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Brasil ativa Lei de Reciprocidade contra tarifas americanas

Brasil ativa Lei de Reciprocidade contra tarifas americanas
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Brasil inicia processo formal de reciprocidade contra tarifas americanas

O governo brasileiro acionou formalmente a Lei de Reciprocidade Econômica para responder às medidas protecionistas impostas pelos Estados Unidos. Nesta quinta-feira (13), o Ministério das Relações Exteriores comunicou o início da análise de enquadramento das tarifas unilaterais adotadas pelo governo norte-americano, marca o escalate da disputa comercial entre os dois países e demonstra a determinação brasileira em defender seus interesses econômicos.

A reciprocidade contra tarifas americanas representa um mecanismo legal aprovado por unanimidade no Congresso Nacional e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2025. Este instrumento permite que o Brasil aplique à nação americana as mesmas restrições, medidas ou alíquotas que sofreu por parte dela, criando um sistema de equilíbrio comercial baseado em retaliação simétrica.

O marco legal que permite a resposta brasileira

A Lei nº 15.122/2025, conhecida como Lei da Reciprocidade Econômica, funciona como ferramenta de defesa comercial disponível ao executivo federal. Em nota oficial, o governo brasileiro informou que iniciou análise de pleito ordinário de enquadramento sob esta legislação, especificamente direcionada às medidas adotadas no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio americana.

Este processo formal marca uma mudança de estratégia do Brasil, que até o momento havia privilegiado canais diplomáticos e negociações multilaterais. A ativação da reciprocidade contra tarifas americanas sinaliza disposição de Brasília em adotar medidas mais assertivas, ainda que mantendo abertura para o diálogo.

Diplomacia e negociação como prioridade

Apesar da ativação do mecanismo legal, o governo brasileiro reafirmou seu compromisso com a solução negociada. O Itamaraty está notificando oficialmente os Estados Unidos sobre o início do processo e solicitando consultas diplomáticas. Estas conversações visam mitigar ou anular os efeitos tanto das medidas americanas quanto das possíveis contramedidas previstas na legislação brasileira.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e com o assessor especial para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, para deliberar sobre o tema. A cúpula governamental buscou alinhar a estratégia de reciprocidade contra tarifas americanas com a manutenção dos canais de negociação bilateral.

Histórico das tarifas impostas pelos EUA

O conflito comercial iniciou em abril de 2025, quando o governo Trump anunciou tarifas recíprocas com adição de 10% sobre produtos brasileiros. Ao longo dos meses, as medidas se multiplicaram e se intensificaram:

Em junho, as alíquotas sobre aço e alumínio foram elevadas para 50%. No mês de julho, um novo aumento de 40% foi implementado, elevando várias categorias a 50%, embora acompanhado de extensa lista de exceções. Novembro trouxe alívio temporário, com retirada da tarifa de 40% em itens como café, carnes e frutas, resultado de negociações diretas entre Lula e Trump.

Em fevereiro de 2026, decisão da Suprema Corte americana invalidou o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para tarifas amplas, eliminando a sobretaxa recíproca de 10% e a de 40%. No entanto, as tarifas baseadas na Seção 232 (aço e alumínio) permaneceram intactas. Na sequência, Trump anunciou tarifa global temporária de 10% por 150 dias, fundamentada em dispositivo de lei comercial de 1974.

A medida mais recente e impactante ocorreu em 22 de julho, quando entrou em vigor tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, baseada em investigação sob Seção 301 da Lei de Comércio. Milhares de produtos importantes para a economia americana foram isentos. Dois dias depois, em 24 de julho, começou a valer alíquota adicional de 12,5% sobre itens brasileiros.

Argumentação brasileira na defesa de seus interesses

O governo brasileiro contesta vigorosamente as tarifas, afirmando que apresentou evidências que refutam cada uma das alegações sobre práticas desleais de comércio. Segundo nota oficial, as tarifas norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, violando compromissos assumidos pelos EUA junto à Organização Mundial do Comércio.

A nação brasileira argumenta que atuou consistentemente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301. Continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis, incluindo a OMC, onde já acionou procedimentos de consulta para contestar as novas tarifas discriminatórias e unilaterais.

Reações do setor produtivo

Representantes do setor de máquinas e equipamentos manifestaram preocupações com a aplicação da reciprocidade contra tarifas americanas. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) defendeu que o Brasil privilegiasse negociações com os EUA pela via diplomática e empresarial, temendo retaliações que pudessem prejudicar ainda mais o setor.

Ações junto à OMC

O Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio para contestar as duas novas tarifas anunciadas pela Casa Branca. A primeira, de 25%, foi justificada pelo argumento de que o Brasil adota práticas econômicas consideradas desleais; a segunda, de 12,5%, baseou-se na alegação de falha na fiscalização de importações de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

No início desta semana, os Estados Unidos responderam ao pedido de consultas do Brasil apresentado à OMC, informando estar à disposição para discutir o assunto em data mutuamente conveniente. Este movimento sugere possibilidade de negociações mais amplas sobre o conflito tarifário, ainda que a reciprocidade contra tarifas americanas tenha sido formalmente acionada pelo Brasil.

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