O governo Trump tem sido alvo de muitas críticas desde que assumiu a presidência dos Estados Unidos em janeiro de 2017. No entanto, nesta quarta-feira (25), os democratas foram além e acusaram o governo de realizar “o maior encobrimento governamental da história moderna”. Essa declaração veio após o presidente se recusar a cooperar com as investigações sobre um possível abuso de poder em suas relações com a Ucrânia.
Segundo os democratas, o governo Trump está se recusando a entregar documentos e testemunhas solicitados pelos comitês da Câmara dos Representantes que estão conduzindo o processo de impeachment do presidente. Além disso, os líderes democratas afirmam que o governo está tentando bloquear a investigação ao impedir que funcionários do governo participem de depoimentos e ao instruí-los a não fornecer informações.
Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, afirmou em coletiva de imprensa que “nenhum outro presidente na história moderna americana se recusou a cooperar com a investigação de impeachment”. Para ela, isso é um sinal de que Trump e sua administração estão tentando esconder informações importantes dos americanos.
As acusações dos democratas se baseiam em uma série de acontecimentos que levaram ao processo de impeachment. Em julho deste ano, Trump fez uma ligação telefônica com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em que ele teria pressionado o líder ucraniano a investigar Joe Biden, um dos principais pré-candidatos democratas à presidência, e seu filho Hunter Biden. Segundo denúncias, Trump teria retido ajuda militar à Ucrânia como forma de pressionar o país a abrir uma investigação contra os Biden.
Após a divulgação desta ligação telefônica e das denúncias, a Casa Branca decidiu não cooperar com o processo de impeachment, alegando que ele é injusto e ilegítimo. Além disso, Trump tem afirmado que a ligação com Zelensky foi perfeita e que não houve pressão ou troca de favores.
No entanto, o testemunho de vários funcionários do governo contradisse as afirmações do presidente. O embaixador dos Estados Unidos na União Europeia, Gordon Sondland, afirmou que o pedido de Trump para investigar os Biden foi uma “quid pro quo” (expressão em latim que significa “algo por algo”). Já o ex-conselheiro de segurança nacional, John Bolton, teria chamado a política externa de Trump com a Ucrânia de “uma droga à moda antiga”.
Com isso, os democratas acreditam que o governo Trump está tentando impedir que mais informações comprometedoras venham à tona. Eles destacam que as ações da administração são um ataque à Constituição dos Estados Unidos, que prevê a separação dos poderes e a responsabilidade de prestar contas por parte do presidente.
A recusa do governo em cooperar com a investigação também gerou críticas por parte de outros políticos, inclusive republicanos. O senador Mitt Romney afirmou que a atitude do presidente é errada e que a recusa em cooperar com a investigação é “desprezível e vergonhosa”.
Atualmente, a maioria dos americanos apoia a investigação de impeachment, de acordo com pesquisas de opinião. Os democratas estão confiantes de que, mesmo que o processo não leve a um afastamento do presidente, ele ainda pode ter um impacto significativo nas eleições presidenciais de 2020.
Em resposta às acusações dos democratas, a Casa Branca divulgou uma declaração em que afirma que “os ataques dos democratas são apenas uma tentativa de desviar a atenção do público das falhas de seus próprios candidatos”. A















