Jessé: Moisés Navarro homenageia cantor 33 anos após morte

A Trajetória de Jessé: Um Cantor Esquecido
Jessé cantor marcou época na música brasileira como um dos grandes intérpretes dos anos 1980, mas sua vida foi interrompida tragicamente há 33 anos em um acidente automóvel. O artista fluminense, nascido em Niterói como Jessé Florentino Santos, faleceu em 29 de março de 1993, a apenas um mês de completar 41 anos, quando seu veículo se envolveu em colisão em estrada próxima a Ourinhos, São Paulo. Agora, Jessé cantor volta aos holofotes através de uma homenagem musical liderada pelo intérprete mineiro Moisés Navarro, que dedica um álbum completo ao legado deixado pelo artista.
Origens e Pseudônimos: O Início da Carreira
A história de Jessé cantor começa em 1974, quando a música "Flying" do artista irlandês Chris de Burgh conquistou o mundo. No Brasil, a canção foi relançada em 1976 por um jovem artista que adotou o pseudônimo de Christie Burgh, seguindo a tendência da época em que muitos cantores brasileiros utilizavam nomes em inglês para parecerem ser astros norte-americanos. Diante de ameaças legais pela similaridade de nomes, o artista precisou mudar seu pseudônimo para Tony Stevens em 1976, mantendo essa identidade até 1977.
Jessé cantor, nascido em 25 de abril de 1952, teve seu verdadeiro nome revelado apenas após sua morte. Durante a década de 1970, o movimento de adoção de pseudônimos em inglês era comum entre os intérpretes brasileiros, e Jessé acompanhou essa tendência do mercado fonográfico da época.
O Sucesso em MPB-80
O grande divisor de águas na carreira de Jessé cantor ocorreu em 1980, quando o artista participou do Festival MPB-80 transmitido pela Rede Globo. Após ser vocalista do grupo Placa Luminosa, Jessé se apresentou no festival com a música "Porto solidão", composição de Zeca Bahia baseada em versos do poeta Antonio Ginco, conhecido como Gincko. A performance foi coroada de sucesso, convertendo-se em um dos maiores destaques do evento.
O êxito de "Porto solidão" impulsionou definitivamente a carreira de Jessé cantor, solidificando seu nome no mercado musical brasileiro. A canção se tornou emblemática e permaneceu na memória dos fãs de música brasileira, especialmente entre os apreciadores da música popular.
Discografia e Trabalhos Principais
Após o sucesso em MPB-80, Jessé cantor lançou seu primeiro álbum em 1980, ainda no embalo da popularidade de "Porto solidão". Seu segundo trabalho, intitulado "Jessé", foi lançado em 1982, incluindo faixas como "Onde está você", "Solidão de amigos" e outras composições que ajudaram a consolidar seu repertório artístico.
Em 1983, Jessé cantor apresentou o álbum duplo ao vivo "O sorriso ao pé da escada", resultado de um show memorável que incluiu músicas tradicionais como "A noite do meu bem", "Romaria" e "Irmãos da lua". Seu último trabalho, "Raízes", foi gravado em 1992, apenas um ano antes de seu falecimento, e incluía a composição "Paz do meu amor".
Moisés Navarro e o Álbum 'Alguém Cantando'
Com lançamento previsto para 13 de novembro, o álbum "Alguém cantando" representa uma iniciativa louvável de resgatar e homenagear a memória de Jessé cantor. O trabalho foi lançado pela Companhia de Discos do Brasil sob direção musical do pianista Alexandre Vianna, responsável pelos arranjos das dez músicas que compõem o disco.
Moisés Navarro, cantor mineiro, dedica o álbum inteiro ao repertório de Jessé cantor, trazendo uma nova perspectiva às composições que marcaram a carreira do artista falecido. O título "Alguém cantando" é uma referência à composição homônima de Caetano Veloso, lançada originalmente em 1977 no álbum "Bicho" e posteriormente regravada por Jessé cantor dez anos depois em seu álbum "Eterno menino" de 1997.
Repertório do Tributo: Uma Análise
O repertório escolhido para o álbum "Alguém cantando" reúne obras que refletem diferentes períodos da vida musical de Jessé cantor. Além da icônica "Porto solidão", o trabalho inclui uma dueto entre Moisés Navarro e Claudya, resgatando a força da composição que há 46 anos marcou presença no Festival MPB-80.
Contudo, grande parte das demais faixas do álbum tributo não está tão fortemente associada na memória popular à voz característica de Jessé cantor. Músicas como "A noite do meu bem" (de Dolores Duran, 1959), "Onde está você" (de Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini, 1963), "Romaria" (de Renato Teixeira, 1977) e "Irmãos da lua" (também de Renato Teixeira, 1982) foram efetivamente interpretadas pelo artista, conforme consta em seus álbuns ao vivo e estúdio dos anos 1980.
As composições "Campo minado" e "Voa, liberdade", ambas de autoria de Mário Maranhão em parceria com outros compositores, foram efetivamente lançadas por Jessé cantor em 1980, em seu álbum de estreia. "Solidão de amigos", gravada por Moisés Navarro com colaborações vocais de Zeca Baleiro e Chico Lobo, também integrou o repertório de Jessé cantor em seu álbum de 1982.
Legado e Importância Histórica
A morte de Jessé cantor deixou uma lacuna significativa na música brasileira, interrompendo uma trajetória ascendente que havia conquistado o público na década de 1980. Seu legado permanece vivo através de suas gravações originais e, agora, através dessa homenagem de Moisés Navarro, que reconecta novas gerações ao trabalho do artista fluminense.
Apesar de sua voz potente e presença marcante no palco, Jessé cantor não alcançou o destaque internacional que alguns de seus contemporâneos tiveram. No entanto, sua contribuição para a música popular brasileira é indiscutível, especialmente considerando o impacto duradouro de composições como "Porto solidão", que continua sendo reconhecida 46 anos após seu sucesso inicial no festival de 1980.




