Associação de Vítimas de Abuso Sexual na Igreja pede ação do Parlamento
Uma manifestação organizada pela Associação de Vítimas de Abuso Sexual na Igreja teve lugar em frente à Assembleia da República, na última quinta-feira (10). O objetivo do protesto era chamar a atenção do Parlamento para a lentidão dos processos de indemnização e para a necessidade de alterar as prescrições de crimes sexuais.
A organização, que representa centenas de vítimas de abuso sexual cometido por membros da Igreja Católica em Portugal, criticou a atuação da Procuradora-Geral da República, Rute Agulhas, e as entrevistas conduzidas pelo Grupo Vita, responsável pela investigação interna da Igreja sobre os casos de abuso.
Em um comunicado divulgado durante a manifestação, a Associação afirmou que “a atuação da Procuradora-Geral da República tem sido insuficiente e ineficaz, deixando as vítimas sem respostas e sem justiça”. Além disso, a organização também criticou as entrevistas conduzidas pelo Grupo Vita, afirmando que “a investigação interna da Igreja não é suficiente para garantir a justiça às vítimas e a punição dos agressores”.
A lentidão dos processos de indemnização também foi destacada pela Associação, que pediu ao Parlamento que tome medidas para acelerar esses processos. Segundo a organização, muitas vítimas estão esperando há anos por uma resposta e uma compensação pelos danos causados.
Além disso, a Associação também fez um apelo ao Parlamento para que altere as prescrições de crimes sexuais. Atualmente, em Portugal, a maioria dos crimes sexuais prescreve em 15 anos, o que significa que muitos agressores podem ficar impunes devido ao tempo decorrido desde o crime. A Associação defende que essa prescrição seja eliminada ou, pelo menos, aumentada para 30 anos.
Os manifestantes também reivindicaram uma maior transparência por parte da Igreja Católica em relação aos casos de abuso sexual. A Associação pediu que a Igreja divulgue os nomes dos agressores e das vítimas, bem como as medidas tomadas para punir os culpados e apoiar as vítimas.
Durante a manifestação, várias vítimas de abuso sexual na Igreja compartilharam seus relatos e pediram justiça. Muitas delas afirmaram que sofreram abusos quando ainda eram crianças e que, até hoje, carregam as consequências desses traumas.
O protesto também contou com a presença de representantes de outras organizações de apoio às vítimas de abuso sexual, que se uniram à Associação para exigir uma ação mais efetiva do Parlamento e da Justiça.
Em resposta à manifestação, a Procuradora-Geral da República afirmou que está empenhada em garantir a justiça às vítimas de abuso sexual e que tem trabalhado em estreita colaboração com as autoridades judiciais para acelerar os processos. No entanto, reconheceu que ainda há muito a ser feito e que é necessário um esforço conjunto para combater esse tipo de crime.
O Parlamento ainda não se pronunciou sobre as reivindicações da Associação, mas espera-se que a manifestação tenha chamado a atenção dos legisladores para a urgência de mudanças na legislação relacionada aos crimes sexuais.
Em um momento em que a sociedade está cada vez mais consciente sobre a gravidade do abuso sexual e a necessidade de proteger as vítimas, é fundamental que as autoridades atuem de forma rápida e eficiente para garantir a justiça e a segurança das vítimas. A Associação de Vítimas














