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Google e Ministério da Justiça estabelecem acordo contra fraudes financeiras

Google e Ministério da Justiça estabelecem acordo contra fraudes financeiras
Fonte: g1.globo.com/politica/noticia/2026/07/17/google-e-mj-assinam-acordo-para-restringir-anuncios-de-servicos-e-produtos-financeiros-para-evitar-fraudes-digitais.ghtml

Acordo histórico entre Google e Governo para combater fraudes financeiras

O Google formalizou nesta quinta-feira (16) uma parceria estratégica com o Ministério da Justiça para restringir a divulgação de anúncios relacionados a produtos e serviços financeiros fraudulentos. O acordo representa um avanço significativo no combate às fraudes financeiras digitais no Brasil, estabelecendo critérios rigorosos de verificação antes da publicação de campanhas publicitárias.

A assinatura do documento ocorreu com a participação da Secretaria Nacional de Consumidor (Senacon) e da Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), ambas vinculadas ao Ministério da Justiça. Este acordo surge em resposta à implementação do novo decreto do Marco Civil da Internet, regulamentação federal que entrou em vigor em maio e que responsabiliza os provedores de aplicações por anúncios fraudulentos veiculados em suas plataformas.

Mecanismos de verificação e controle implementados

O acordo estabelecido contempla um processo robusto de verificação para anunciantes de produtos financeiros. Conforme os termos da parceria, apenas os anunciantes que obtiverem o selo de verificação poderão publicar anúncios relacionados a serviços e produtos financeiros. Este mecanismo funciona como uma camada adicional de proteção para os consumidores.

A verificação dos anunciantes poderá ser realizada de duas formas distintas: diretamente pela plataforma do Google ou por intermédio de empresas terceirizadas especializadas. Ambas as abordagens utilizarão metodologias confiáveis de verificação de identidade, visando confirmar a existência legal da pessoa física ou jurídica responsável pela conta publicitária.

Controles técnicos e de sistema

O Google se comprometeu a adotar medidas robustas de controle de sistema para restringir a exibição de anúncios pagos de produtos ou serviços financeiros. A plataforma implementará filtros técnicos capazes de identificar e bloquear tentativas de publicação de conteúdo potencialmente fraudulento antes mesmo de sua visualização pelos consumidores.

Objetivo: redução de fraudes e proteção do consumidor

A principal finalidade desta parceria centra-se na redução significativa de fraudes digitais e na proteção efetiva dos consumidores brasileiros. A implementação voluntária de medidas de segurança, transparência e verificação rigorosa dos anunciantes cria um ambiente digital mais seguro para transações financeiras.

Segundo especialistas, o acordo representa um passo crucial para mitigar os danos causados por esquemas fraudulentos que utilizam plataformas digitais para aplicar golpes financeiros. Com a exigência de verificação prévia, os criminosos encontrarão maiores dificuldades para estruturar suas operações ilícitas.

Contexto do Marco Civil da Internet atualizado

O novo decreto que regulamenta o Marco Civil da Internet foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio de 2026, trazendo inovações significativas na regulação do uso da internet no Brasil. Essa legislação estabelece direitos e deveres claros para usuários, plataformas e poder público no ambiente digital.

Decisão do Supremo Tribunal Federal sobre responsabilidade

Em junho de 2025, o Supremo Tribunal Federal declarou parcialmente inconstitucional um artigo do Marco Civil que limitava a responsabilização civil das plataformas apenas quando descumprissem ordens judiciais. O STF estabeleceu que as redes podem ser responsabilizadas em duas circunstâncias específicas:

Na primeira situação, plataformas podem ser responsabilizadas em casos de crimes graves quando apresentarem falhas sistêmicas em seu dever de cuidado. O tribunal identificou sete categorias de crimes considerados graves: terrorismo, instigação à mutilação ou suicídio, golpe de Estado, ataques à democracia, racismo, homofobia e crimes contra mulheres e crianças.

Na segunda situação, as redes podem ser responsabilizadas por crimes em geral quando receberem notificações de retirada de conteúdo e deixarem de removê-lo no prazo estabelecido.

Obrigações das plataformas segundo o novo decreto

O decreto estabelece um conjunto abrangente de obrigações para as plataformas digitais, incluindo a remoção de conteúdo após notificação em caso de ilícitos, sem necessidade de ordem judicial prévia. As plataformas devem informar usuários sobre ações tomadas e permitir contestações através de canais formais.

Adicionalmente, as plataformas devem evitar a publicação de anúncios de golpes, fraudes, promoções visivelmente fraudulentas e produtos ilegais. A guarda de dados das publicações também é obrigatória, permitindo que criminosos sejam identificados e punidos em processos judiciais futuros e que consumidores lesados possam mover ações judiciais.

Proteções à liberdade de expressão

O decreto resguarda expressamente formas legítimas de expressão, incluindo crítica, paródia, sátira, conteúdo informativo, manifestações religiosas e liberdade de crença, garantindo que medidas de segurança não prejudiquem direitos fundamentais.

Impactos esperados para o mercado financeiro digital

A implementação deste acordo entre Google e Ministério da Justiça promete transformar o cenário de segurança para operações financeiras online no Brasil. Esperase que a exigência de verificação e os controles tecnológicos reduzam significativamente o número de fraudes perpetradas através de publicidade digital.

Para consumidores, o acordo representa maior confiabilidade ao interagir com anúncios de produtos e serviços financeiros. Para empresas legítimas do setor financeiro, a medida oferece um ambiente mais equitativo, reduzindo a concorrência desleal de operadores fraudulentos.

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