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ANPD exige esclarecimentos da Meta sobre suspensão de contas

ANPD exige esclarecimentos da Meta sobre suspensão de contas
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

ANPD abre investigação sobre práticas da Meta

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) enviou ofícios à Meta, proprietária do Instagram, WhatsApp e Facebook, exigindo explicações sobre a suspensão de contas e outros procedimentos que podem violar direitos dos usuários. A suspensão de contas representa uma das principais reclamações recebidas pela agência reguladora, que agora busca compreender melhor os mecanismos e critérios utilizados pela empresa norte-americana.

Os documentos foram entregues na segunda-feira (19) de julho, após a abertura formal de um procedimento administrativo na sexta-feira anterior (16). O prazo concedido é de cinco dias úteis para que a Meta responda aos questionamentos da ANPD, um prazo considerado breve considerando a complexidade das operações da plataforma no Brasil.

Origem das denúncias e motivações para investigação

O procedimento de fiscalização foi iniciado após a ANPD receber múltiplas denúncias relacionadas a possíveis irregularidades nos critérios adotados pela Meta para suspensão de contas e remoção de publicações. Segundo a agência, as manifestações vieram do Ministério Público Federal (MPF), de organizações da sociedade civil dedicadas à defesa da liberdade de expressão e dos direitos digitais, além de petições formais enviadas por cidadãos brasileiros.

A ANPD diferenciou dois tipos de investigações: um procedimento administrativo geral para apurar irregularidades gerais, sem vínculo direto com questões eleitorais, e encaminhamentos específicos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para denúncias envolvendo conteúdos com potencial impacto no processo eleitoral brasileiro.

Principais questões questionadas pela agência

Entre os problemas relatados pelos denunciantes está a falta de justificativas específicas fornecidas aos usuários afetados pela suspensão de contas. Muitos usuários reclamam que não recebem explicações detalhadas sobre o motivo exato de suas contas terem sido suspensas ou seus conteúdos removidos. Adicionalmente, há críticas sobre a ausência de critérios claros e públicos que guiem essas decisões, bem como relatos de bloqueios considerados indevidos ou implementados de forma não transparente.

A ANPD quer compreender como a suspensão de contas funciona na prática. A empresa deverá detalhar quais informações são fornecidas aos usuários afetados e que medidas adota para evitar o uso abusivo dos mecanismos de denúncia por parte de terceiros. Este último ponto é crucial, pois denúncias falsas ou maliciosas podem resultar em suspensão indevida de contas legítimas.

Questões técnicas e automatização de decisões

Um aspecto particularmente relevante diz respeito aos processos automatizados de tomada de decisão. A ANPD deseja entender como funcionam os sistemas de inteligência artificial e aprendizado de máquina que detectam violações das políticas da Meta, resultando frequentemente na suspensão de contas. A agência quer saber também como a empresa realiza a revisão dessas decisões automatizadas quando os usuários apresentam recursos formais.

Essa questão é fundamental porque muitos usuários relatam dificuldades para reverter suspensões, especialmente quando estas foram resultado de decisões tomadas por algoritmos. O recurso manual e a possibilidade de apelação devem estar disponíveis de forma clara e acessível, conforme exigido pelas normas de proteção de dados.

Marco legal e obrigações regulatórias

Os questionamentos da ANPD consideram especificamente obrigações previstas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e no Marco Civil da Internet, com regulamentação atualizada pelo Decreto nº 12.975/2026. Essas normas tratam de direitos fundamentais relacionados à transparência dos critérios adotados pelas plataformas, à possibilidade de contestar decisões e solicitar sua revisão, e à proteção contra o uso abusivo dos mecanismos de denúncia.

A LGPD estabelece que usuários devem ter direito de acesso a informações sobre como seus dados pessoais estão sendo processados, especialmente quando decisões automatizadas afetam seus direitos. No caso da suspensão de contas, isso significa que usuários têm direito de saber por que foram suspensos e de ter essa decisão revisada por uma pessoa real, não apenas um algoritmo.

Próximos passos e possíveis medidas

Após analisar as respostas que a Meta deverá fornecer nos próximos cinco dias úteis, a ANPD verificará a conformidade dos procedimentos adotados com a legislação brasileira vigente. Dependendo das explicações fornecidas, a agência poderá adotar novas medidas de fiscalização mais rigorosas, que podem incluir multas, obrigação de mudanças nos procedimentos ou até restrições operacionais mais severas.

Contexto maior de fiscalização de plataformas digitais

A investigação sobre a Meta integra-se a uma iniciativa mais ampla da ANPD que monitora as principais plataformas digitais em operação no Brasil, incluindo lojas de aplicativos, redes sociais e ferramentas de inteligência artificial generativa. O objetivo geral da agência é verificar se essas empresas cumprem as obrigações previstas no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), no Marco Civil da Internet e nos decretos que regulamentam essas leis.

A ANPD, vinculada ao Ministério da Justiça, desempenha papel similar ao de órgãos reguladores como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mas com foco específico na proteção de dados pessoais e privacidade no ambiente digital. Nos últimos meses, suas atribuições foram expandidas, passando também a fiscalizar o cumprimento do ECA Digital, que estabelece regras específicas para proteção de crianças e adolescentes em plataformas digitais.

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