O mapa do mundo que estamos acostumados a ver nas salas de aula, livros e até mesmo na internet, geralmente não representa com precisão as proporções reais dos continentes e países. Isso acontece porque o mapa, assim como qualquer outra representação cartográfica, é uma projeção da Terra em uma superfície plana, o que gera distorções e imprecisões.
Uma das distorções mais comuns é a que afeta as regiões próximas à linha do Equador e aos pólos. Enquanto as regiões equatoriais são representadas de forma menor do que realmente são, as regiões polares são ampliadas. Isso significa que países como o Brasil, localizado próximo à linha do Equador, aparecem com dimensões menores do que possuem na realidade, enquanto países como a Groenlândia, localizada no extremo norte do planeta, parecem ser muito maiores do que são na verdade.
Um exemplo disso é a comparação entre a Groenlândia e a África. Enquanto a Groenlândia é representada com uma área semelhante à da África, na verdade ela possui apenas 14% da área do continente africano. Essa distorção é ainda mais evidente quando comparamos com o Brasil, que possui uma área quase cinco vezes maior que a Groenlândia, mas que aparece com dimensões menores no mapa.
Essa distorção cartográfica é conhecida como “projeção de Mercator”, criada pelo cartógrafo belga Gerardus Mercator no século XVI. Essa projeção, apesar de ser amplamente utilizada até hoje, não é a única forma de representar o mundo em um mapa. Existem outras projeções, como a de Peters, que tenta corrigir as distorções de tamanho e proporção, mas que também possui suas próprias imprecisões.
Mas por que essa distorção é tão comum e aceita? Uma das razões é a facilidade de leitura e utilização da projeção de Mercator. Ela é ideal para a navegação marítima, pois mantém os ângulos e direções dos pontos, facilitando a orientação e a construção de rotas. Além disso, a projeção de Mercator também é útil para a representação de áreas polares, que são ampliadas e, portanto, mais fáceis de serem analisadas.
No entanto, essa projeção não é a mais adequada para a representação precisa das proporções de tamanho dos continentes e países. Além disso, ela também pode gerar uma visão distorcida e eurocêntrica do mundo, já que os países europeus aparecem maiores do que realmente são, enquanto os países africanos e sul-americanos, por exemplo, são representados de forma reduzida.
Por isso, é importante questionar e desconstruir essa visão de mundo que nos é apresentada através do mapa. É preciso entender que a projeção de Mercator é apenas uma forma de representação e que existem outras projeções que podem ser mais precisas e justas em relação às dimensões reais dos países.
Além disso, é importante ressaltar que a dimensão de um país não está diretamente relacionada ao seu poder ou importância. A África, por exemplo, é o segundo maior continente do mundo em extensão territorial, mas é frequentemente subestimada em relação a outros continentes. Essa visão distorcida do mapa pode contribuir para a perpetuação de estereótipos e preconceitos em relação a determinadas regiões do mundo.
E não é apenas a África que é afetada por essa distorção. Países como a Índia, a Indonésia e o México também possuem dimensões maiores do que aparentam no mapa, o que reforça a ideia de que a projeção















