Brasil sai do Mapa da Fome e reduz insegurança alimentar

Brasil demonstra progresso em segurança alimentar
Um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas nesta terça-feira (21) confirma que a segurança alimentar no Brasil apresentou avanços significativos. O país mantém sua posição fora do Mapa da Fome pelo segundo ano consecutivo, reforçando a tendência positiva nos indicadores relacionados ao acesso à alimentação adequada para a população.
Os dados revelam melhorias substanciais nos últimos três anos. Conforme o documento da ONU, aproximadamente 16,7 milhões de pessoas deixaram a condição de insegurança alimentar durante o triênio compreendido entre 2023 e 2025, demonstrando o impacto das políticas implementadas no país.
Recorde histórico de redução da fome severa
Um dos destaques do relatório refere-se ao alcance de um recorde histórico. O Brasil atingiu o menor nível já registrado de cidadãos enfrentando insegurança alimentar severa, chegando a apenas 0,6% da população. Este número representa uma conquista importante na luta contra a fome extrema no território nacional.
A redução da insegurança alimentar severa reflete o cumprimento de metas estabelecidas por diferentes programas de assistência social e políticas públicas voltadas para a garantia da alimentação básica das famílias de menor renda.
Compreendendo o Mapa da Fome
O Mapa da Fome constitui um instrumento de medição elaborado pela FAO, agência especializada das Nações Unidas em Alimentação e Agricultura. Este documento avalia o acesso da população à alimentação em quantidade e qualidade suficientes para manutenção de uma vida ativa e saudável.
A metodologia utilizada pela FAO considera indicadores macroeconômicos e demográficos complexos, analisando elementos como o tamanho populacional, perfis de renda familiar e custos médios de uma cesta de alimentos que atenda às recomendações nutricionais.
Contexto histórico do Brasil no Mapa da Fome
O retorno do Brasil para fora do Mapa da Fome marca um momento significativo na trajetória do país. Em 2014, o Brasil havia saído pela primeira vez desta classificação, indicando progresso social sustentado. Contudo, a análise dos dados referentes ao período de 2018 a 2020 levou a ONU a reposicionar o país na categoria de nações com insegurança alimentar elevada.
Este reposicionamento refletiu aumento da insegurança alimentar durante aquele período específico. Agora, com os indicadores melhorando novamente, o país demonstra capacidade de recuperação e implementação efetiva de políticas públicas destinadas à redução da vulnerabilidade alimentar.
Subalimentação e nutrição adequada
De acordo com o levantamento realizado, o Brasil mantém menos de 2,5% da população em situação de risco de subalimentação. A subalimentação caracteriza-se quando uma pessoa consome, de forma habitual e contínua, quantidade de calorias inferior à necessária para manter atividades cotidianas e funções vitais adequadas.
Este indicador posiciona o país em condição favorável quando comparado à média global e regional, demonstrando êxito nas ações de segurança alimentar implementadas nos últimos anos.
Alimentação saudável e acessibilidade
A proporção de pessoas que enfrentam dificuldades para custear uma alimentação saudável também apresentou queda no Brasil. Durante o triênio encerrado em 2025, este percentual ficou em 21,1%, representando progresso em relação aos períodos anteriores.
A FAO estabelece que o custo da dieta saudável no Brasil alcançou US$ 4,89 em Paridade do Poder de Compra diária por pessoa. Este valor situa-se abaixo da média apresentada pela América do Sul (US$ 4,94) e pela região de América Latina e Caribe (US$ 4,91), indicando maior acessibilidade relativa aos alimentos nutritivos no contexto brasileiro.
Cenário global de fome
O relatório da ONU estima que aproximadamente 7,8% da população mundial enfrentou fome durante 2025, representando redução significativa quando comparado aos 8,1% registrados em 2024 e aos 8,6% de 2022. Esta tendência de queda continuada oferece perspectivas positivas para a comunidade internacional.
Em números absolutos, cerca de 645 milhões de pessoas passaram fome no triênio encerrado em 2025, apresentando redução de aproximadamente 14 milhões em comparação com o triênio anterior. Estes dados demonstram que esforços coordenados globalmente começam a produzir resultados mensuráveis na redução da fome mundial.
Perspectivas futuras
Os indicadores apresentados pelo relatório da ONU indicam que o Brasil segue caminho promissor na consolidação de avanços em segurança alimentar. Contudo, a agência alerta que alimentação saudável continua inacessível para bilhões de pessoas globalmente, permanecendo desafio significativo para a agenda internacional de desenvolvimento sustentável.




