O ex-presidente do Peru, Ollanta Humala, foi acusado de lavagem de dinheiro no ano de 2017. O promotor encarregado do caso, Germán Juárez, afirmou durante o julgamento que o dinheiro enviado pela empresa Odebrecht do Brasil ao Peru era um pedido do Partido dos Trabalhadores.
O escândalo de corrupção envolvendo a Odebrecht veio à tona em 2016, quando a empresa admitiu ter pago propinas em diversos países da América Latina, incluindo o Peru. As investigações revelaram que a construtora brasileira pagou cerca de US$ 29 milhões em subornos a funcionários peruanos entre 2005 e 2014, período que abrange os mandatos presidenciais de Alejandro Toledo, Alan García e Ollanta Humala.
No caso específico de Humala, a acusação é de que ele teria recebido US$ 3 milhões da Odebrecht durante sua campanha eleitoral em 2011, por meio de caixa dois. O dinheiro teria sido repassado pelo Partido dos Trabalhadores do Brasil, que tinha como candidata à presidência a ex-presidente Dilma Rousseff na época. Segundo o promotor Germán Juárez, o dinheiro teria sido utilizado para financiar a campanha de Humala e, posteriormente, lavado por meio de doações oficiais ao partido.
Durante o julgamento, Juárez apresentou provas que comprovam o fluxo do dinheiro entre a Odebrecht e o Partido dos Trabalhadores, incluindo depoimentos de executivos da construtora e documentos bancários. Além disso, o promotor também destacou que houve uma série de reuniões entre representantes da Odebrecht e do Partido dos Trabalhadores antes e durante a campanha eleitoral de Humala.
A defesa do ex-presidente nega as acusações e afirma que não há provas concretas de que o dinheiro tenha sido utilizado na campanha. No entanto, o promotor Germán Juárez afirmou que há indícios suficientes para comprovar a culpa de Humala e de sua esposa, Nadine Heredia, que também é ré no processo.
O caso de corrupção envolvendo a Odebrecht causou grande impacto no Peru, levando à renúncia do ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski em 2018, após a revelação de que sua empresa de consultoria havia recebido pagamentos da construtora brasileira. Além disso, diversos políticos e empresários peruanos foram presos e investigados por envolvimento no esquema de corrupção.
O julgamento de Ollanta Humala e de sua esposa, Nadine Heredia, ainda está em andamento e a sentença deve ser divulgada em breve. Caso sejam considerados culpados, o ex-presidente e sua esposa podem ser condenados a até 20 anos de prisão.
Apesar do impacto negativo que o caso teve na política peruana, é importante destacar que as investigações e o julgamento mostram a força das instituições do país no combate à corrupção. O promotor Germán Juárez e sua equipe têm trabalhado incansavelmente para reunir provas e garantir que os responsáveis sejam responsabilizados pelos seus atos.
Além disso, a atuação da Justiça peruana no caso da Odebrecht serve como exemplo para outros países da América Latina que também foram afetados pelo esquema de corrupção da construtora brasileira. A cooperação entre os países e a troca de informações têm sido fundamentais para o avanço das investigações e para a punição dos envolvidos.
É importante que a sociedade peruana continue acompanhando o desenrolar do caso e exigindo transparência e justiça. A corrupção é um














