A exposição ao calor é uma questão cada vez mais preocupante em todo o mundo. O aumento das temperaturas e as ondas de calor frequentes têm um impacto significativo na saúde, no bem-estar e até mesmo na produtividade das pessoas. E, de acordo com um novo estudo, esse impacto é ainda mais grave do que se imaginava.
De acordo com o estudo “Heat Exposure and Global Labor Productivity”, publicado pela organização sem fins lucrativos Laboratório Global de Mudanças Climáticas (Global Labor Change Lab), a exposição ao calor resultou em um recorde de 639 mil milhões de horas potenciais de perda de produtividade laboral em 2024. Isso equivale a mais de um bilião de dólares em perdas econômicas, representando quase 1% do PIB mundial.
Esses números alarmantes são resultado de uma análise dos dados climáticos e laborais de 2018 a 2024 em 43 países, que representam 77% da força de trabalho global. O estudo também levou em consideração a projeção do aumento da temperatura global nos próximos anos, o que significa que esses números podem ser ainda maiores se medidas efetivas não forem tomadas para mitigar os efeitos do aquecimento global.
Os resultados da pesquisa mostram que a exposição ao calor afeta principalmente os países em desenvolvimento, onde a população é mais vulnerável aos efeitos do clima extremo. A África e a Ásia são as regiões mais afetadas, com perdas de produtividade de 5,3% e 4,7%, respectivamente. No entanto, países desenvolvidos como Estados Unidos, Austrália e Reino Unido também estão sofrendo com a exposição ao calor, com perdas de produtividade de 2,7%, 2,8% e 3,1%, respectivamente.
As indústrias mais afetadas pela exposição ao calor são a agricultura, a construção civil e o setor de manufatura. Trabalhadores desses setores estão mais expostos às altas temperaturas, o que pode levar a problemas de saúde, como insolação, desidratação e exaustão. Além disso, esses trabalhadores também podem sofrer com a fadiga e a falta de concentração, o que afeta diretamente a produtividade e a qualidade do trabalho.
Além disso, as consequências da exposição ao calor vão além da perda de produtividade. A saúde e o bem-estar dos trabalhadores também são afetados, o que pode levar a um aumento nos custos com saúde e na taxa de absenteísmo. Além disso, a exposição ao calor pode levar a um aumento da desigualdade, já que os trabalhadores mais vulneráveis, como mulheres, crianças e idosos, são os mais afetados.
Diante desses dados alarmantes, é urgente que medidas sejam tomadas para mitigar os efeitos da exposição ao calor. Além das estratégias de adaptação, como a utilização de equipamentos de proteção e a criação de ambientes de trabalho mais frescos, é necessário combater as causas do aquecimento global. Isso inclui a redução das emissões de gases de efeito estufa e a transição para fontes de energia limpa e renovável.
Os governos, empresas e indivíduos também devem estar cientes da importância de se preparar para os efeitos do aquecimento global. Isso inclui investimentos em infraestrutura resiliente e em programas de educação e conscientização sobre a exposição ao calor. Além disso, a saúde e o bem-estar dos trabalhadores devem ser prioridade em todas as políticas e decisões relacionadas ao clima.
A exposição ao calor é uma questão que afeta a todos, independentemente de onde viv















