Juliana Linhares brilha em estreia de turnê com show 'Até cansar o cansaço'

Juliana Linhares marca presença em estreia da turnê 'Até cansar o cansaço'
Na noite de 16 de julho de 2026, Juliana Linhares apresentou a estreia nacional do show 'Até cansar o cansaço' no Teatro Claro Mais Rio, consolidando sua posição como uma das maiores intérpretes da música brasileira contemporânea. O espetáculo, baseado no álbum homônimo lançado pela artista potiguar em 8 de maio, reuniu uma plateia completamente envolvida, com cadeiras extras e espectadores em pé nos corredores laterais do teatro carioca.
O show 'Até cansar o cansaço' apresentou um repertório sofisticado que captura o estado de ansiedade e exaustão característica da era digital. Com uma presença cênica magnetizadora, Juliana Linhares entregou uma performance que ultrapassou as expectativas, demonstrando evolução artística significativa em relação aos seus trabalhos anteriores.
Estrutura e repertório do espetáculo
Ao longo de 18 números cuidadosamente selecionados, Juliana Linhares apresentou as onze faixas que compõem o álbum 'Até cansar o cansaço', intercalando-as com músicas do álbum anterior 'Nordeste ficção' (2021) e clássicos do cancioneiro nordestino. A abertura com a faixa-título, acompanhada de um criativo adereço cênico com travesseiro, estabeleceu imediatamente o tom emotivo e envolvente da noite.
Entre os destaques figuraram interpretações de peças como 'A palo seco' de Belchior, que provocou uma reação emotiva espontânea da plateia, além de 'O rabo do jumento' de Elino Julião, executada inicialmente a capella e que gerou imediata conexão com o público. A artista ainda surpreendeu ao emprestar sua voz a composições menos conhecidas do acervo de Alceu Valença, como 'Tesoura do desejo', transformando o número em uma performance teatral que extrapolou os limites convencionais do palco.
Musicalidade e direção criativa
Sob a direção musical do multi-instrumentista Elísio Freitas, a banda que acompanhou Juliana Linhares no show incluía Julia Rodrigues na bateria, Lucas Videla em percussão, Paloma Ronai na sanfona e Nathanne Rodrigues no baixo. A combinação de instrumentos, fortemente marcada pela presença nordestina, criou uma sonoridade que alternava entre momentos animados e passagens mais densas e introspectivas.
O figurino único e transformável, criado pelo designer Jailson Fernandes, contribuiu para a narrativa visual do espetáculo, evoluindo junto com a artista pelo palco e ajudando a definir diferentes climas emocionais em cada número. A estética minimalista permitiu que a atenção se concentrasse na performance vocal e corporal da intérprete.
Qualidade compositiva e interpretação
Juliana Linhares demonstrou notável evolução como compositora em 'Até cansar o cansaço', com canções que exploram diversos gêneros nordestinos como xote, baião e frevo. Temas como 'Vida virada' e 'Tanto buliço' receberam tratamento coreográfico criativo, enquanto 'Tempos temporais' proporcionou momentos de introspeccção através de arranjos minimalistas focados em voz, violão e sanfona.
A capacidade interpretativa da artista revelou-se particularmente em números que transitavam entre extremos emocionais. Sua voz cortante e precisa funcionava como um instrumento afiado, enquanto sua expressão facial elástica amplificava a magnitude de cada verso, tornando cada composição uma experiência multissensorial para o espectador.
Influências e referências artísticas
A apresentação incluiu referências sofisticadas a outras obras musicais brasileiras. Durante a performance de 'Chama da criança', Juliana Linhares incorporou citações de 'Salve as folhas', 'Vapor barato' e 'A mulher do fim do mundo', criando uma tapeçaria sonora que dialogava com diferentes gerações de compositores brasileiros. Esse gesto artístico reforçou sua posição como herdeira legítima da tradição musical nordestina.
Um detalhe particular chamou atenção dos espectadores mais atentos: a inserção de




