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Gonçalo M. Tavares: “A literatura é um espaço de resistência” e os leitores os “guerrilheiros”

O Festival Correntes d’Escritas está a decorrer até sábado, na Póvoa de Varzim, e trouxe à tona uma reflexão importante sobre o papel dos leitores na sociedade atual. Gonçalo M. Tavares, autor do livro “O Fim dos Estados Unidos da América”, defendeu que os leitores são hoje guerrilheiros em uma guerra contra os “estímulos imbecis” que nos rodeiam. Em uma época onde a informação é cada vez mais acessível, mas nem sempre de qualidade, é necessário que os leitores assumam esse papel de combatentes pela inteligência e pelo conhecimento.

Durante sua participação no festival, Tavares lamentou o fato de que o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nunca leu um livro. Esse comentário pode parecer apenas uma crítica política, mas na verdade, traz à tona uma questão muito mais profunda: a falta de leitura e de interesse pela cultura e pelo conhecimento.

Em uma sociedade onde a tecnologia e as redes sociais estão cada vez mais presentes, é fácil se perder em meio a tantos estímulos superficiais e imediatos. A leitura, por sua vez, exige tempo, concentração e reflexão. É uma atividade que nos faz pensar, questionar e expandir nossos horizontes. Porém, muitas vezes, é deixada de lado em troca de uma rápida rolagem no feed do Instagram ou em uma maratona de séries na Netflix.

Mas o que Tavares nos lembra é que os leitores são, na verdade, guerrilheiros nessa batalha contra os estímulos imbecis. Eles são aqueles que se recusam a se contentar com o superficial, que buscam conhecimento e que estão dispostos a lutar por uma sociedade mais inteligente e crítica.

E o Festival Correntes d’Escritas é um ótimo exemplo disso. O evento, que está em sua 21ª edição, é um dos mais importantes da literatura em Portugal e reúne escritores, editores, críticos e, é claro, leitores. É um espaço de encontro e de diálogo, onde a literatura é celebrada e valorizada. E é justamente nesses encontros que os leitores se fortalecem e se tornam ainda mais conscientes de sua importância.

Além disso, o festival também traz uma programação diversificada, com mesas de debate, lançamentos de livros, sessões de autógrafos e apresentações artísticas. Tudo isso com o objetivo de promover a literatura e incentivar a leitura. E é exatamente esse tipo de iniciativa que precisamos para combater os estímulos imbecis e valorizar a cultura e o conhecimento.

É importante ressaltar que a leitura não é apenas uma forma de entretenimento, mas também uma ferramenta poderosa de transformação. Através dos livros, podemos conhecer outras realidades, ampliar nossa visão de mundo e desenvolver empatia. Além disso, a leitura também contribui para o desenvolvimento da linguagem, da criatividade e do pensamento crítico.

Portanto, é fundamental que os leitores assumam esse papel de guerrilheiros e lutem contra os estímulos imbecis que nos cercam. E o Festival Correntes d’Escritas é um exemplo inspirador de como a literatura pode ser uma arma poderosa nessa batalha. Que mais eventos como esse possam surgir e que mais pessoas se juntem a essa guerra pela inteligência e pelo conhecimento. Afinal, como disse Tavares, “o livro é um instrumento de resistência e de luta”.

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