Turma do Pagode apoia crescimento de bandas de samba

Turma do Pagode reafirma compromisso com novos artistas do gênero
O Turma do Pagode, banda que completa três décadas de trajetória musical, compareceu ao programa g1 Ouviu nesta quinta-feira (05) para discutir sua relação com grupos de pagode emergentes. Durante a entrevista, os integrantes deixaram clara a posição favorável à multiplicação de novas propostas no gênero, reforçando que quanto maior a diversidade de bandas, melhor para o segmento como um todo. A postura demonstra maturidade artística e compromisso com a perpetuação do pagode brasileiro.
Segundo o vocalista Leizinho, a banda sempre manteve abertura para colaborações com artistas ascendentes. "A gente tem sempre carinho por quem tá chegando. Por exemplo, com o Grupo Chocolate, a gente não sabia que a música ia ser um sucesso ou existir alguma garantia que ia render", explicou durante a conversa. A parceria resultou na faixa "Alô Virgínia", que conquistou expressivo reconhecimento junto ao público.
Filosofia de retribuição marca atuação do Turma do Pagode
O compromisso com grupos de pagode mais jovens reflete uma postura de gratidão pelos caminhos abertos por artistas antecessores. Leizinho enfatizou que a banda procura retribuir as oportunidades recebidas quando iniciava sua trajetória. "Assim como fizeram com a gente. A gente tenta retribuir. E que todos defendam a bandeira do samba. Quanto mais surgirem, melhor para todos nós", completou o integrante, sintetizando a filosofia coletiva adotada pelos membros.
Essa perspectiva contrasta com práticas individualistas frequentemente observadas no mercado fonográfico contemporâneo. O Turma do Pagode permanece como exceção notável, mantendo sua estrutura de grupo coeso sem que seus vocalistas buscassem carreiras solo de destaque.
Recusa à carreira individual reafirma identidade coletiva
Durante a entrevista, Leizinho abordou sua deliberada escolha de permanecer vinculado ao grupo em vez de seguir caminho solo, mesmo em períodos economicamente desafiadores como a pandemia. "Nunca tive vontade de fazer carreira solo. Na pandemia, teria ganhado muito dinheiro. Mas a gente preza o grupo. A gente vende o grupo, a gente não vende uma voz", afirmou com convicção.
O artista comparou a estrutura do Turma do Pagode a uma empresa, onde responsabilidades e lucros são compartilhados. Essa abordagem diferenciada ressalta que a identidade da banda transcende qualquer membro individual, fortalecendo sua continuidade e relevância mercadológica. Para Leizinho, apresentações solo implicariam assumir integralmente a responsabilidade pelos resultados, aspecto que não o atraía profissionalmente.
Preferência por álbuns ao vivo define método de gravação
O Turma do Pagode optou historicamente por registrar seus trabalhos em formato ao vivo, afastando-se da produção tradicional em estúdio. Caramelo, outro integrante da banda, explicou que a experiência de gravação em ambiente de estúdio causa desconforto extremo. "Caramelo contou que eles já tentaram ir para estúdio, mas se sentem de 'terno e gravata'", descrevendo a sensação limitante da abordagem convencional.
A metodologia adotada pelo Turma do Pagode envolve ensaios intensivos anteriores às gravações ao vivo, minimizando necessidades de pós-produção extensiva. Caramelo detalhou: "Álbum de estúdio, você faz lá e refaz. Ao vivo, se você ficar corrigindo muito, você tira o lance do ao vivo. A gente ensaia bastante. Passa, repassa, quanto 'tá na mão', a gente grava." Essa estratégia preserva a autenticidade e espontaneidade característica de apresentações ao vivo.
Viralização democrática muda cenário de música contemporânea
Caramelo também analisou transformações significativas no panorama musical atual, onde a internet democratiza possibilidades de visibilidade. Grupos de pagode e outros artistas sem grandes recursos financeiros conseguem alcançar audiências expressivas através de conteúdo despretensioso. "Grupos que não tem tanto poder financeiro tem disponibilidade de viralizar com um vídeo despretensioso", comentou o integrante, destacando oportunidades igualitárias no ambiente digital.
"Camisa 10" marcou ponto de inflexão na trajetória
A faixa "Camisa 10" representa divisor de águas na história do Turma do Pagode, transformando significativamente a carreira coletiva. Leizinho recordou o momento crítico: "Essa música mudou nossa vida de um jeito bem legal. A gente estava num momento difícil da carreira. Gravamos em 2010, são 16 anos". A canção sincronizou-se com lançamento do primeiro DVD da banda, catalisando oportunidades que previamente pareciam inalcançáveis.
Caramelo complementou reflexionando sobre o impacto transformador: "A música combina com a época que gravamos nosso primeiro DVD. As coisas começaram a mudar. A coisa vira. A gente começa a ir a lugares que sonhávamos estar e ainda não tínhamos conseguido". O compositor Charlles André, inicialmente hesitante em autorizar uso da música, posteriormente reconheceu benefícios mútuos resultantes da parceria.
Versatilidade musical define identidade criativa
O Turma do Pagode destaca-se pela capacidade de incorporar influências de gêneros diversificados, incluindo sertanejo e outras vertentes musicais. Essa característica representa expressão autêntica da identidade coletiva, não sendo estratégia recente ou deliberada. "O grupo tem essa personalidade de misturar, pegou outros ritmos e convidados de outros gêneros musicais", explicou durante entrevista. A abordagem eclética segue coerência com valores artísticos fundamentais da banda.
Leizinho exemplificou através de "Deixa em off", originalmente composta como vaneira. "Transformamos em pagode e ficou muito legal. Não era do gênero do pagode e ficou bacana", descreveu a metamorfose criativa. Essa flexibilidade estilística, mantendo identidade visual e sonora, permite ao Turma do Pagode permanecer relevante ao longo de três décadas.
Posicionamento político e liberdade artística
Durante a conversa, membros do Turma do Pagode abordaram cobrança crescente por posicionamentos políticos de artistas, citando cancelamentos de shows envolvendo duos como Jorge e Mateus. Leizinho argumentou que pressões por manifestações públicas invadem esfera privada dos músicos. "Pessoa não é obrigada a falar. É um direito do artista. As pessoas não entendem isso", afirmou, ressalvando que artistas que se posicionaram agiram voluntariamente.
Caramelo adicionou perspectiva equilibrada sobre consequências: "Você tem direito a fazer o que quiser, mas tudo vai ter uma consequência". A discussão refletiu tensões contemporâneas entre liberdade individual e responsabilidade social, particularmente no contexto de figuras públicas.
Projeto "Turma Futebol Clube" demonstra expansão criativa
Atualmente, o Turma do Pagode desenvolve iniciativa chamada "Turma Futebol Clube", expandindo atuação para além da música tradicional. O projeto representa experimentação com novos formatos e temáticas, mantendo vitalidade criativa que caracteriza a banda ao longo de sua extensa carreira.
Sonho de colaboração com Bruno Mars
Finalizando o programa, os integrantes expressaram desejo de futura colaboração com Bruno Mars, reiterando que o artista internacional interpretaria pagode. Essa aspiração reflete confiança na universalidade do gênero e potencial de aproximação entre estilos musicais globalmente reconhecidos e tradição brasileira.




