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Pra Gira Girar lança álbum em homenagem ao legado dos Tincoãs

Pra Gira Girar lança álbum em homenagem ao legado dos Tincoãs
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Coletivo Pra Gira Girar apresenta novo álbum em tributo aos Tincoãs

O álbum Pra Gira Girar Tincoãs chega ao mercado fonográfico em 30 de outubro pela gravadora Amor in Sound, marcando o lançamento discográfico oficial do coletivo Pra Gira Girar. A produção representa uma celebração musical dedicada ao icônico grupo baiano Os Tincoãs, responsável por importantes contribuições à música afro-brasileira nas décadas de 1960 e 1970. Este projeto surge como desdobramento natural de uma apresentação ao vivo que conquistou o público, transformando-se em uma obra fonográfica de 12 faixas repletas de significado cultural e espiritual.

História e contexto do álbum Pra Gira Girar Tincoãs

A trajetória deste trabalho começou há pouco mais de um ano, quando o coletivo lançou os singles "Atabaque chora" e "Deixa a gira girar" respectivamente em outubro e novembro de 2024. Esses lançamentos iniciais serviram como ponte para a concretização do álbum completo, que resgata canções significativas da discografia de Os Tincoãs. O grupo baiano, formado em Cachoeira (BA) em 1960, conquistou projeção nacional durante a década de 1970 com um repertório caracterizado pela profunda carga ancestral e espiritual da música afro-brasileira.

Composição e formação do coletivo

O núcleo central do coletivo Pra Gira Girar é integrado por Alvaro Lancellotti na função de mentor e vocalista, acompanhado por Alan de Deus na voz, Michele Leal também na voz e Pedro Costa responsável pela guitarra. A formação expandida para as gravações do álbum Pra Gira Girar Tincoãs incluiu Alexandre Kassin no baixo e na coprodução, Anna Magalhães em percussão, Diogo Gomes na trompete, Zé Manoel em piano e voz, além de uma homenagem especial ao percussionista Zero Awá, que faleceu em 2025 e participa in memoriam do trabalho.

Produção musical e conceitual

A direção musical foi orquestrada por Mario Caldato em colaboração com Alexandre Kassin, garantindo uma abordagem sofisticada e respeitosa das composições originais de Os Tincoãs. A capa do disco foi desenvolvida pela artista Ilana Paterman Brasil, refletindo visualmente o cuidado dedicado a cada detalhe deste projeto. O álbum foi editado em formato LP, reforçando o caráter memorialístico e a intenção de criar um objeto musical de valor duradouro.

Repertório e canções selecionadas

As 12 faixas do álbum Pra Gira Girar Tincoãs foram extraídas dos momentos áureos da discografia de Os Tincoãs. O repertório inclui composições fundamentais como "A força da Jurema" (1973), "Cordeiro de Nanã" (1977), "Lamento às águas" (1977), "Na beira do mar" (1973), "Oxossi te chama" (1975) e "Salmo" (1975). Todas estas canções compartilham a assinatura criativa de Mateus Aleluia e Dadinho, dupla responsável por grande parte do legado musical que caracteriza Os Tincoãs. Algumas composições contam ainda com a colaboração de Heraldo Bozas, consolidando a autoria coletiva que marcou a história do grupo.

Motivações e significado do projeto

Conforme explicado por Alvaro Lancellotti, o álbum Pra Gira Girar Tincoãs emerge de forma orgânica a partir da experiência de apresentações ao vivo. "Esse disco é uma consequência do show, nada tínhamos planejado. No entanto, entendemos que essa obra era riquíssima e que pouca gente viu Os Tincoãs em cena. Eles não fizeram tantas aparições como banda e também pertencem a uma geração muito antiga. Houve, então, uma vontade muito genuína de reapresentá-los", destaca o mentor do coletivo. Esta declaração revela a intenção subjacente do projeto: tornar acessível e contemporâneo o repertório de um grupo histórico que permanecia em relativa obscuridade para as gerações mais jovens.

Importância cultural e espiritual

Os Tincoãs representam um capítulo fundamental na história da música afro-brasileira, grupo que transita entre a tradição religiosa, a espiritualidade ancestral e a expressão artística sofisticada. O trabalho desenvolvido pelo coletivo Pra Gira Girar ao resgatar e reinterpretar as canções deste grupo contribui para a preservação de um patrimônio cultural ameaçado pelo esquecimento. A música de Os Tincoãs carrega em si narrativas, rituais e conexões espirituais que transcendem a mera diversão, funcionando como transmissão viva de conhecimentos e valores ancestrais.

Lançamento e projeções futuras

A apresentação oficial do álbum Pra Gira Girar Tincoãs está marcada para 30 de outubro, data que representa um momento significativo para o coletivo carioca e para os apreciadores de música afro-brasileira contemporânea. O projeto consolida a atuação do coletivo como agente de recontextualização e celebração de legados musicais importantes, abrindo possibilidades para futuras colaborações entre gerações de músicos comprometidos com a preservação e inovação simultâneas. A escolha do selo Amor in Sound como parceiro para a edição do disco reflete o alinhamento entre produtora e coletivo quanto aos valores e objetivos desta empreitada musical.

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