Madri homenageia vítima de despejo com marcha de 20 mil

Manifestação histórica em memória de Maricarmen Abascal
Uma mobilização expressiva reuniu aproximadamente 20 mil participantes nas ruas de Madri nesta quinta-feira para prestar homenagem a Maricarmen Abascal, mulher de 87 anos que faleceu em decorrência de um despejo. O caso de Maricarmen Abascal transformou-se em símbolo central da crise habitacional que assola a Espanha, gerando uma onda de indignação social que transcende as fronteiras da capital.
A idosa, que residia no mesmo endereço há 71 anos, foi removida de sua moradia em 23 de setembro, após a empresa imobiliária Urbagestión adquirir o imóvel e estabelecer um aluguel mensal de € 2.650 – quantia praticamente dupla à aposentadoria que Maricarmen recebia, estimada em € 1.350. Duas semanas após o despejo, a septuagenária faleceu, circunstância que acelerou a mobilização social.
Organização e percurso da manifestação
O Sindicato de Inquilinos coordenou o ato, que iniciou às 20h na emblemática Puerta del Sol, no centro de Madri. Os manifestantes percorreram as ruas em direção à rua Sainz de Baranda, localidade onde Maricarmen habitava desde os seus 17 anos de idade. Durante o trajeto, flores, velas e mensagens foram depositadas pelos participantes como forma de reconhecimento e luto.
Na passagem pela praça de Cibeles, sede da Prefeitura madrilena, os participantes observaram um minuto de silêncio em memória da falecida. O cortejo também evocou o caso de Olga, mulher que recentemente perdeu a vida após ser despejada em L'Hospitalet, região próxima a Barcelona, estabelecendo uma conexão entre diferentes vítimas da crise habitacional.
Mensagens e simbologia dos protestantes
As faixas e cartazes exibidos pelos manifestantes carregavam mensagens contundentes sobre a situação habitacional. Expressões como "O rentismo mata" e "Maricarmen somos todas" refletiam a raiva coletiva contra as políticas de aluguel abusivo e a especulação imobiliária. Uma coroa de flores foi solicitamente colocada em homenagem à falecida, acompanhada de uma faixa que ressaltava a importância de mantê-la lembrada na luta pelo direito fundamental à moradia.
Repercussão nacional e mobilizações complementares
O protesto em Madri constituiu apenas um capítulo de uma série de atos realizados simultaneamente em diversas cidades espanholas nesta quinta-feira. Barcelona, Valência, Zaragoza e Sevilha registraram concentrações e vigílias organizadas por coletivos dedicados à defesa de transformações significativas nas políticas habitacionais do país. Essa coordenação evidencia a amplitude e a profundidade da insatisfação social em relação à acessibilidade de habitação.
Consequências da internação hospitalar
Após ser removida de sua residência, Maricarmen foi internada no Hospital Gregorio Marañón. Conforme informações divulgadas pelo Sindicato de Inquilinos, a internação ocorreu como consequência direta do desgaste físico e emocional provocado pelo procedimento de despejo. Este detalhe fortalece os argumentos daqueles que responsabilizam as práticas de despejo pela morte da idosa.
Mobilizações futuras e demandas políticas
O Sindicato de Inquilinos aproveitou o momentum da manifestação para convocar uma greve geral agendada para 11 de novembro, ampliando assim as ações de protesto. A entidade também passou a defender o adiantamento das eleições gerais, buscando pressionar o governo pela implementação de políticas mais robustas de proteção habitacional.
O caso de Maricarmen Abascal evidencia as falhas estruturais do mercado imobiliário espanhol, onde proprietários e empresas exploram uma legislação permissiva para expulsarem inquilinos de longa data. A manifestação de Madri não representa meramente uma homenagem fúnebre, mas constitui um grito de reivindicação por transformações legislativas e políticas que garantam o direito inalienável à moradia digna para todos os cidadãos.




