Bitcoin em El Salvador: o fracasso do ambicioso projeto de Bukele

O ambicioso plano que prometia transformação
O projeto bitcoin El Salvador começou como uma promessa revolucionária. Em março de 2021, durante a conferência Bitcoin 2021 em Miami, o presidente Nayib Bukele anunciou publicamente que transformaria o país centro-americano no primeiro do mundo a adotar a criptomoeda como moeda oficial. A iniciativa foi recebida com entusiasmo pela comunidade cripto, que via ali a concretização de um ideal há tempos debatido em fóruns digitais.
Meses depois, em setembro de 2021, El Salvador efetivamente aprovou a Lei do Bitcoin, tornando-a moeda de curso legal ao lado do dólar americano. O governo alocou recursos expressivos para viabilizar a iniciativa: um fundo de US$ 150 milhões, distribuição de US$ 30 a cada cidadão que instalasse a carteira Chivo, e mais US$ 50 milhões destinados à infraestrutura necessária. As promessas eram claras e ambiciosas: prosperidade econômica, inclusão financeira, redução de custos nas remessas internacionais e atração de investimentos estrangeiros.
As expectativas do governo e da população
Bukele justificava o projeto bitcoin argumentando que a medida beneficiaria principalmente os trabalhadores informais sem acesso ao sistema bancário tradicional. Outra argumentação central era a redução nos custos das remessas, já que as transferências internacionais representam aproximadamente um quarto do Produto Interno Bruto salvadorenho. Em 2025, essas remessas atingiram 26,3% do PIB do país, segundo dados oficiais.
Para potencializar o projeto, o governo também anunciou planos ainda mais audaciosos: a emissão dos chamados




