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Autora Sally Rooney para distribuição no Reino Unido

Autora Sally Rooney para distribuição no Reino Unido
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Autora Sally Rooney interrompe distribuição de obras no Reino Unido

A escritora irlandesa Sally Rooney, conhecida mundialmente pelo seu romance de sucesso "Pessoas Normais", comunicou nesta quarta-feira (14) que a distribuição de seus livros no Reino Unido será interrompida. A decisão relaciona-se ao apoio público da autora ao Palestine Action, organização classificada pelo governo britânico como entidade terrorista.

Sally Rooney afirmou que a cesação da distribuição ocorreu mediante acordo mútuo com sua editora Faber & Faber, responsável pelas publicações da autora no território britânico. Conforme explicado pela editora, a impossibilidade de continuar pagando os direitos autorais decorre da legislação antiterrorismo vigente no Reino Unido.

Contexto da Proibição do Palestine Action

O Palestine Action foi banido no Reino Unido em julho de 2025, após ser incluído na lista oficial de organizações terroristas do país. A inclusão ocorreu após membros do grupo terem invadido uma base da Força Aérea britânica e causado danos a dois aviões militares. Segundo as autoridades governamentais, a organização já possuía histórico documentado de ataques contra instalações militares e empresas do setor de defesa.

Um mês após o banimento, Rooney publicou um artigo no jornal irlandês The Irish Times, no qual reafirmou seu compromisso com o Palestine Action e revelou sua intenção de destinar parte de seus lucros para financiar a organização.

Implicações Legais para a Editora

Sob a legislação antiterrorismo britânica, fornecer apoio financeiro ou financiar organizações classificadas como terroristas constitui crime com penalidade de até 14 anos de prisão. Por essa razão, a editora Faber & Faber argumentou que efetuar o pagamento dos direitos autorais a Rooney violaria a lei, considerando que a autora declarou publicamente sua intenção de utilizar esses recursos para apoiar o Palestine Action.

A Faber & Faber emitiu comunicado oficial afirmando: "Vender a obra de uma escritora e não poder repassar os ganhos a ela é uma situação inconcebível para uma editora". A empresa reiterou que a decisão foi consensual entre as partes.

Importante ressaltar que o Palestine Action não é proibido na Irlanda, país onde reside Sally Rooney. Essa diferença regulatória entre as jurisdições foi fundamental para a situação que se desenvolveu.

Posicionamento Público de Sally Rooney

A autora manifestou-se em comunicado direcionado à imprensa, demonstrando plena consciência das consequências de seu posicionamento político. "Fiz todos os esforços para ser honesta com o público sobre minhas crenças e intenções e estou totalmente preparada para aceitar as consequências", declarou Rooney.

Em setembro de 2025, a escritora já havia enfrentado constrangimentos relacionados a seu ativismo, quando foi aconselhada a não entrar no Reino Unido para comparecer a uma cerimônia de premiação em Londres, diante do risco potencial de prisão vinculado ao seu apoio ao grupo.

Impacto na Disponibilidade dos Livros

A interrupção da distribuição não acarretará a retirada dos livros de Rooney das livrarias britânicas já existentes. Os exemplares atualmente em circulação continuarão disponíveis para venda, porém a editora cessará o fornecimento de novas unidades aos varejistas. As obras permanecerão comercializáveis em outros países, sem restrições decorrentes dessa situação específica.

Desempenho Comercial da Autora no Reino Unido

A trajetória comercial de Sally Rooney no mercado britânico foi notável antes dessa controvérsia. "Pessoas Normais", seu romance mais aclamado, alcançou a marca de mais de 1 milhão de cópias vendidas exclusivamente no Reino Unido. Seus outros dois romances, "Conversas Entre Amigos" e "Belo Mundo, Onde Você Está", também conquistaram expressivo desempenho comercial, ultrapassando cada um 500 mil cópias vendidas no território, conforme dados divulgados pelo The Guardian.

Reflexões sobre Liberdade de Expressão e Consequências

O caso de Sally Rooney suscita importantes questões sobre a intersecção entre liberdade de expressão, ativismo político e conformidade legal. A autora irlandesa optou por manter sua posição de apoio ao Palestine Action, aceitando deliberadamente as consequências comerciais e legais associadas a essa escolha. Seu posicionamento contrasta com situações onde criadores buscam separar suas convicções pessoais de suas operações comerciais.

A decisão também evidencia a complexidade das legislações antiterrorismo contemporâneas e seus efeitos em cadeias de valor comercial, especialmente no setor editorial, onde a remuneração de autores está intrinsecamente vinculada à distribuição e venda de obras.

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