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Kiko Dinucci lança 'Medusa' com guitarras e ruídos experimentais

Kiko Dinucci lança 'Medusa' com guitarras e ruídos experimentais
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Um disco que atravessa a metrópole paulistana

Kiko Dinucci consolidou-se como figura essencial da cena musical independente de São Paulo ao lançar seu terceiro álbum solo, intitulado 'Medusa', em 9 de setembro de 2024. A obra, disponibilizada pelo selo Risco, representa um mergulho profundo na experimentação sonora, estruturando-se como jornada que mescla guitarras, fitas magnéticas e samplers em construção artística absolutamente singular. O álbum 'Medusa' reafirma o posicionamento de Dinucci como criador inquieto que desafia convenções estéticas.

O trabalho chega ao mercado fonográfico após seis anos de seu antecessor 'Rastilho' (2020), período em que o compositor expandiu suas pesquisas sonoras e aprofundou colaborações com diversos nomes relevantes da música contemporânea brasileira. A direção artística do projeto coube a Juçara Marçal, personalidade recorrente nas dez faixas que compõem o repertório integral e autoral do disco.

Estrutura e composição do novo trabalho

O álbum 'Medusa' inicia-se com 'Cão perdido', peça climática que estabelece o tom experimental desde os primeiros segundos. Composta por Dinucci em colaboração com o guitarrista Lello Bezerra, que contribuiu com arranjos e produção musical, a faixa introdutória delineia personagem que deambula pela selva urbana de São Paulo sem rumo definido, metáfora recorrente em toda a estrutura narrativa da obra.

Seguindo essa travessia pela metrópole, encontra-se 'Segundo eterno', samba de cadência mais tradicional em relação às demais composições, concebido especificamente para integrar a trilha sonora da peça teatral 'Avenida Paulista' (2025), dirigida por Felipe Hirsch. Nessa faixa, Dinucci reflete sobre a própria São Paulo através de versos que mencionam 'calçada, gente correndo rumo à morte', estabelecendo diálogo crítico e poético com a experiência urbana paulistana.

Parcerias e colaborações artísticas

A riqueza de 'Medusa' materializa-se também nas parcerias que permeiam todo o trabalho fonográfico. 'Como foi?', nona faixa do disco, consiste em balada de conteúdo emotivo composta por Dinucci em parceria com Romulo Fróes, nome proeminente na cena musical independente da capital. A melodia estrutura-se com propriedade que poderia remeter a composições de Roberto Carlos ou Nando Reis, porém Dinucci subverte essas referências ao atravessar a segunda metade da gravação com ruídos que enfatizam o caráter experimental do trabalho.

'Claudia, Frota e eu', parceria entre Dinucci e Negro Leo, reinterpreta o samba sob paradigma noise, evocando atmosferas presentes em 'Cortes curtos' (2017), álbum inaugural que abriu a discografia solo do artista há nove anos com proposta sonora envolvida em estética punk e ambiência experimental.

Maria Beraldo aparece como colaboradora em 'Cascuda', composição que emerge como gravação melancólica onde a voz feminina rasga o espaço sonoro com efeitos de ferragem, criando paisagem acústica que reforça a temática urbana. Crystal Duarte, integrante da banda fluminense Vera Fisher Era Clubber, participa de 'Loira Palmer', música de elevado conteúdo erótico que remete ao universo surrealista e onírico dos filmes de David Lynch, cineasta norte-americano falecido em 2025.

Dimensão experimental e produção sonora

'Água viva', parceria entre Dinucci e Sophia Chablau com participação de Podeserdesligado, produtora musical carioca radicada em São Paulo vinculada ao universo da música experimental, exemplifica a radicalização que marca este novo trabalho. A faixa apresenta textura sonora densa e ruidosa, expandindo as possibilidades timbrísticas do projeto.

A mesma produtora Podeserdesligado, junto a Gustavo Infante, contribui na formatação de 'Casca do olho', samba que incorpora ecos do som industrial características da banda alemã Einstürzende Neubauten, demonstrando como Dinucci estabelece diálogos entre tradições musicais brasileiras e referências internacionais da vanguarda sonora.

Aspecto visual e concepção artística

A capa de 'Medusa' foi criada pela artista plástica Tatiana Blass, trabalho desenvolvido com inspiração direta na música 'Faca da palavra', uma das composições do álbum. O design visual integra-se coerentemente ao discurso conceitual do projeto, estabelecendo correspondências entre universo visual e sonoro que caracterizam a produção completa.

Posicionamento na carreira de Kiko Dinucci

Kiko Dinucci consolida-se através de 'Medusa' como compositor que transita com naturalidade entre referências que vão desde Sonic Youth até experimentalismo contemporâneo, sempre mantendo raízes na musicalidade brasileira. O artista integra geração de criadores fundamentais para a cena musical paulistana do século XXI, ao lado de nomes como Rodrigo Campos, Romulo Fróes e Juçara Marçal, todos presentes e atuantes no novo trabalho.

O álbum 'Medusa' representa síntese madura da trajetória de Dinucci, evidenciando como o artista navega pela selva da metrópole paulista através de propostas sonoras que equilibram elegância melódica com ruptura experimental, configurando obra que desafia audições superficiais e recompensa escutas atentas e contemplativos com seus múltiplos estratos narrativos e texturais.

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