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Vorcaro solicitou dossiê contra CEO do Itaú

Vorcaro solicitou dossiê contra CEO do Itaú
Fonte: g1.globo.com/politica/post/2026/07/09/vorcaro-ceo-itau.ghtml

Dossiê e monitoramento do CEO do Itaú

A Polícia Federal descobriu que o banqueiro Daniel Vorcaro solicitou ao empresário Thiago Miranda a realização de um dossiê sobre o CEO do Itaú Milton Maluhy. Nas mensagens interceptadas durante investigações, Vorcaro afirma que Milton Maluhy estava lhe "causando muito problema" e pede ajuda para obter informações sobre o executivo.

Milton Maluhy ocupa o cargo de CEO da instituição financeira Itaú Unibanco desde 2021. As comunicações entre Vorcaro e Miranda revelam uma estratégia coordenada para reunir dados pessoais e patrimoniais do presidente do banco, incluindo informações de identificação civil e número de CPF.

Mensagens que revelam o esquema

Na troca de mensagens, Daniel Vorcaro envia comunicações diretas pedindo informações: "Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy", "Está me causando muito problema" e "Me ajuda nisso?". Thiago Miranda responde de forma imediata: "Deixa comigo".

Em conversa posterior, Miranda informa a Vorcaro que estaria com tudo pronto sobre Milton, mas gostaria de divulgar as informações por outro veículo de comunicação. Na mensagem, ele diz: "Passando o carnaval falamos. Estou com tudo pronto do Milton. Mas quero fazer da mesma forma. Soltar por outro veículo".

Segundo investigações da Polícia Federal, foi identificado um documento contendo informações pessoais e patrimoniais de Milton Maluhy e de sua esposa. O arquivo foi encontrado com marcações indicando tratar-se de "informações confidenciais", sugerindo que foi produzido ou circulado dentro da estrutura empresarial vinculada a Thiago Miranda.

A 10ª fase da Operação Compliance Zero

No dia 9 de janeiro, a Polícia Federal executou a 10ª fase da Operação Compliance Zero. Esta operação tem como objetivo apurar indícios de ações coordenadas em redes sociais direcionadas a comprometer a credibilidade e a atuação do Banco Central. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em Brasília, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal.

Thiago Miranda, publicitário ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, é o alvo principal desta fase da operação. A decisão para autorizar as buscas foi assinada pelo ministro André Mendonça, relator do inquérito sobre o caso Master no STF.

Thiago Miranda e o esquema de manipulação

Conforme as investigações da Polícia Federal, Thiago Miranda é apontado como o principal articulador de um esquema destinado a recrutar influenciadores digitais e jornalistas. Os valores oferecidos chegavam a até R$ 2 milhões, com contratos contendo cláusulas de confidencialidade rigorosas.

Miranda é considerado central na articulação de frentes voltadas à manipulação de informações, cooptação de profissionais da imprensa e intimidação de desafetos da organização criminosa associada a Daniel Vorcaro. Ele atuava diretamente na contratação de agências para estruturar campanhas de desinformação na mídia.

Monitoramento de autoridades e intimidação de jornalistas

Além do dossiê contra o CEO do Itaú Milton Maluhy, os investigadores apuram a possível atuação de um grupo dedicado à intimidação de jornalistas, ao monitoramento de pessoas ligadas a autoridades públicas e à obtenção indevida de informações sigilosas.

Thiago Miranda é apontado como o principal articulador do chamado "Projeto DV", sigla que faz referência a Daniel Vorcaro. Este projeto tinha como objetivo proteger o dono do Banco Master através de ações coordenadas de comunicação e manipulação de narrativas públicas.

Campanhas de desinformação e cooptação de profissionais

O publicitário também estaria envolvido no aliciamento de influenciadores digitais e profissionais de imprensa com ofertas financeiras expressivas. Essas contratações visavam gerar postagens coordenadas para questionar publicamente decisões de instituições públicas, especialmente a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master.

As investigações indicam que o esquema funcionava de forma estruturada, com agências especializadas em criar campanhas de desinformação e divulgação estratégica de conteúdo em redes sociais. O objetivo era desacreditar instituições e autoridades que representassem ameaça aos interesses de Daniel Vorcaro e sua rede de associados.

Dados pessoais e confidencialidade

Entre as informações solicitadas por Vorcaro sobre Milton Maluhy estavam dados de identificação civil, número de CPF e informações de caráter pessoal. O ministro André Mendonça, em sua decisão autorizando a operação, menciona que foi encontrado um documento com essas informações pessoais e patrimoniais, identificando também o uso da identidade visual de uma das empresas vinculadas a Thiago Miranda.

Esta circunstância sugere que o documento tenha sido produzido, editado ou, ao menos, circulado no âmbito da referida estrutura empresarial, conforme consta na decisão judicial que autorizou as buscas na 10ª fase da Operação Compliance Zero.

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