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43% dos brasileiros mostram otimismo com o Brasil, enquanto 37% expressam pessimismo

43% dos brasileiros mostram otimismo com o Brasil, enquanto 37% expressam pessimismo
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Pesquisa Datafolha revela o otimismo com o Brasil em setembro

A pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (18) apresenta um panorama detalhado sobre o otimismo com o Brasil e o sentimento dos eleitores brasileiros. De acordo com o levantamento, 43% dos entrevistados demonstram otimismo em relação ao país, enquanto 37% se declaram pessimistas. O restante, representando 20% do total, mantém-se indeciso sobre suas perspectivas. Este cenário emerge em um momento de intensos acontecimentos políticos, incluindo a crise no Supremo Tribunal Federal e desdobramentos relacionados ao escândalo do banco Master, apenas duas semanas antes do primeiro turno das eleições.

Metodologia da pesquisa sobre sentimentos dos brasileiros

O Datafolha utilizou uma abordagem inovadora para compreender o otimismo com o Brasil, propondo seis perguntas que exploram diferentes dimensões emocionais dos cidadãos. Cada questão apresentava pares de sentimentos antagônicos, permitindo uma análise mais profunda do estado emocional coletivo. A instituição entrevistou 2.002 pessoas com idade igual ou superior a 16 anos, entre os dias 15 e 16 de setembro. A margem de erro estabelecida é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi encomendado pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, com registro no TSE sob o número BR-04029/2026.

Análise detalhada dos sentimentos dos brasileiros

Quando questionados sobre tranquilidade, 53% dos entrevistados relataram sentir-se tranquilos, enquanto 43% afirmaram sentir raiva ao pensar no Brasil atual. Este resultado indica uma divisão considerável nas emoções fundamentais da população. Quanto ao aspecto do ânimo, a pesquisa revelou um otimismo com o Brasil mais modesto neste indicador específico: apenas 45% disseram estar animados, em contraste com 53% que se sentem desanimados. A discrepância torna-se ainda mais acentuada quando avaliamos a confiança no futuro.

No que diz respeito ao medo ou confiança, observa-se que 53% dos brasileiros expressam medo do futuro, enquanto apenas 45% manifestam confiança. Sobre os sentimentos de tristeza e felicidade, 51% relataram tristeza contra 45% que se sentem felizes. Um dos dados mais alarmantes refere-se à sensação de segurança: apenas 34% se consideram seguros, enquanto 64% vivem em situação de insegurança. Por fim, quanto à esperança, 55% dos entrevistados disseram sentir mais esperança do que medo, representando um raio de luz nas perspectivas coletivas.

Variações do otimismo com o Brasil por perfil de eleitor

A análise estratificada do otimismo com o Brasil revela padrões significativos entre diferentes grupos de eleitores. O pessimismo apresenta-se com maior intensidade entre aqueles que avaliam o governo Lula como ruim ou péssimo, alcançando 64%. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, o pessimismo atinge 56%, ainda que tenha experimentado uma redução considerável em comparação ao período de março, quando atingia 70%.

A distribuição geográfica também apresenta variações notáveis. O pessimismo varia de 26% no Nordeste até 45% no Sudeste, evidenciando disparidades regionais significativas. Quanto aos fatores socioeconômicos, verifica-se uma progressão do pessimismo conforme aumentam os níveis educacionais e de renda. Entre aqueles com ensino fundamental, o pessimismo representa 26%, elevando-se para 46% entre os possuidores de curso superior. Na dimensão de renda familiar, o pessimismo oscila de 34% naqueles com até 2 salários mínimos até 49% entre aqueles com rendimentos superiores a 5 salários mínimos.

Evolução do sentimento político entre março e setembro

Embora os apoiadores de Flávio Bolsonaro permaneçam mais pessimistas em termos absolutos, as transformações verificadas entre março e setembro indicam movimento relevante de aumento no otimismo com o Brasil justamente entre este eleitorado. No caso dos eleitores bolsonaristas, o otimismo expandiu-se de 11% para 23%, enquanto o pessimismo recuou de 72% para 56%. Entre os apoiadores de Lula, o otimismo progrediu de 67% em março para 71% em setembro, com o pessimismo caindo de 16% para 13%.

Os dados indicam que aqueles que se identificam como petistas também experimentaram melhoria em suas perspectivas. O otimismo passou de 63% para 68%, enquanto o pessimismo recuou de 20% para 16%. Estas transformações sugerem que, independentemente da orientação política, houve em geral uma tendência de redução do pessimismo e aumento do otimismo com o Brasil no período de seis meses.

Orgulho de ser brasileiro permanece elevado

Apesar dos desafios refletidos nas métricas de otimismo emocional, a pesquisa Datafolha revelou que 78% dos entrevistados sentem mais orgulho do que vergonha de ser brasileiro. Apenas 20% afirmaram sentir mais vergonha do que orgulho, indicando que o sentimento nacional patriótico permanece como fator relevante na autoidentificação coletiva, mesmo em contextos de incerteza política e econômica.

Contexto político da crise no Supremo Tribunal Federal

O levantamento foi conduzido durante um período de turbulência institucional no Brasil. A crise no STF intensificou-se nas semanas precedentes, especialmente após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de um relatório da Polícia Federal contendo mensagens trocadas entre Vorcaro e um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes. Subsequentemente, outros documentos e mensagens vieram à tona, alguns ainda sob sigilo, fazendo referências a outros integrantes da Corte e seus familiares.

Os ministros Moraes e Gilmar Mendes criticaram a condução de Mendonça no caso Master. Moraes acusa seu colega de haver cometido irregularidades e de atropelar procedimentos aplicáveis a investigações envolvendo autoridades com foro privilegiado. Gilmar Mendes afirma que a atuação teve motivação político-eleitoral. Mendonça nega categoricamente as acusações. Na última terça-feira (15), a sessão extraordinária convocada pelo presidente Edson Fachin terminou sem decisão, marcada por intensos embates e trocas de acusações entre os ministros. O ministro Flávio Dino pediu vista, dispondo de até 90 dias para devolver o processo, com prazo terminando em dezembro, após as eleições.

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