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De la Espriella assume presidência da Colômbia em cerimônia histórica

De la Espriella assume presidência da Colômbia em cerimônia histórica
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Posse histórica fora da capital colombiana

Abelardo de la Espriella assumiu a presidência da Colômbia nesta sexta-feira (7 de agosto) em cerimônia realizada em Cali, no sudoeste do país. A realização da posse presidencial colombiana fora da capital marca um precedente histórico, sendo a primeira vez em décadas que a cerimônia de investidura acontece distante de Bogotá, após aprovação do Congresso colombiano.

O advogado e empresário venceu as eleições de junho com 49,66% dos votos no segundo turno, superando o senador Iván Cepeda por margem de 250 mil votos. Cepeda era apoiado pelo ex-presidente Gustavo Petro e representava a continuidade do governo de esquerda que chegava ao fim.

Defesa da democracia e legitimidade eleitoral

Durante seu discurso de posse, De la Espriella enfatizou a importância de respeitar o resultado das eleições colombianas e defendeu a legitimidade democrática de sua vitória. O presidente eleito respondeu às críticas da oposição que questionava a validade do processo eleitoral.

"As eleições que me concederam este mandato ocorreram sob as mesmas regras, as mesmas instituições e as mesmas garantias que permitiram a eleição do governo que hoje chegou ao fim. Colocar em dúvida sua legitimidade é desconhecer a vontade soberana do povo colombiano", declarou durante a cerimônia.

O novo presidente colombiano ressaltou que nenhuma autoridade eleitoral, órgão de inteligência ou observador internacional apontou irregularidades no processo eleitoral, consolidando o reconhecimento internacional de sua vitória.

Prioridades na segurança e combate ao crime

A plataforma governamental de De la Espriella centra-se no endurecimento do combate ao crime organizado e ao narcoterrorismo. O presidente citou a experiência do governo de Álvaro Uribe Vélez, no início dos anos 2000, como modelo para reduzir índices de violência na Colômbia.

Durante o discurso de posse, De la Espriella determinou que as Forças Militares e a Polícia Nacional intensifiquem operações contra organizações criminosas. "Os membros das organizações criminosas e do narcoterrorismo têm dois caminhos: submeter-se ao império da lei ou enfrentar a força decidida do Estado colombiano e de sua força pública", afirmou, utilizando sua alcunha de campanha ao declarar "O Tigre chegou".

Erradicação de cultivos ilícitos com herbicidas

Um dos compromissos principais do novo governo colombiano envolve a erradicação em larga escala dos cultivos de coca através do uso de herbicidas. De la Espriella anunciou que essa medida será uma prioridade nacional e garantiu que os pesticidas utilizados não prejudicarão a saúde humana nem o meio ambiente.

"Chegou a hora de erradicar definitivamente o flagelo dos cultivos ilícitos", declarou o presidente. Segundo o novo mandatário, a estratégia de erradicação de coca respeita as decisões da Corte Constitucional colombiana e segue protocolos estabelecidos pela instituição.

Agenda de reformas e austeridade fiscal

Além das prioridades de segurança, o governo de De la Espriella propõe redução dos gastos públicos e enxugamento da máquina estatal. O presidente antecipou a criação de uma força especial dedicada ao combate à criminalidade urbana e revisão da estratégia de segurança contra grupos armados.

Um plano de austeridade já foi anunciado, incluindo o fechamento de embaixadas e consulados considerados não essenciais. O novo presidente também promete ampliação da exploração de petróleo como estratégia para geração de receitas governamentais.

Apesar dessa agenda ambiciosa, De la Espriella enfrentará resistência no Congresso colombiano, uma vez que seu partido não dispõe de maioria parlamentar.

Homenagem e controvérsia política

Durante o discurso de posse, De la Espriella prestou homenagem ao senador Miguel Uribe Turbay, do partido Centro Democrático, classificando-o como "mártir" da campanha eleitoral. Uribe foi assassinado em 11 de agosto do ano anterior após sofrer atentado em junho durante ato político em Bogotá.

O novo presidente associou a morte de Uribe ao governo anterior de Gustavo Petro, afirmando que o país vivenciou período de complacência com a criminalidade. No entanto, investigações oficiais apontam que o atentado teve motivação política e foi atribuído à dissidência das Farc conhecida como Segunda Marquetalia, sem evidências de envolvimento direto de Petro ou membros de seu governo.

Participação internacional e legitimidade externa

A cerimônia de posse de De la Espriella contou com a presença de diversos líderes internacionais, consolidando o reconhecimento externo do novo governo colombiano. Entre os participantes estavam os presidentes de Equador, Argentina, Chile, Panamá, Honduras, República Dominicana, Paraguai e Guatemala.

Também participaram representantes de El Salvador, Curaçao, Portugal através do Rei Felipe VI, além de Todd Blanche, procurador-geral adjunto dos Estados Unidos, atuando como observador internacional. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, marcou presença no evento, evidenciando a relevância do momento político colombiano.

Manifestações e resistência da oposição

Enquanto ocorria a cerimônia de posse em Cali, o senador Iván Cepeda liderou manifestação de protesto em Barranquilla, concentrando a esquerda colombiana na capital caribenha do país. Cepeda anunciou uma estratégia de "resistência" ao novo governo e convocou o que denominou "desobediência civil, resistência e soberania popular".

O senador derrotado afirmou que não reconhece a legitimidade de De la Espriella e anunciou que integrantes do Pacto Histórico, partido do ex-presidente Petro, boicotariam a cerimônia de posse. O principal argumento da oposição centra-se na dupla cidadania do presidente, sendo cidadão norte-americano.

Segundo Cepeda, essa condição poderia comprometer a defesa exclusiva dos interesses colombianos e aproximar o governo de De la Espriella da administração de Donald Trump. Contudo, a dupla nacionalidade não é ilegal no ordenamento jurídico colombiano.

Manifestação pacífica e mobilização social

O protesto em Barranquilla reuniu apoiadores de Cepeda, sindicatos e movimentos sociais nas proximidades do estádio Metropolitano. Participantes chamaram Cepeda de "presidente legítimo" e reivindicaram a preservação das políticas sociais implementadas durante o governo de Petro.

Apesar do tom de confronto, Cepeda afirmou que a oposição atuará de forma pacífica e dentro dos marcos constitucionais, mantendo-se aberta ao diálogo institucional. "No primeiro ato do governo de Abelardo de la Espriella que considerarmos uma violação à vida e aos direitos da população, responderemos de forma pacífica, mas firme", declarou.

Contexto de polarização política

A posse de De la Espriella marca o fim do governo de Gustavo Petro e simboliza uma mudança significativa na direção política da Colômbia, que experimentou apenas um governo de esquerda em sua história recente. O novo presidente assume em ambiente de forte polarização política, resultado de eleições decididas por margem inferior a um ponto porcentual.

A oposição destaca que o Pacto Histórico mantém a maior bancada do Congresso, oferecendo resistência institucional às propostas de De la Espriella. O senador Cepeda anunciou que Barranquilla passa a ser a sede da resistência política ao novo governo colombiano.

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