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Tecnologia e controvérsias marcam arbitragem na Copa do Mundo

Tecnologia e controvérsias marcam arbitragem na Copa do Mundo
Fonte: g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/07/10/fifa-tecnologia-copa-do-mundo.ghtml

Tecnologia e arbitragem: o centro das polêmicas

A tecnologia na arbitragem futebol tornou-se protagonista na Copa do Mundo de 2026, gerando intenso debate sobre o uso de recursos inovadores para tomar decisões em campo. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, acreditava que sensores, inteligência artificial e o sistema VAR reduziriam controvérsias, mas a realidade mostrou-se bem diferente. As principais polêmicas do torneio concentraram-se justamente na aplicação dessas tecnologias, desde expulsões questionáveis até anulações de gols baseadas em detecções imperceptíveis ao olho humano.

O caso mais emblemático envolveu Folarin Balogun, jogador dos EUA, que recebeu cartão vermelho em uma decisão que chamou até a atenção do presidente americano Donald Trump. Essa decisão exemplifica como a tecnologia na arbitragem futebol começou a dividir opiniões entre torcedores, técnicos e dirigentes do esporte.

Críticas e preocupações com o VAR

As críticas ao uso do VAR Copa do Mundo variaram em intensidade e natureza. Acusações de excesso de interferência, falta de critério uniforme e até teorias sobre favoritismo de seleções circularam entre os comentaristas. O técnico do Egito, Hossam Hassan, reuniu muitas dessas reclamações após a derrota por 3 a 2 para a Argentina nas oitavas de final, quando sua equipe teve um gol anulado e um pedido de pênalti não atendido.

"O que está acontecendo não é justo", declarou Hassan, refletindo o sentimento de frustração que toma conta de equipes e fãs quando decisões tecnológicas prejudicam seus times. O chefe de arbitragem da Fifa, Pierluigi Collina, tentou justificar as mudanças em entrevista na quarta-feira, afirmando que estava satisfeito com o andamento das coisas.

A defesa de Collina sobre as decisões

Collina defendeu a anulação do gol do Egito por causa de uma falta na jogada que antecedeu o gol. Segundo ele, "não existe um limite pré-estabelecido para a distância da jogada em relação ao gol nem para o tempo transcorrido até a conclusão da jogada". Collina argumentou que "uma falta é uma falta. Independentemente de a falta parecer 'óbvia', se o árbitro não a viu em campo, o VAR pode intervir".

A evolução do VAR desde sua criação

O Árbitro Assistente de Vídeo foi criado para corrigir erros considerados claros e evidentes, como o famoso gol marcado com a mão por Diego Maradona contra a Inglaterra na Copa de 1986. A tecnologia enfrentou resistência quando Joseph Blatter era presidente da Fifa, mas foi rapidamente adotada por Infantino após sua posse em 2016.

Os números revelam a intensificação do uso dessa ferramenta. Houve apenas 20 intervenções do VAR Copa do Mundo nos 64 jogos da Copa de 2018. No Catar, em 2022, foram menos de 30 intervenções nos mesmos 64 jogos. Porém, na edição de 2026, esses números foram significativamente superados ainda nas fases iniciais, especialmente considerando que a competição passou a contar com 104 jogos.

Ampliação do papel do VAR pela Fifa

O aumento das intervenções não ocorreu por acaso. A ampliação do papel dos quatro árbitros responsáveis pelo VAR Copa do Mundo constitui um dos pilares da estratégia adotada por Collina para esta edição do torneio. Em parceria com o International Football Association Board (IFAB), órgão responsável pelas regras do futebol, Collina ampliou as situações em que o VAR pode intervir, acrescentando quatro novas categorias de revisão.

Perspectivas sobre o futuro tecnológico

O especialista em ciência de redes Brennan Klein afirmou que um futuro no qual uma rede cada vez maior de câmeras e sistemas de inteligência artificial futebol assumisse parte das decisões de arbitragem em tempo real era improvável, simplesmente porque os torcedores parecem cada vez menos dispostos a aceitar um nível maior de intervenção tecnológica.

"Esse tipo de futuro distópico, de excesso de arbitragem em tudo, acaba não abordando a questão que motivou a intervenção inicial", disse Klein à Reuters. O pesquisador da Universidade Northeastern tem analisado dados ao longo do torneio com sua equipe. "Tenho a impressão de que, de modo geral, os torcedores no estádio simplesmente detestam isso. Eles foram informados de que essa é a maneira correta de fazer as coisas, mas não tiveram realmente voz ativa na decisão".

Sensores e decisões imperceptíveis

Um caso que exemplifica perfeitamente a controvérsia envolvendo sensores na arbitragem ocorreu na partida entre Croácia e Portugal. Josko Gvardiol marcou aos 13 minutos dos acréscimos, empatando o jogo para a Croácia. No entanto, o VAR apontou que a bola havia tocado em Igor Matanovic antes de chegar ao defensor, colocando um companheiro em posição irregular.

O toque não pôde ser percebido a olho nu e tampouco alterou visivelmente a trajetória da bola. Ainda assim, um sensor instalado no equipamento registrou o contato, possivelmente até com o cabelo de Matanovic. A Fifa justificou em publicação nas redes sociais que o sensor "é capaz de detectar até os contatos mais leves, fornecendo aos árbitros informações sem precedentes para tomar decisões rápidas e precisas".

Reações de jogadores e federações

Luka Modric, experiente meia croata que se despediu das Copas do Mundo após a derrota por 2 a 1, não ficou impressionado com a decisão. "A tecnologia é útil em determinadas situações, mas está sendo usada de forma incorreta ou seletiva, dependendo da equipe envolvida ou de outros fatores", afirmou o jogador.

Modric apontou a diferença essencial: "Se for um erro evidente, a intervenção faz sentido. Mas, quando a jogada está em uma área cinzenta e sujeita à interpretação, não há motivo para interferir". A Federação Croata de Futebol (HNS), apesar de apoiar o uso do VAR, enviou ofício à Fifa pedindo explicações sobre a decisão, classificando o episódio como "um abuso da tecnologia".

Conclusão: O futuro em debate

A Copa do Mundo de 2026 demonstrou que a implementação de tecnologia na arbitragem futebol não resolveu as controvérsias, mas as transformou. Os torcedores, segundo Klein, parecem estar "votando com suas vaias" contra esse nível de intervenção. O desafio para a Fifa será encontrar o equilíbrio entre precisão tecnológica e aceitação do público, considerando que o futebol é, afinal, um esporte para ser apreciado e desfrutado pelos fãs que lotam os estádios.

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