Eduardo Saverin: cofundador do Facebook investe no Liverpool

Quem é Eduardo Saverin, o cofundador do Facebook que investe no Liverpool
Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, acaba de se juntar ao grupo de proprietários do Liverpool Football Club. O empresário brasileiro integra o consórcio 1892 Holdings, que adquiriu participação minoritária no tradicional clube inglês, ao lado do fundador da Amazon, Jeff Bezos, e outros investidores de destaque no mercado internacional.
Com uma fortuna estimada em US$ 33 bilhões (aproximadamente R$ 173 bilhões), Saverin é atualmente o brasileiro mais rico do mundo. No ranking global dos indivíduos mais ricos, ele ocupa a 66ª posição em 2026, consolidando seu status como um dos principais empresários e investidores da atualidade.
Os Primeiros Passos: Da Universidade Harvard ao Facebook
Nascido em São Paulo em 1982, Eduardo Saverin mudou-se para os Estados Unidos ainda na infância. Durante seus estudos em Economia na Universidade Harvard, conheceu Mark Zuckerberg, com quem fundaria o Facebook em 2004. Naquele momento inicial, Saverin assumiu responsabilidades cruciais na área de negócios e realizou o investimento inicial que viabilizou as operações da plataforma.
De acordo com o livro "Milionários Acidentais", escrito por Ben Mezrich, o cofundador do Facebook foi fundamental para estruturar os alicerces comerciais da rede social nos seus primeiros anos. Suas competências linguísticas também destacavam-se: Saverin domina inglês e português com fluidez, além de conversar em espanhol em nível intermediário.
O Conflito com Mark Zuckerberg e a Diluição de Participações
O relacionamento entre Saverin e Zuckerberg deteriorou-se rapidamente nos primeiros anos da empresa. Enquanto o cofundador do Facebook trabalhava na área comercial, Zuckerberg concentrava-se no desenvolvimento tecnológico da plataforma, que crescia exponencialmente. Essa divisão de responsabilidades gerou desacordos significativos sobre a direção estratégica do negócio.
Conforme relatado pelo Business Insider em 2012, Zuckerberg pretendia transferir o registro corporativo do Facebook para Delaware, estado americano conhecido por legislação favorável às empresas. Simultaneamente, demonstrava insatisfação com o afastamento de Saverin das atividades operacionais diárias. Em comunicação com o cofundador Dustin Moskovitz, Zuckerberg questionou o desempenho de Saverin em responsabilidades-chave como estruturação empresarial, captação de recursos e desenvolvimento de modelo de negócios.
A situação escalou quando Zuckerberg fundou uma nova empresa em Delaware, em julho de 2004, para assumir o controle total do Facebook. Essa manobra resultou na diluição drástica da participação de Saverin: sua fatia caiu de 65% para menos de 10% em poucos meses. O conflito evoluiu para processo judicial, com ambas as partes apresentando acusações: o Facebook questionava documentos que garantiriam mais ações ao brasileiro, enquanto Saverin acusava a empresa de violar deveres legais de transparência e lealdade entre sócios.
A Inspiração para o Filme "A Rede Social"
O conflito entre Saverin e Zuckerberg ganhou visibilidade cinematográfica quando inspirou parte significativa da trama do filme "A Rede Social" (2010), dirigido por David Fincher. No longa-metragem, o cofundador do Facebook é interpretado pelo ator britânico Andrew Garfield, que retratou as tensões e disputas que marcaram os primeiros anos da plataforma.
Eventualmente, as partes chegaram a um acordo judicial anos depois. Saverin manteve aproximadamente 5% da empresa, uma participação substancialmente menor do que seus direitos originais, mas que resultaria em fortuna considerável quando o Facebook abriu seu capital na bolsa.
A Abertura de Capital e Entrada na Bilionários
A entrada de Saverin na lista de bilionários da Forbes ocorreu em 2011, logo após a abertura de capital do Facebook. Essa valorização acionária transformou sua participação remanescente em patrimônio extraordinário, consolidando seu status como um dos investidores mais bem-sucedidos da história da tecnologia.
Em 2024, Saverin foi apontado como o brasileiro mais rico da história, quando sua fortuna foi estimada em impressionantes US$ 155,9 bilhões (aproximadamente R$ 796,64 bilhões), resultado da valorização exponencial das ações da Meta, corporação controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp.
A Vida em Singapura e Renúncia à Cidadania Americana
Em 2012, pouco antes da oferta pública do Facebook, Saverin renunciou à cidadania americana e estabeleceu residência oficial em Singapura, onde vive atualmente aos 44 anos ao lado da esposa Elaine Andriejanssen e seu filho. A mudança representou não apenas uma decisão pessoal, mas também refletiu considerações fiscais e estratégicas relacionadas à gestão de seu patrimônio internacional.
A Jornada no Futebol: Do Chelsea ao Liverpool
O interesse de Saverin pelo futebol inglês não é recente. Em 2022, o empresário integrou grupo liderado por Steve Pagliuca, copresidente da Bain Capital e coproprietário do Boston Celtics, que tentou adquirir o Chelsea Football Club. Saverin e sua esposa Elaine figuravam entre os investidores que apoiavam essa proposta, que avaliava o clube londrino em aproximadamente US$ 4 bilhões.
Após participarem da fase final da disputa pela aquisição, o grupo perdeu a concorrência. O Chelsea foi comprado por consórcio liderado pelo empresário Todd Boehly e pela Clearlake Capital. Porém, essa experiência não desestimulou Saverin: anos depois, ele consolidaria sua presença no futebol inglês através do investimento no Liverpool.
A Carreira Como Investidor: Fundação da B Capital
Após deixar a gestão executiva do Facebook, Saverin direcionou seus esforços para identificar e investir em empresas tecnológicas em estágio inicial. Em 2015, cofundou a B Capital Group ao lado de Raj Ganguly, executivo experiente que trabalhou na Bain Capital e Boston Consulting Group (BCG).
Atualmente, Saverin atua como cofundador e copresidente da B Capital, gestora que investe em empresas de tecnologia, saúde e mudanças climáticas em diferentes mercados globais. Conforme dados da Forbes, a empresa administra mais de US$ 7 bilhões (R$ 35,77 bilhões) e mantém escritórios em importantes centros financeiros como São Francisco, Nova York, Los Angeles, Austin, Singapura, Hong Kong e Doha.
Sob liderança de Saverin, a B Capital expandiu significativamente suas operações. Em 2022, levantou US$ 250 milhões (R$ 1,27 bilhão) destinados a startups em fases iniciais. Durante 2024, captou recursos adicionais de US$ 750 milhões (R$ 3,83 bilhões) para financiar empresas mais consolidadas. Já em 2026, anunciou novo fundo de US$ 500 milhões (R$ 2,55 bilhões) focado em financiamento de negócios inovadores em tecnologia, expandindo ainda mais sua influência no mercado de investimentos em inovação.



