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Argentina perde 32 mil empresas na gestão Milei

Argentina perde 32 mil empresas na gestão Milei
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Empresas fecham Argentina em ritmo acelerado

Desde que Javier Milei assumiu a presidência da Argentina no final de 2023, o país registra uma retração significativa no número de empresas. Dados divulgados no sábado (10) pela Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT) revelam que empresas fecham Argentina em um total de 32.290 unidades a menos. A redução representa um declínio de 6,3% comparado ao período anterior à posse do presidente.

O total de empregadores registrados caiu de 512.357 em novembro de 2023 para 480.067 em julho do corrente ano. Essa queda consecutiva marca a 18ª redução mensal seguida do cadastro de empresas. Apenas no mês de julho, foram contabilizadas 948 empresas a menos em relação a junho, enquanto o país também perdeu 3.485 postos de trabalho formais.

Entendendo os dados de fechamento

É importante esclarecer que a remoção do cadastro da SRT não necessariamente indica encerramento definitivo das operações. O órgão registra empregadores que mantêm pelo menos um trabalhador inscrito no sistema de seguro contra acidentes de trabalho. Uma empresa pode deixar essa listagem por diversos motivos: encerramento de atividades, falta de funcionários registrados, reorganização administrativa ou mudanças cadastrais.

Apesar dessa ressalva, os números indicam uma tendência clara de dificuldades enfrentadas pelas empresas argentinas. A série de 18 quedas consecutivas sugere um ambiente econômico desafiador para a atividade produtiva.

Pressões econômicas sobre o setor produtivo

A redução no número de empresas ocorre em um contexto de consumo debilitado, custos operacionais elevados e crescente concorrência de produtos importados. Segundo análises da Confederação Argentina da Média Empresa (CAME) e do Centro de Economia Política Argentina (CEPA), múltiplos fatores contribuem para esse cenário crítico.

Consumo enfraquecido limita receitas

A Confederação Argentina da Média Empresa destaca que o aumento nas contas de serviços essenciais e o elevado endividamento das famílias reduzem significativamente o poder de compra. Com orçamentos domésticos comprimidos, os consumidores priorizam gastos essenciais, deixando menos recursos para outros produtos e serviços. Esse comportamento afeta diretamente o faturamento das empresas, especialmente do comércio.

Custos operacionais prejudicam a lucratividade

A União Industrial Argentina (UIA) identifica os custos de energia, a carga tributária e as condições de financiamento como principais obstáculos para as pequenas e médias indústrias. Com vendas fracas devido ao consumo reduzido, essas despesas fixas consomem uma proporção maior do faturamento, comprimindo as margens de lucro. Além disso, as empresas enfrentam dificuldades para obter crédito, limitando suas possibilidades de investimento e operação.

Importações aumentam a competição

A abertura comercial implementada pelo governo Milei, através da redução de barreiras às importações, intensificou a concorrência com produtos estrangeiros. De acordo com o CEPA, as compras de bens de consumo do exterior cresceram 34,7% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2023. No mesmo intervalo, a produção industrial argentina recuou 12%, indicando uma substituição de produtos nacionais por estrangeiros.

Políticas de austeridade e impactos setoriais

O cenário de fechamentos acompanha o forte corte de gastos públicos adotado pelo governo Milei como estratégia de combate à inflação. Embora o objetivo seja estabilizar preços, os efeitos sobre a atividade econômica variam entre os setores. Em julho, comércio e indústria encolheram quando comparados ao mesmo mês do ano anterior, enquanto o setor de mineração apresentou crescimento.

Essa heterogeneidade nos resultados setoriais revela que as políticas de austeridade afetam desigualmente a economia argentina. Setores dependentes de consumo doméstico sofrem mais intensamente, enquanto setores vinculados à exportação ou recursos naturais conseguem manter melhor desempenho.

Perspectivas para empresas argentinas

A sequência de 18 meses com quedas consecutivas no número de empresas registradas levanta questões sobre a sustentabilidade do modelo econômico em implementação. Embora o governo Milei justifique as medidas de austeridade como necessárias para controlar a inflação de longo prazo, os custos imediatos para o setor produtivo são substanciais.

O desafio para as autoridades consiste em encontrar um equilíbrio que permita reduzir a inflação sem comprometer completamente a atividade econômica e o emprego formal. As próximas mensurações do indicador de empresas registradas na SRT oferecerão sinais sobre se a queda foi contida ou se continua sua trajetória descendente.

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