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Morre Jorge Messi: o pai que assinou o guardanapo histórico

Morre Jorge Messi: o pai que assinou o guardanapo histórico
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Jorge Messi: o homem por trás do guardanapo que mudou o futebol

Jorge Messi, pai do lendário futebolista Lionel Messi, faleceu no último sábado, dia 8 de agosto, na cidade argentina de Rosário, aos 68 anos de idade. Sua morte marca o desaparecimento de uma figura absolutamente central na vida e carreira do astro internacional. A trajetória de Jorge Messi está indissociavelmente ligada a um documento extraordinário: aquele guardanapo que contém o acordo que fundou uma das parcerias mais extraordinárias da história do desporto mundial.

Esse pedaço de papel, assinado em dezembro de 2000 com tinta azul, permanece como um dos artefatos mais significativos já produzidos no universo futebolístico. Continha apenas 52 palavras, mas essas palavras selaram um compromisso que transformaria não apenas a vida de uma criança, mas também o destino de um dos clubes mais tradicionais da Europa e proporcionaria momentos inesquecíveis a milhares de milhões de fãs em todo o globo terrestre.

O documento histórico que mudou tudo

O guardanapo era muito mais que um simples pedaço de papel. Nele estava escrito: "Em Barcelona, em 14 de dezembro de 2000 e na presença dos senhores Minguella e Horacio, Carles Rexach, diretor esportivo do FC Barcelona, compromete-se, sob sua responsabilidade e independentemente de qualquer opinião contrária, a contratar o jogador Lionel Messi, desde que sejam respeitados os valores acordados."

Carles Rexach, então diretor desportivo do FC Barcelona, foi quem assinou esse documento singular. Josep Minguella, assessor de contratações do clube catalão, e Horacio Gaggioli, agente desportivo que havia identificado o jovem talentoargentino, estiveram presentes como testemunhas daquele momento definitivo. O guardanapo foi assinado numa sala de café do clube de ténis Reial Societat de Tennis Pompeia, em circunstâncias que ilustram a natureza improvável mas genuína daquele acordo transcendental.

A jornada de Jorge Messi pela esperança

A história que conduziu àquele guardanapo começou alguns meses antes, num contexto de dificuldades consideráveis. No início de 2000, Jorge Messi enfrentava um cenário particularmente complexo. Seu filho Lionel, com apenas 13 anos de idade, já havia demonstrado um talento futebolístico de dimensões extraordinárias, impressionando especialistas em todo o lado. Porém, o adolescente enfrentava um obstáculo médico significativo: uma deficiência hormonal que comprometia seu crescimento normal.

Este problema de saúde exigia um tratamento hormonal contínuo e dispendioso, custando aproximadamente US$ 900 mensais, uma quantia verdadeiramente proibitiva para a maioria das famílias argentinas daquela época. Jorge Messi, determinado a não permitir que o talento extraordinário de seu filho se perdesse como sucedia com milhares de outras crianças na América Latina, iniciou uma verdadeira odisseia em busca de um clube que pudesse oferecer as condições necessárias.

As gestões iniciais e os obstáculos encontrados

Jorge Messi manteve conversações com dirigentes do River Plate, um dos clubes mais populares de Buenos Aires, e também com o Como, equipa italiana de tradição respeitável, entre outras instituições desportivas. Nenhuma dessas negociações, porém, conseguiu produzir resultados concretos. Os clubes simplesmente não conseguiam garantir que cobririam os custos associados à terapia hormonal que Lionel necessitava com urgência.

Foi nesse momento crítico que duas personagens importantes surgiram no horizonte: Horacio Gaggioli e Josep María Minguella, ambos agentes desportivos experientes e bem relacionados no meio futebolístico internacional. Esses dois profissionais possuíam contatos valiosos e, crucialmente, conseguiram convencer Carles Rexach, antigo jogador do FC Barcelona e naquela altura director desportivo da instituição catalã, a observar pessoalmente o jovem Lionel Messi.

O teste em Barcelona e a decisão crucial

Em setembro de 2000, Jorge Messi e seu filho realizaram uma viagem até Barcelona para que Lionel pudesse ser visto por Rexach. O director desportivo ficou profundamente impressionado com as habilidades técnicas, a velocidade e a inteligência desportiva do rapaz argentino. Rexach, tendo tido uma carreira significativa como jogador, possuía o conhecimento necessário para reconhecer a excepcionalidade daquele jovem talento.

Contudo, a situação financeira do FC Barcelona naquele período específico não era das mais favoráveis. O clube catalão atravessava uma fase de restrições orçamentárias que tornava complicado assumir os custos associados a um adolescente e, particularmente, ao seu tratamento hormonal contínuo. Os meses foram passando sem que o Barcelona tomasse uma decisão definitiva, deixando a família Messi numa situação cada vez mais angustiante.

