O chefe da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, recentemente fez uma declaração que tem gerado bastante discussão e preocupação na comunidade internacional. De acordo com Grossi, o Irão tem capacidade técnica para voltar a enriquecer urânio dentro de “alguns meses”. Essa afirmação vem em meio a um momento de tensão entre o Irã e os Estados Unidos, após o país persa anunciar o aumento de seus estoques de urânio enriquecido.
A declaração de Grossi foi feita durante uma entrevista à agência de notícias Reuters, na qual ele afirmou que o Irã possui a capacidade técnica necessária para enriquecer urânio em níveis mais altos do que os permitidos pelo acordo nuclear de 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA). Segundo ele, isso poderia ser feito em “alguns meses”, caso o Irã decidisse abandonar o acordo e retomar suas atividades nucleares.
Essa afirmação de Grossi é um alerta para a comunidade internacional sobre a importância de se manter o acordo nuclear em vigor e evitar a escalada de tensões entre o Irã e os Estados Unidos. O JCPOA foi assinado em 2015 por Irã, Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido, França, Alemanha e União Europeia, com o objetivo de limitar as atividades nucleares do país persa em troca da suspensão das sanções internacionais.
No entanto, em 2018, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou o país do acordo, alegando que o mesmo era “defeituoso” e não abordava outras questões, como o programa de mísseis balísticos do Irã e seu envolvimento em conflitos regionais. Desde então, os EUA têm aplicado sanções econômicas ao Irã e pressionado outros países a fazerem o mesmo, o que tem causado um impacto negativo na economia iraniana.
Com a retirada dos Estados Unidos, o Irã passou a exigir que os demais países signatários do acordo cumprissem suas obrigações, especialmente em relação ao alívio das sanções. No entanto, em maio deste ano, o presidente iraniano, Hassan Rouhani, anunciou que o país deixaria de cumprir alguns termos do acordo, como o limite para o enriquecimento de urânio e o estoque de urânio enriquecido.
Segundo Grossi, o Irã já aumentou seu estoque de urânio enriquecido para além do limite estabelecido pelo JCPOA, mas ainda não chegou ao nível necessário para a produção de armas nucleares. No entanto, caso o país persa continue a enriquecer urânio, poderá alcançar esse nível em poucos meses.
Essa declaração do chefe da AIEA é preocupante, pois mostra que o Irã tem a capacidade técnica para produzir armas nucleares, caso decida abandonar o acordo. Isso reforça a importância de se manter o JCPOA em vigor e de se encontrar uma solução diplomática para resolver as tensões entre os Estados Unidos e o Irã.
Além disso, a declaração de Grossi também destaca a importância da atuação da AIEA no controle e monitoramento das atividades nucleares em todo o mundo. A agência é responsável por inspecionar e verificar o cumprimento dos acordos e tratados internacionais relacionados à energia nuclear, garantindo a segurança e a paz global.
É fundamental que os países signatários do JCPOA continuem a trabalhar juntos para preservar o acordo e evitar uma possível crise nuclear. Além disso, é importante que os Estados Unidos e o Irã se engajem em um diálogo construtivo para resolver suas dif















