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Schvartsman substitui Steinbruch na presidência da CSN

Schvartsman substitui Steinbruch na presidência da CSN
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Transição na Liderança da CSN

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou nesta quarta-feira (2) uma mudança significativa em sua estrutura administrativa. Schvartsman substitui Steinbruch na presidência da CSN, marcando o encerramento de uma era de três décadas na empresa. Benjamin Steinbruch deixará o cargo de presidente executivo e assumirá a presidência do Conselho de Administração, enquanto Fabio Schvartsman, ex-presidente da Vale, ocupará a posição de presidente executivo a partir de quinta-feira (3).

Esta transição representa um momento crucial para a mineradora, que busca renovar sua liderança com um executivo experiente no comando de grandes operações industriais. A mudança foi comunicada oficialmente pela companhia aos seus stakeholders e ao mercado financeiro.

A Trajetória de Benjamin Steinbruch na CSN

Benjamin Steinbruch consolidou uma carreira notável de 33 anos na Companhia Siderúrgica Nacional, deixando um legado profundo na empresa. Aos 73 anos, o carioca construiu uma história de transformações importantes no setor industrial brasileiro.

Participação na Privatização da Vale

Antes de sua atuação à frente da CSN, Steinbruch participou ativamente de um dos maiores processos de privatização do país. Em maio de 1997, liderou a formação do Consórcio Brasil, que venceu o leilão de privatização da Vale, colocando-o no centro de um movimento econômico estrutural na década de 1990.

Atuação nas Federações Industriais

Além da gestão empresarial, Steinbruch exerceu papel de relevância na representação da indústria brasileira. Ocupou o cargo de 1º vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ampliando sua influência e reconhecimento no setor industrial nacional.

Perfil de Fabio Schvartsman

Fabio Schvartsman chega à CSN com uma formação sólida e experiência diversificada em empresas de grande porte. É engenheiro de produção formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e possui pós-graduação em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Carreira Anterior à Vale

Antes de assumir a presidência da Vale, Schvartsman construiu um percurso profissional extenso em grandes corporações. Trabalhou 10 anos na Duratex e permaneceu 22 anos no Grupo Ultra, onde atuou como sócio-diretor da Ultra S.A. e diretor financeiro da holding Ultrapar, deixando o grupo em 2007.

Posteriormente, comandou a Telemar Participações e a San Antonio Internacional. Em 2011, assumiu a presidência da Klabin, fabricante de papel e celulose, permanecendo no cargo até 2017, quando seus caminhos se cruzaram com a Vale.

Experiência na Vale

Schvartsman assumiu a presidência executiva da Vale em 23 de maio de 2017, aos 63 anos, sucedendo Murilo Ferreira. Chegou à empresa com o propósito de liderar uma reorganização estrutural e direcionar suas operações para o Novo Mercado da bolsa de valores.

Durante sua administração, investiu significativamente em segurança de barragens e reformulou os processos de controle de riscos em parceria com a consultoria Deloitte. Adotou a diretriz chamada "Mariana nunca mais", em referência ao rompimento da Barragem de Fundão em Mariana (MG) em 2015.

O Impacto do Desastre de Brumadinho

O Rompimento da Barragem

O período de Schvartsman na Vale foi interrompido pela tragédia de Brumadinho. Em 25 de janeiro de 2019, a Barragem I da Mina Córrego do Feijão rompeu, causando um desastre ambiental e social devastador que resultou em 270 óbitos e provocou graves danos ao meio ambiente.

Cerca de um mês após o evento catastrófico, Schvartsman deixou a presidência da Vale. Eduardo Bartolomeo foi escolhido para sucedê-lo naquele mesmo ano.

Depoimento Parlamentar

Em 28 de março de 2019, Schvartsman prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado que investigava o desastre. Afirmou que a Vale operava com laudos de estabilidade emitidos por auditorias externas e que não possuía informações prévias sobre qualquer risco iminente. Também informou que a empresa realizava pagamentos emergenciais aos atingidos pelo acidente.

Desdobramentos Judiciais e Criminais

Os efeitos jurídicos de Brumadinho continuaram após a saída de Schvartsman da Vale. Em janeiro de 2023, o Ministério Público Federal o denunciou junto a outras 15 pessoas, e a Justiça Federal aceitou a acusação criminal formal.

Schvartsman tornou-se réu por homicídio duplamente qualificado, com dolo eventual, e por crimes ambientais. Em março de 2024, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região concedeu habeas corpus e determinou o trancamento das ações penais, porém o Ministério Público Federal recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em abril de 2024, a Sexta Turma do STJ restabeleceu os processos contra o ex-presidente da Vale por maioria de votos, considerando que havia indícios suficientes apresentados pelo Ministério Público Federal. Em 7 de maio, Schvartsman foi formalmente reincluído nas ações pela Justiça Federal, com processos separados para homicídio e crimes ambientais.

O Novo Desafio na CSN

Ao assumir a presidência executiva da Companhia Siderúrgica Nacional, Schvartsman assume desafios que incluem a gestão operacional e a continuidade estratégica da empresa, enquanto suas questões legais se desdobram nos tribunais brasileiros. A nomeação de Schvartsman para substituir Steinbruch reflete a confiança do conselho administrativo em sua capacidade de liderança, independentemente dos processos judiciais em andamento.

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