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Racha entre Michelle e Flávio: entenda conflito no PL Ceará

Racha entre Michelle e Flávio: entenda conflito no PL Ceará
Fonte: g1.globo.com/ce/ceara/eleicoes/2026/noticia/2026/06/24/quem-e-quem-na-confusao-que-gerou-racha-entre-michelle-e-flavio-bolsonaro.ghtml

O conflito público entre Michelle e Flávio marca racha no PL

O racha entre Michelle e Flávio ganhou proporções públicas quando a ex-primeira-dama divulgou vídeos nas redes sociais relatando desentendimentos com o senador e pré-candidato do Partido Liberal à Presidência. O racha entre Michelle e Flávio envolve questões estratégicas sobre alianças políticas no Ceará e prioridades do partido em 2026, revelando tensões internas na família Bolsonaro.

Michelle apontou que Flávio teria questionado sua participação nas decisões do partido após sua fala crítica durante um comício em Fortaleza no final de 2025. Segundo o relato da ex-primeira-dama, o senador afirmou que seria melhor ela se manter afastada das discussões políticas, alegando falta de experiência. Michelle interpretou a postura como uma humilhação, levando-a a se afastar das articulações.

Os pontos centrais de discordância

O apoio a Ciro Gomes

A principal fonte de tensão gira em torno do apoio do PL ao ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) nas eleições para o Governo do Ceará em 2026. Michelle questiona essa aliança, argumentando que Ciro criticou duramente Jair Bolsonaro e seus filhos durante a gestão presidencial. Ela defende que Eduardo Girão (Novo) seria uma escolha mais alinhada aos valores defendidos pela família.

Michelle sustenta que uma possível apoio a Ciro seria aceitável apenas em um eventual segundo turno, não como apoio inicial. Essa posição contrasta com as negociações conduzidas por André Fernandes, deputado federal e presidente estadual do PL, que articulou a aliança com o PSDB ao longo de 2025.

A disputa pela vaga de senador

O segundo ponto de conflito envolve a candidatura ao Senado no Ceará. Michelle apoiou publicamente em junho de 2025 a pré-candidatura de Priscila Costa (PL), deputada federal, argumentando que essa escolha havia sido acordada com Jair Bolsonaro. No entanto, André Fernandes articulou para que seu pai, Alcides Fernandes, deputado estadual, disputasse a vaga pelo PL.

Essa divergência levou Michelle a questionar por que, se a aliança com Ciro era tão benéfica, André Fernandes não cedia a vaga de seu próprio pai para honrar a palavra de Jair Bolsonaro. A ex-primeira-dama usou a expressão "traição" ao referir-se a não honrar o que teria sido determinado pelo ex-presidente.

Quem são os personagens envolvidos

André Fernandes, deputado federal e principal articulador das decisões do PL no Ceará, foi o responsável por aproximar o partido do PSDB e de Ciro Gomes. Ele defende uma união de grupos à direita para enfrentar Elmano de Freitas (PT), atual governador.

Ciro Gomes, ex-ministro e ex-governador do Ceará, foi lançado pré-candidato do PSDB ao governo estadual em maio de 2026, com apoio formalizado do PL. Pesquisas indicam sua liderança com 41% das intenções de voto.

Eduardo Girão, senador pelo Ceará e pré-candidato do Novo, tem apoio declarado de Michelle Bolsonaro para o governo estadual, representando uma posição alternativa à aliança com Ciro.

Alcides Fernandes, deputado estadual e pai de André, foi lançado como pré-candidato do PL ao Senado, contestando a indicação de Priscila Costa respaldada pela ex-primeira-dama.

Priscila Costa, vereadora de Fortaleza que recentemente assumiu vaga como deputada federal, foi apoiada por Michelle para disputar uma vaga no Senado pelo PL no Ceará.

As reações da família Bolsonaro

A crítica de Michelle gerou resposta imediata dos filhos de Jair Bolsonaro. Flávio afirmou que a ex-primeira-dama havia "atropelado" o ex-presidente ao questionar movimentos autorizados por ele. Carlos, Jair Renan e Eduardo também criticaram a postura de Michelle, com Eduardo argumentando que André Fernandes foi injustamente exposto.

No Ceará, lideranças do PL defenderam a aliança com Ciro. Alcides Fernandes afirmou que Ciro era a melhor opção da oposição estadual. A deputada estadual Dra. Silvana caracterizou a fala de Michelle como um "ataque" a André Fernandes.

O contexto das negociações políticas

A aproximação entre Ciro e André Fernandes intensificou-se após as eleições municipais de 2024, quando André chegou ao segundo turno na disputa pela Prefeitura de Fortaleza, perdendo para Evandro Leitão (PT) por margem estreita. À época, recebeu apoio de Roberto Cláudio (União), hoje cotado como vice-governador de Ciro.

Durante 2025, as negociações entre PL e PSDB avançaram, com o objetivo de montar uma chapa única contra Elmano de Freitas. Pesquisa Quaest de abril mostrava Ciro na liderança com 41% das intenções de voto, Elmano com 32% e Eduardo Girão com apenas 4%.

Em dezembro de 2025, o PL suspendeu temporariamente as conversas após a repercussão negativa gerada pelas críticas de Michelle. No entanto, a suspensão adiou, mas não impediu o desfecho: em maio de 2026, o PL Ceará oficializou o apoio a Ciro Gomes, com Alcides Fernandes confirmado como pré-candidato ao Senado na chapa.

Posicionamento final de Michelle

Após as reações, Michelle publicou nota afirmando que respeita a opinião de Flávio e dos demais filhos, mas discorda da aliança com Ciro. Ela defendeu seu direito de não aceitar a decisão, mesmo que tenha sido tomada por Jair Bolsonaro, questionando se o ex-presidente realmente havia autorizado tal movimento.

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