O momento da verdade no café Pompeia

Em dezembro de 2000, Jorge Messi chegou a uma conclusão inevitável: necessitava regressar à Argentina. A espera indefinida não era sustentável, e a falta de respostas concretas do Barcelona tornava impossível manter-se em Barcelona. Rexach, compreendendo a urgência e a determinação de Jorge, tomou então uma decisão impulsiva mas providencial. Numa noite, enquanto conversava com Minguella e Gaggioli no clube de ténis Pompeia, Rexach decidiu agir imediatamente.

Dirigiu-se ao café da Reial Societat de Tennis Pompeia e convocou Jorge e Lionel Messi. Com o único papel disponível naquele momento—um guardanapo—e uma caneta azul, Carles Rexach escreveu o texto que selaria o destino de Lionel Messi. Quando lhe perguntaram posteriormente por que utilizara um guardanapo, Rexach explicou: "A questão de usar um guardanapo foi porque era a única coisa que eu tinha à mão. Vi que a única maneira de tranquilizar Jorge era assinando algo, dando-lhe alguma garantia, então pedi um guardanapo a um garçom e escrevi."

A validação legal do documento inusitado

Embora à primeira vista parecesse um documento informal e até mesmo anecdótico, as partes realizaram as consultas jurídicas pertinentes e as autoridades competentes concordaram unânimemente que o guardanapo era totalmente válido do ponto de vista legal. Assim, Lionel Messi iniciou oficialmente sua ligação com o FC Barcelona, uma parceria que duraria mais de duas décadas e produziria uma colecção praticamente inimaginável de conquistas e recordes.

Pouco depois, os documentos formais e convencionais foram elaborados e assinados, transformando o guardanapo numa anedota fascinante e memorável. Gaggioli, que havia estado presente naquela tarde histórica de dezembro, guardou cuidadosamente o guardanapo durante as duas décadas subsequentes, até que decidiu entregá-lo à casa de leilões Bonhams para ser vendido em hasta pública.

O legado de Lionel Messi no Barcelona

Lionel Messi incorporou-se formalmente ao Barcelona aproximadamente um mês após o acordo ter sido celebrado naquele guardanapo memorável. O jovem argentino rapidamente demonstrou que a confiança depositada por Rexach e Jorge Messi era absolutamente justificada. Messi estreou pela equipa principal aos 16 anos de idade, uma marca precoce de uma carreira que seria extraordinária.

Durante sua permanência no club catalão, Lionel Messi registrou um total impressionante de 672 gols em 778 partidas, estabelecendo-se como o maior artilheiro da história do FC Barcelona. Conquistou nada menos que 10 títulos da competição espanhola La Liga e venceu a prestigiosa Liga dos Campeões europeia em quatro oportunidades distintas. Muitos analistas e aficionados consideram Messi simplesmente o melhor jogador que jamais vestiu a camisola azul-grana, ou até mesmo o melhor desportista de todos os tempos naquela instituição.

O destino posterior e a venda em leilão

Após deixar o Barcelona em 2021, Leonel Messi transferiu-se para o Paris Saint-Germain antes de prosseguir sua carreira nos Estados Unidos, atualmente representando o Inter Miami. Em 2022, conquistou o prémio máximo do futebol internacional ao vencer a Copa do Mundo com a Seleção Argentina no Catar, consolidando um legado praticamente incomparável no desporto.

O guardanapo que tinha iniciado tudo foi finalmente leiloado em Nova York durante o ano de 2024. A casa de leilões Bonhams estimava seu valor inicial em US$ 300 mil, mas o documento acabou sendo vendido por uma quantia próxima a US$ 900 mil, refletindo sua importância histórica extraordinária. Ian Ehling, responsável pelo departamento de livros raros e manuscritos da Bonhams, declarou que aquele guardanapo "mudou a vida de Messi, o futuro do FC Barcelona e foi fundamental para proporcionar alguns dos momentos mais gloriosos do futebol a bilhões de torcedores em todo o mundo."

A memória de Jorge Messi

A morte de Jorge Messi encerra um capítulo significativo da história do futebol moderno. Sua determinação, perseverança e visão foram absolutamente fundamentais para que Lionel Messi pudesse realizar seu potencial extraordinário e transformar-se num dos atletas mais celebrados da história desportiva mundial. O guardanapo permanecerá como símbolo eterno daquela decisão crucial tomada numa tarde de dezembro de 2000, uma decisão que mudou verdadeiramente o futuro do futebol para sempre.

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