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Trump critica juros altos e acusa Fed de prejudicar EUA

Trump critica juros altos e acusa Fed de prejudicar EUA
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Trump condena postura do Federal Reserve sobre juros

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (7) que dirigentes do Federal Reserve (Fed), banco central americano, desejam prejudicar o país através da manutenção de juros altos. A crítica veio após questionamento de repórteres acerca das taxas de financiamento imobiliário, que permanecem elevadas no território americano.

A declaração de Trump reflete crescente tensão entre o Poder Executivo e a autoridade monetária independente. O presidente ressaltou que juros elevados comprometem a economia nacional e prejudicam famílias e empresas que dependem de crédito para investimentos e consumo.

Contexto das taxas hipotecárias nos EUA

As taxas das hipotecas sofrem influência direta do nível de juros estabelecido pela economia americana. Na semana anterior ao pronunciamento de Trump, a taxa de financiamentos imobiliários de 30 anos atingiu seu patamar mais elevado em quase três anos, reforçando preocupações do mercado imobiliário.

Trump direcionou elogios específicos a Kevin Warsh, presidente do Fed indicado por ele próprio para comandar a instituição. Entretanto, criticou duramente os demais membros do conselho, afirmando que "gostariam de ver o país ir mal, na minha opinião, porque acho que os juros deveriam cair".

Posicionamento da equipe econômica americana

Ao lado de Trump no Salão Oval, Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, ofereceu perspectiva diferente sobre os desafios econômicos. Bessent atribuiu a inflação elevada ao que denominou "choque de energia", vinculando as pressões inflacionárias a fatores geopolíticos.

O secretário do Tesouro projetou cenário mais otimista, afirmando: "Assim que estivermos do outro lado desse conflito com o Irã, o mercado de energia estará bem abastecido e caminharemos em direção à meta do Fed. As taxas de hipoteca e os rendimentos dos Treasuries de 10 anos voltarão a cair".

Aumento de juros pelo Federal Reserve

O Federal Reserve elevou recentemente a taxa básica de juros do país em 0,25 ponto percentual, situando-a na faixa de 3,75% a 4% ao ano. Este movimento representou a primeira alta desde julho de 2023, interrompendo sequência de cinco reuniões consecutivas sem alterações.

A decisão de elevação foi influenciada por múltiplos fatores, incluindo disparada dos preços do petróleo decorrente do aumento de tensões no Oriente Médio. Este cenário reforçou preocupações do Fed com trajetória inflacionária e justificou o aperto na política monetária.

Justificativa do Comitê Federal de Mercado Aberto

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) comunicou que a atividade econômica dos EUA seguia se expandindo em ritmo sólido. A instituição destacou que "os gastos domésticos têm se mostrado resilientes", apesar do cenário de incerteza elevada causado por acontecimentos geopolíticos.

Segundo o comitê, a decisão de elevar a taxa básica de juros dos EUA considera o duplo mandato do Fed: controlar a inflação e promover o máximo emprego. Novas projeções indicaram que a maioria dos integrantes do Fed esperava pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto em 2026.

Resposta de Kevin Warsh e situação inflacionária

Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, respondeu às críticas de Trump de forma breve e contundente, afirmando: "Nós cuidamos da nossa área. Independência é uma via de mão dupla." A resposta sublinhava o compromisso com autonomia institucional frente à pressão política.

Warsh enfatizou que a inflação não apresentou melhora significativa nos últimos meses. "O fato é que a inflação está alta demais e está assim há tempo demais", declarou o presidente do Fed. Em agosto, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) registrou 3,4% no acumulado em 12 meses, acima da meta de 2% estabelecida pela instituição.

O presidente do Fed adicionalmente observou: "Os dados de inflação deste verão não me dizem que as tendências subjacentes melhoraram de forma significativa". A inflação subjacente representa medida que busca demonstrar a tendência mais persistente dos preços, excluindo componentes voláteis como alimentos e energia.

Fundamentação técnica da decisão monetária

Warsh justificou a elevação dos juros ao apontar que "categorias demais" de preços registravam taxas de inflação superiores a 3%, tanto em períodos de seis meses quanto de 12 meses. "Precisamos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando claramente para nosso objetivo e em uma velocidade suficiente. Hoje, o Fomc decidiu que esse padrão não foi atendido", explicou.

Apesar das críticas de Trump, Warsh sinalizou concordância com outros dirigentes do banco central americano acerca do fortalecimento econômico do país, afirmando que a economia dos EUA "parece estar se fortalecendo".

Histórico de conflitos entre Trump e banco central

Não se trata da primeira ocasião em que Trump critica publicamente as decisões do Federal Reserve. Durante administração anterior, o presidente republicano direcionou insultos ao então-presidente do Fed, Jerome Powell, chamando-o de "mula", "cabeça oca" e "estúpido" por não cortar as taxas de juros conforme desejava.

O conflito persiste como tema central na agenda política americana, refletindo tensões fundamentais entre objetivos de curto prazo do Executivo e responsabilidades de longo prazo da autoridade monetária independente.

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