As mulheres representam a maioria da população portuguesa e são peças fundamentais no desenvolvimento do país. Além de serem responsáveis por grande parte da economia, elas também possuem uma das maiores taxas de participação no mercado de trabalho da União Europeia. No entanto, apesar de todas essas conquistas, ainda enfrentam uma realidade injusta: ganham menos do que os homens em todas as categorias de profissões.
De acordo com dados do Eurostat, a diferença salarial entre homens e mulheres em Portugal é de 14,9%. Isso significa que, em média, as mulheres portuguesas ganham quase 15% menos do que os homens pelo mesmo trabalho. Essa diferença é ainda maior em alguns setores, chegando a 20% em áreas como engenharia, tecnologia e ciência.
Essa disparidade salarial não é apenas uma questão de gênero, mas também de raça. Segundo a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), as mulheres negras ganham ainda menos do que as mulheres brancas, com uma diferença salarial de 17,1%. Além disso, elas ocupam menos cargos de liderança e são mais vulneráveis ao desemprego.
Essa realidade se reflete em todas as categorias de profissões, desde as que exigem menos qualificação até as mais especializadas. De acordo com a CITE, a diferença salarial é maior nas profissões de baixo rendimento, como limpeza, atendimento ao cliente e cuidados domésticos. Mas também é evidente nas áreas de maior prestígio, como medicina, advocacia e engenharia. Mesmo com a mesma formação e experiência, as mulheres continuam a receber menos do que os homens.
Essa situação é ainda mais alarmante quando consideramos que as mulheres são a maioria dos formandos do ensino superior em Portugal. De acordo com dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em 2018, 59% dos diplomas universitários foram concedidos às mulheres. Ou seja, elas são mais qualificadas, mas ainda assim enfrentam a desigualdade salarial.
Essa diferença salarial também se reflete na aposentadoria, uma vez que as mulheres recebem em média 28% a menos do que os homens. Isso acontece porque, além de ganharem menos durante a vida profissional, elas também têm uma carreira mais instável devido à dupla jornada de trabalho. Muitas vezes, as mulheres precisam conciliar o trabalho com os cuidados com os filhos e a casa, o que limita suas oportunidades de crescimento profissional.
Mas por que essa desigualdade salarial persiste? Existem diversos fatores que contribuem para esse cenário. Um deles é a discriminação de gênero, que muitas vezes leva a uma avaliação injusta das habilidades e competências das mulheres. Além disso, há também uma cultura que valoriza mais as qualidades masculinas do que as femininas, o que acaba refletindo nos salários.
Outro fator importante é a falta de políticas públicas efetivas para combater essa desigualdade. Embora existam leis que garantem a igualdade salarial, muitas empresas ainda não as cumprem. Além disso, é necessário promover a conscientização e a educação sobre a importância da igualdade de gênero e da valorização do trabalho feminino.
É preciso também incentivar as empresas a implementarem medidas de igualdade salarial, como a realização de auditorias e a criação de planos de remuneração transparentes. Além disso, é fundamental que as mulheres sejam encorajadas a ocuparem cargos de liderança e a se qualificarem cada vez mais, para que possam competir em igualdade de















