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Alckmin garante: Brasil segue em negociações com EUA

Alckmin garante: Brasil segue em negociações com EUA
Fonte: g1.globo.com/politica/blog/julia-duailibi/post/2026/07/17/nao-saimos-da-mesa-de-negociacao-diz-alckmin-apos-trump-impor-novo-tarifaco-a-produtos-brasileiros.ghtml

Brasil mantém diálogo comercial com Estados Unidos

O vice-presidente Geraldo Alckmin reafirmou nesta sexta-feira (17) que o Brasil permanece firmemente na negociação Brasil EUA, mesmo diante da nova sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros anunciada pelo governo norte-americano. A posição foi expressa em entrevista ao programa Mais, da Globonews, marcando o posicionamento da gestão federal frente aos desdobramentos comerciais.

A negociação Brasil EUA ganhou contornos mais delicados após a confirmação, na quarta-feira (15), da aplicação da tarifa adicional pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Apesar da medida, que entrará em vigor em 22 de julho, Alckmin ressaltou a disposição do governo Lula em continuar o diálogo construtivo com a Casa Branca.

Crítica à medida considerada injusta

Alckmin qualificou a sobretaxa de 25% como "injusta e descabida", argumentando que a estrutura do comércio bilateral desfavorece o Brasil. "A medida é injusta e descabida porque eles têm superávit conosco. Quem deveria aumentar a tarifa somos nós", afirmou o vice-presidente durante sua declaração.

O executivo destacou que o Brasil acumula déficit na relação comercial com os Estados Unidos, situação que, segundo sua avaliação, deslegitima a imposição unilateral de tarifas adicionais. O governo brasileiro defende um modelo baseado nos princípios da Organização Mundial do Comércio (OMC) e na livre circulação de bens entre as nações.

Postura estratégica de diálogo contínuo

Reiterando a estratégia do Palácio do Planalto, Alckmin indicou que a orientação do presidente Lula é manter a mesa de negociação ativa. "O Brasil defende livre comércio, regras da OMC. Então, para o futuro, e já estamos fazendo isso, primeiro é manter o diálogo e a mesa de negociação. Nós não saímos da mesa de negociação", declarou.

Essa postura reflete uma abordagem diplomática onde o governo busca equilibrar a defesa dos interesses nacionais com o compromisso de encontrar soluções através do diálogo multilateral. Alckmin mencionou que a administração federal está, simultaneamente, identificando setores afetados e explorando oportunidades em novos mercados internacionais como forma de mitigar os impactos da tarifa.

Ações do governo para minimizar impactos

De acordo com o vice-presidente, uma das orientações principais do presidente é defender o interesse do Brasil ouvindo as empresas e os setores afetados pela medida. Ao mesmo tempo, o governo está direcionando esforços para a diversificação comercial e a busca de novos parceiros econômicos, situação que, conforme avaliação de Alckmin, "está indo bem".

Essa estratégia abrange a identificação de produtos mais afetados e a implementação de ações setoriais específicas para cada cadeia produtiva impactada. O governo também aguarda decisões complementares que possam alterar o cenário atual da negociação Brasil EUA.

Perspectiva do presidente Lula sobre o tarifaço

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma postura diferente durante sua participação em evento no Rio de Janeiro. Em visita à Carreta da Saúde da Mulher, Lula afirmou que aguardará a pronunciação de Donald Trump sobre o assunto antes de comentar publicamente a nova sobretaxa.

"Eu falei para caramba e não falei do tarifaço. Não vou falar, porque a notícia tem que ser o SUS, a notícia tem que ser as nossas carretas, a notícia tem que ser o tratamento das mulheres. Por isso, vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar", declarou Lula. O presidente também deixou evidente sua preocupação em não permitir que a sociedade brasileira seja enganada pelos Estados Unidos durante o processo negociador.

Detalhes da medida tarifária implementada

A tarifa de 25% foi anunciada baseando-se em investigação comercial conduzida pelo USTR ao longo de um ano, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Esse mecanismo legal permite ao governo americano investigar e combater barreiras comerciais alegadamente impostas por outros países.

A decisão, porém, contemplou exceções significativas. Produtos como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose foram mantidos fora da sobretaxa. Essas exclusões refletem interesses domésticos americanos relacionados ao controle de preços e à insuficiência de produção interna para certos itens.

Por outro lado, produtos como etanol, máquinas agrícolas e papel enfrentarão a aplicação da tarifa de 25%, representando setores importantes da economia brasileira que sofrerão impacto direto da medida.

Questão adicional sobre trabalho forçado

Existe ainda uma questão em aberto no contexto da negociação Brasil EUA. O governo brasileiro aguarda a conclusão de investigação separada do USTR sobre trabalho forçado na importação de mercadorias. Essa investigação pode resultar em tarifa adicional de 12,5%, gerando incerteza sobre se tal percentual seria cumulativo aos 25% já anunciados.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, informou que a decisão sobre essa tarifa complementar deve ser divulgada na semana seguinte. "Se vamos ter 25% mais 12,5% ou se vamos ter exclusão", questionou o ministro durante coletiva de imprensa, evidenciando a incerteza que permeia o processo de negociação Brasil EUA.

Perspectivas futuras para o comércio bilateral

O posicionamento brasileiro, tanto de Alckmin quanto de Lula, sugere uma estratégia de permanência na mesa de negociação sem capitulação aos termos americanos. O governo mantém a convicção de que o diálogo e o respeito aos marcos regulatórios internacionais oferecerão caminhos para resolução do impasse comercial.

Os próximos capítulos dessa negociação Brasil EUA dependerão das ações que Donald Trump anuncie e da capacidade do governo federal em implementar políticas compensatórias para os setores mais prejudicados. Enquanto isso, o Brasil continua buscando novos mercados e fortalecendo parcerias internacionais como alternativa ao modelo de comércio com os Estados Unidos.

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