Notícias Nacionais
Política

Candidatos presidenciais divergem sobre uso de inteligência artificial

Candidatos presidenciais divergem sobre uso de inteligência artificial
Fonte: g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2026/noticia/2026/07/10/pre-campanhas-de-presidenciaveis-se-dividem-sobre-uso-de-inteligencia-artificial-nas-eleicoes.ghtml

Inteligência Artificial divide estratégias de pré-campanhas presidenciais

Os principais pré-candidatos à Presidência da República apresentam visões radicalmente diferentes sobre a utilização de inteligência artificial nas suas campanhas eleitorais. Enquanto alguns veem a inteligência artificial como aliada estratégica para reduzir custos e ampliar alcance, outros optam por rejeitar ou minimizar o uso dessa tecnologia, buscando manter uma conexão mais autêntica com o eleitorado.

A divisão reflete debates mais amplos sobre autenticidade, confiança e manipulação no processo eleitoral. Os assessores das diferentes campanhas argumentam sobre os benefícios e os riscos da inteligência artificial, posicionando seus candidatos de formas distintas diante do eleitorado preocupado com a veracidade das informações políticas.

Posição do PT: rejeição à tecnologia em gravações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estabeleceu uma postura clara contrária ao uso de inteligência artificial para substituir sua imagem ou criar versões fictícias do candidato. Segundo Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT, a campanha petista utilizará a inteligência artificial apenas como ferramenta auxiliar de processamento de dados e suporte administrativo.

Em discurso proferido em evento na Bahia durante maio, Lula expressou sua convicção pessoal contra a tecnologia. O presidente afirmou que, embora tecnicamente fosse possível criar versões artificiais dele realizando comícios simultâneos em todos os estados, sua formação pessoal e valores não permitiriam tal prática. Ele ressaltou que a política exige contato direto com o povo, permitindo que os cidadãos observem os olhos de quem está falando para avaliar sua credibilidade.

O PT também divulgou conteúdo em redes sociais argumentando que o problema não reside na existência da inteligência artificial, mas na forma como ela pode ser empregada para distorcer fatos e executar ataques pessoais contra adversários. A legenda criticou explicitamente estratégias que, segundo sua avaliação, apresentam candidatos fictícios em situações de mentira.

Flávio Bolsonaro: adoção de inteligência artificial em campanhas

Em contraste direto com a posição do PT, Flávio Bolsonaro (PL) já incorporou inteligência artificial em seus materiais de campanha publicados em plataformas digitais. Os vídeos gerados por essa tecnologia foram adequadamente identificados conforme exigem as normas eleitorais vigentes. Um dos conteúdos mais notáveis apresenta o pré-candidato como piloto de caça combatendo organizações criminosas.

Segundo aliados da pré-campanha de Bolsonaro, sua estratégia consiste em utilizar todas as possibilidades legalmente permitidas. Conforme sua avaliação, os materiais produzidos por inteligência artificial geram engajamento significativo nas redes sociais, embora não necessariamente superior a outros formatos de conteúdo. A campanha combina publicações com inteligência artificial com vídeos tradicionais que documentam agendas e eventos específicos.

Romeu Zema: aposta em animações e conteúdo simplificado

Romeu Zema (Novo) adota uma abordagem intermediária, investindo ativamente em inteligência artificial para gerar conteúdo visual acessível e econômico. Sua estratégia enfatiza a produtividade e viabilidade financeira da tecnologia para qualquer campanha, independentemente de seu tamanho ou orçamento disponível.

Um exemplo representativo de sua utilização inclui uma série de animações que criticam privilégios excessivos de autoridades públicas. Essas produções funcionam como pequenos filmes animados sem pretensão de enganar ou simular situações reais. A abordagem de Zema busca aproveitar os benefícios técnicos da inteligência artificial mantendo clareza sobre a natureza sintética do conteúdo.

Caiado e Renan Santos: preferência pela presença física

Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) estabeleceram estratégias que priorizam a presença do candidato em vídeos e materiais convencionais. Estrategistas vinculados à pré-campanha de Caiado argumentam que quanto menos inteligência artificial for utilizada, melhor será a recepção pelo eleitorado. Quando a tecnologia for empregada, sua aplicação deveria restringir-se à ilustração de projetos específicos e propostas concretas de governo.

Amanda Vettorazzo, coordenadora da campanha de Renan Santos, comunicou que a estratégia prevê uso mínimo possível de inteligência artificial. A campanha planeja restringir a aplicação da tecnologia exclusivamente a demonstrações visuais de propostas, como projetos de reurbanização de comunidades e iniciativas de infraestrutura urbana que se beneficiam de simulações visuais.

Regulamentação do Tribunal Superior Eleitoral

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) implementou novas diretrizes específicas sobre inteligência artificial para as eleições de 2026, estabelecendo um marco regulatório destinado a garantir que a tecnologia funcione como instrumento de fortalecimento democrático ao invés de representar ameaça aos processos eleitorais.

As normas determinam que todo conteúdo de propaganda eleitoral criado ou modificado por inteligência artificial deve exibir aviso claro, visível e facilmente compreensível, prevenindo que eleitores sejam enganados por simulações de situações reais. A inteligência artificial não pode ser utilizada para gerar conteúdo com vozes ou imagens de candidatos e personalidades públicas dentro do período de setenta e duas horas anteriores à votação e vinte e quatro horas posteriores ao encerramento da eleição.

Violações dessas regulamentações obrigam as plataformas digitais a removê-lo imediatamente após identificação. Esse marco regulatório reflete o esforço institucional brasileiro em equilibrar inovação tecnológica com proteção dos processos democráticos contra manipulação e desinformação.

Relacionadas