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Empresários defendem ampliar relações comerciais Brasil-EUA

Empresários defendem ampliar relações comerciais Brasil-EUA
Fonte: g1.globo.com/economia/noticia/2026/07/13/empresarios-de-eua-e-brasil-defendem-ampliar-comercio-em-areas-como-data-centers-automoveis-e-minerais.ghtml

Defesa conjunta da expansão comercial

Entidades representativas do setor produtivo brasileiro e americano enviaram carta pública às autoridades dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump propondo ampliar as relações comerciais Brasil-EUA em setores estratégicos. A iniciativa ocorre em contexto delicado de negociações sobre possíveis tarifas impostas aos produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano, com prazo de decisão estabelecido para 15 de julho.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham) e a US Chamber of Commerce protagonizaram essa ação diplomática do setor privado. O documento foi endereçado aos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), além de Marco Rubio (secretário de Estado americano) e Jamieson Greer (representante comercial da Casa Branca).

Áreas prioritárias para crescimento

As entidades identificam cinco pilares fundamentais para fortalecer as relações comerciais Brasil-EUA. Primeiramente, propõem ampliar o acesso em segurança energética e infraestrutura de data centers, reconhecendo a importância estratégica desses setores para ambas as economias. Esse segmento apresenta potencial significativo de crescimento e atração de investimentos internacionais.

Em segundo lugar, as associações sugerem aprofundar a cooperação regulatória em setores como automotivo e farmacêutico. A harmonização de normas técnicas e processos regulatórios facilitaria o fluxo de comércio bilateral e reduziria barreiras não-tarifárias. Adicionalmente, as entidades defendem apoio a uma moratória na Organização Mundial do Comércio (OMC) relacionada a transmissões eletrônicas, acelerando o exame de patentes e intensificando a cooperação em minerais críticos.

Magnitude do impacto potencial

Conforme estimativas da CNI, a implementação das tarifas propostas atingiria aproximadamente 4,2 mil produtos brasileiros no mercado americano, representando prejuízo estimado em US$ 15 bilhões. Essa cifra substancial demonstra o impacto econômico significativo que as medidas causariam nas exportações brasileiras, justificando a mobilização do setor privado em busca de soluções negociadas.

O documento enviado pelas entidades empresariais enfatiza que "encorajamos ambos os governos a alcançar entendimentos concretos no curto prazo, que contribuam para uma solução negociada no âmbito das investigações da Seção 301 envolvendo o Brasil e evitem a proposta de aplicação de tarifas adicionais sobre determinados produtos brasileiros". Além disso, concluem que "o avanço por meio da negociação, em vez da imposição de tarifas, tende a produzir resultados mais duradouros e evitar efeitos indesejados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países".

Cronograma de negociações

O Brasil trabalha para convencer o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) a rever a proposta de aplicação de tarifa de 25% sobre parcela dos produtos brasileiros. Há expectativa de reuniões entre equipes técnicas dos dois países antes de 15 de julho, data-limite para o órgão americano decidir sobre as tarifas.

Na semana em análise, o USTR abriu a fase de audiências públicas da investigação, reunindo representantes de associações empresariais dos setores de café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual. Essa oportunidade de manifestação pública permite que produtores e comerciantes exponham preocupações com as possíveis medidas.

Perspectiva do setor privado americano

Abrão Neto, presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil, ressaltou que "a aplicação de novas tarifas seria prejudicial para ambas as economias, com impactos negativos para o setor produtivo e os consumidores dos Estados Unidos, além de perda de competitividade das exportações brasileiras para um mercado crucial". Essa constatação reflete posição compartilhada por múltiplos segmentos empresariais norte-americanos.

Neto também apontou tendência preocupante: a participação dos Estados Unidos no comércio total do Brasil caiu para 11,2% nos cinco primeiros meses de 2026, o menor nível já registrado. As importações brasileiras provenientes dos Estados Unidos recuaram 11% no mesmo período, sinalizando redução progressiva da interdependência comercial bilateral.

"Essas tendências sugerem que tarifas adicionais podem reduzir ainda mais a presença comercial e a influência econômica dos EUA em um dos maiores mercados emergentes do mundo, abrindo espaço para que concorrentes estrangeiros ampliem sua participação de mercado às custas das empresas americanas", complementou o presidente da AmCham.

Posição do governo brasileiro

Em resposta à carta das entidades, o Ministério das Relações Exteriores declarou: "Agradecemos as sugestões do setor privado e continuamos empenhados na negociação e no diálogo com as autoridades norte-americanas, diálogo que já dura um ano, em defesa do interesse nacional". Essa manifestação demonstra alinhamento entre governo e setor privado na busca por solução negociada.

O Itamaraty mapeou 43 empresas e associações comerciais americanas que pedem que produtos brasileiros não sejam tarifados. Os pedidos foram apresentados sob argumento de que não existem substitutos produzidos no mercado doméstico americano para esses produtos. As entidades alertaram que a aplicação das tarifas elevaria custos para consumidores americanos e para indústrias que utilizam esses itens como insumos.

Contexto da investigação comercial

Os Estados Unidos concluíram investigação comercial contra o Brasil e propuseram aplicação de tarifa de 25% sobre parcela dos produtos brasileiros. Segundo relatório do USTR, o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio americano, incluindo funcionamento do PIX, decisões judiciais envolvendo redes sociais, acordos comerciais com outros países, falhas no combate ao desmatamento ilegal, barreiras ao etanol americano e deficiências na proteção à propriedade intelectual.

Apesar da proposta de taxação, os EUA incluíram ampla lista de exceções para produtos considerados estratégicos. Entre os itens que podem ficar isentos estão café, certas carnes, frutas, fertilizantes, medicamentos, aeronaves, peças e minerais estratégicos, refletindo reconhecimento da importância dessas categorias para a economia americana.

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