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Mateus Aleluia apresenta show transcendental no Rio

Mateus Aleluia apresenta show transcendental no Rio
Fonte: g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/07/11/mateus-aleluia-canta-a-nobreza-do-amor-em-transcendental-show-solo-no-rio.ghtml

Mateus Aleluia traz espiritualidade ao palco do Rio de Janeiro

O renomado artista baiano Mateus Aleluia levou sua transcendental apresentação ao Teatro Nelson Rodrigues, na cidade do Rio de Janeiro, na noite de sábado, 11 de julho. O show marcou o retorno do cantor aos palcos cariocas com uma apresentação intimista de voz e violão, reunindo uma plateia que lotou completamente o espaço da Caixa Cultural.

Aos 82 anos, Mateus Aleluia demonstra vigor artístico mantendo sua característica presença espiritual em cena. Durante o espetáculo, o artista ressaltou a importância de sua linguagem musical, afirmando que "o canto fala tudo o que sentimos sem contornos. É uma linguagem espiritual. Falamos de dentro". Essa filosofia permeia toda sua carreira como integrante histórico do grupo Os Tincoãs, conhecido internacionalmente por suas contribuições à música brasileira contemporânea.

Uma experiência que transcende o tempo cotidiano

Para compreender completamente a dimensão do trabalho artístico de Mateus Aleluia, é necessário desconectar do tempo acelerado das urgências diárias e adentrar no universo sereno que o artista constrói em seus performances. Sua presença em palco funciona como um portal para memórias ancestrais, carregando a riqueza de vivências conectadas à Africa e à sua cidade natal de Cachoeira, na Bahia.

O setlist autoral abriu com "Homem! O animal que fala" (2009), imediatamente estabelecendo o tom contemplativo e profundo que caracterizaria toda a noite. A voz grave e ressonante do artista funcionou como instrumento de conexão com dimensões espirituais, harmonizando o espírito dos espectadores através de composições cuidadosamente selecionadas.

Repertório que celebra a nobreza do amor

Mateus Aleluia canta a nobreza do amor em suas composições, entrelaçando narrativas afetivas com reflexões sobre a condição humana. Peças como "Sonhos cor de criola" e "Filho de rei", ambas do álbum "Fogueira doce" (2020), demonstram a profundidade lírica e musical que define seu trabalho.

A apresentação encerrou-se com a música-título do álbum de 2020, "Fogueira doce", sem necessidade de bis. Nessa composição final, o verso "Eu vi Obatalá" proclamado por Mateus Aleluia reafirma sua conexão com tradições espirituais, questionando quem seria capaz de duvidar da autenticidade dessa experiência mística.

O legado de Os Tincoãs em uma noite singular

Como membro mais proeminente do histórico grupo Os Tincoãs, Mateus Aleluia carrega décadas de contribuição à música brasileira. O maior sucesso do conjunto, "Cordeiro de Nanã" (composição de Mateus Aleluia e Dadinho, lançada em 1977), compareceu à apresentação acompanhado de um lamento poético que evidenciou a capacidade do artista em expressar as dores históricas do povo negro através dos séculos.

O canto de Mateus Aleluia funciona simultaneamente como ferramenta de denúncia social e instrumento de cura espiritual. Enquanto revela as feridas ancestrais, o artista simultaneamente oferece remédio para essas dores através da sabedoria dos que encontraram paz interior, extraindo da música o alimento fundamental para a alma.

Presença rara nos palcos do Rio de Janeiro

Mateus Aleluia mantém presença intermitente nas apresentações cariocas. Desconsiderando uma participação em festival de 2022, sua última apresentação solo na cidade havia ocorrido em 2017, demonstrando a raridade dessa oportunidade para o público do Rio. Uma segunda apresentação foi programada para domingo, 12 de julho, na mesma Caixa Cultural, embora os ingressos tenham se esgotado rapidamente.

Recentemente, o artista se apresentou em Salvador com acompanhamento da Orquestra Afrosinfônica sob regência do maestro Ubiratan Marques, oferecendo uma versão expandida de seu trabalho. Contudo, a apresentação carioca ofereceu uma experiência intimista única, com apenas voz, violão e a imensa energia espiritual do performer em cena.

O encerramento e a reciprocidade artística

Ao final da noite, Mateus Aleluia agradeceu o público, proclamando estar "abastecido" pela energia coletiva compartilhada durante as duas horas de apresentação. Na verdade, foi o próprio artista quem abasteceu a plateia com uma música capaz de alimentar almas e irradiar vibrações positivas para quem se entrega completamente à experiência transcendental de seu show.

A apresentação de Mateus Aleluia no Teatro Nelson Rodrigues reafirma sua posição como uma entidade viva através da música, transmitindo ancestralidade africana, espiritualidade afro-brasileira e uma profunda humanidade que transcende gerações. Sua voz grave perpetua tradições milenares enquanto aponta caminhos para serenidade e paz em tempos turbulentos.

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