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Prato feito fica mais caro apesar da inflação menor

Prato feito fica mais caro apesar da inflação menor
Fonte: g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/07/11/pf-mais-salgado-prato-feito-fica-mais-caro-apesar-do-alivio-na-inflacao-dos-alimentos.ghtml

Prato feito mais caro em todo o país

O prato feito mais caro continua impactando o bolso do trabalhador brasileiro. Segundo o Índice Prato Feito (IPF), elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Faculdade do Comércio (FAC-SP), o preço médio da refeição atingiu R$ 31,90 em junho. Esse valor representa uma elevação de 5,4% comparado a março e 7,2% em relação a janeiro do mesmo ano.

O tradicional prato feito permanece como uma das principais opções de refeição para os brasileiros que almoçam fora de casa. Contudo, a refeição que antes era sinônimo de economia gradualmente ocupa espaço cada vez mais relevante no orçamento mensal. Um trabalhador que se alimenta fora durante os 20 dias úteis do mês desembolsa aproximadamente R$ 638 apenas com essa refeição, quantia que não contempla café da manhã, lanches ou jantar.

A paradoxo da inflação menor e preços maiores

O cenário se apresenta paradoxal. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o grupo Alimentação e Bebidas registrou redução de 0,24% em junho, contribuindo para desacelerar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação, que subiu apenas 0,16% no mês.

Apesar da queda verificada no custo de alimentos, a alimentação fora do domicílio continuou apresentando alta de 0,15% em junho, embora em ritmo inferior ao mês anterior, quando havia avançado 0,49%. Enquanto produtos como café moído, frutas e carnes apresentaram redução de preços nos supermercados, o custo de refeições em bares e restaurantes permaneceu em trajetória ascendente.

Os custos que vão além dos ingredientes

A explicação para o prato feito mais caro reside em uma estrutura de custos muito mais ampla do que simplesmente o valor dos alimentos servidos. Rodrigo Simões Galvão, economista e coordenador responsável pelo Índice Prato Feito, esclarece essa dinâmica: o prato feito representa a economia servida no prato, contendo não apenas arroz, feijão e carne, mas também aluguel do espaço comercial, despesas com energia elétrica, salários de funcionários, custos de transporte, tributos, encargos financeiros e a margem operacional do empresário.

Quando o prato feito fica mais caro, o reajuste frequentemente reflete a pressão exercida por toda essa estrutura de custos, não representando necessariamente uma alta nos preços dos alimentos propriamente ditos. Os fatores como aluguel, energia, água, gás, salários, transporte e juros continuam pressionando os restaurantes mesmo durante períodos de alívio nos preços de alguns produtos agrícolas.

Disparidades regionais no preço das refeições

Além de ter aumentado em todo o território nacional, o preço do prato feito apresenta variações significativas entre as regiões brasileiras. O Sul registra o maior valor médio, chegando a R$ 34,90, seguido pelo Centro-Oeste, com R$ 34,45. Na região Sudeste, o prato feito custa em média R$ 31,99.

As regiões Norte e Nordeste apresentam os menores preços, de R$ 29,99 e R$ 30, respectivamente. Essas diferenças significam que um trabalhador pode desembolsar aproximadamente 16% a mais pela mesma refeição, dependendo da região onde reside. Como afirma Galvão, o Brasil não almoça pelo mesmo preço, e o prato feito evidencia diferenças regionais importantes, embora demonstre um movimento comum: a refeição básica está mais cara em todo o país.

O dilema dos empresários de restaurantes

O aumento do prato feito nem sempre representa maior lucratividade para os estabelecimentos. Em diversos casos, trata-se apenas de um repasse parcial da elevação dos custos enfrentados pelos empresários. O setor da alimentação enfrenta pressões simultâneas: de um lado, consumidores cada vez mais sensíveis às oscilações de preço; de outro, custos operacionais que continuam elevados.

Para os empresários, o desafio reside em preservar a qualidade do serviço, manter a competitividade no mercado e garantir a sustentabilidade financeira dos negócios. Essas pressões contrárias explicam por que o reajuste do prato feito mais caro ocorre de forma contínua e consistente.

Perspectivas para os próximos meses

Mesmo com a desaceleração da inflação de alimentos em junho, novos fatores podem voltar a pressionar o custo das refeições. Especialistas avaliam que um eventual fortalecimento do fenômeno El Niño pode reduzir a oferta de diversos produtos agrícolas e provocar novos aumentos de preços.

Entre os alimentos potencialmente mais afetados estão batata, cebola, tomate, cenoura, maçã e uva. O milho também pode sofrer impactos significativos, o que tenderia a encarecer a produção de carnes, já que o grão constitui um dos principais componentes da ração utilizada na criação de animais. Ainda é cedo para medir com precisão a intensidade desses efeitos, porém o fenômeno climático já recebe acompanhamento atento pelo seu potencial de afetar a produção agrícola e os preços dos alimentos em escala nacional.

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