obras mais conhecidas estão “Noite Escura”, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Realizador no Festival de Cinema de Valência, e “Fátima”, que foi indicado ao prêmio de Melhor Filme no Festival de Cannes.
Além de ser um talentoso cineasta, João Canijo também era um professor dedicado. Ele lecionou na Escola Superior de Teatro e Cinema e na Escola Superior de Dança, ambas em Lisboa, e compartilhou seus conhecimentos com jovens estudantes que sonhavam em seguir carreira no cinema.
Sua partida deixou um vazio no mundo do cinema português, mas seu legado continuará vivo através de suas obras e da influência que teve em seus alunos e colegas. Em uma entrevista, João Canijo disse que gostaria de ser lembrado como um contador de histórias e, sem dúvida, conseguiu atingir esse objetivo com maestria.
A premiação no Festival de Berlim foi um reconhecimento justo para um artista que dedicou sua vida a contar histórias e retratar a realidade de seu país. João Canijo deixou um grande legado para o cinema português e sua ausência será sentida por todos aqueles que admiravam seu trabalho e sua visão única do mundo.
É impossível falar sobre João Canijo sem mencionar sua sensibilidade e sua habilidade em trazer à tona as questões sociais mais importantes de sua época. Com suas obras, ele nos faz refletir e questionar a sociedade em que vivemos, e isso continuará a acontecer mesmo após sua partida.
Em nome de todos os admiradores do cinema, gostaria de expressar meus sentimentos à família e aos amigos de João Canijo. Seu trabalho continuará a inspirar gerações futuras e seu talento perman















