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Flávio Bolsonaro se diz aberto ao diálogo com Michelle

Flávio Bolsonaro se diz aberto ao diálogo com Michelle
Fonte: g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2026/noticia/2026/07/09/sobre-crise-com-michelle-flavio-bolsonaro-diz-estar-aberto-a-conversar-e-espera-o-tempo-que-ela-achar-suficiente-para-entrar-na-campanha.ghtml

Disponibilidade para diálogo com a ex-primeira-dama

Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência da República, declarou estar "sempre aberto" a manter conversas com Michelle Bolsonaro e aguarda o momento em que ela se sinta preparada para regressar aos trabalhos da campanha eleitoral. A posição foi comunicada no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, semanas depois do conflito público que expôs tensões internas na família Bolsonaro e na sigla do PL.

Durante entrevista coletiva, o senador Flávio Bolsonaro reiterou sua disposição em restabelecer a comunicação com a ex-primeira-dama. "Eu estou sempre aberto aqui a conversar, né? Sempre esperando o tempo que ela [Michelle] achar que é o suficiente pra ela estar com a gente na campanha, vestindo a camisa, porque eu tenho certeza que a Michelle pensa igual a mim", afirmou o pré-candidato.

O político também ressaltou a importância da união para enfrentar o que considera o principal adversário político. "Ninguém aguenta mais quatro anos de PT. O Brasil não aguenta mais quatro anos de PT, e no final das contas, tem que estar todo mundo junto para combater esse inimigo do Brasil, que é o atual governo", completou.

Contexto da crise entre os Bolsonaros

O desentendimento entre Flávio Bolsonaro e Michelle emergiu publicamente no final de junho, quando a ex-primeira-dama divulgou vídeos nas redes sociais relatando situações de desrespeito durante discussões sobre estratégias políticas do PL no estado do Ceará. Michelle mencionou ter sido "maltratada", "humilhada" e desrespeitada pelo senador durante esses encontros.

Segundo Michelle Bolsonaro, o diálogo entre os dois havia sido interrompido desde o encerramento de 2025. A ex-primeira-dama interpretou a falta de comunicação como indicativo de que seu apoio à candidatura de Flávio não era bem-vindo. "Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante", declarou na ocasião.

Após a repercussão dos vídeos, Flávio Bolsonaro apresentou desculpas públicas, afirmando possuir o "coração aberto" para estabelecer diálogo com Michelle. O senador negou qualquer intenção de ofendê-la e reconheceu sua relevância estratégica para a organização partidária.

Consequências da ruptura

Apesar das desculpas oferecidas por Flávio Bolsonaro, Michelle continuou realizando críticas indiretas ao senador nas semanas subsequentes. A situação culminou com o seu afastamento da presidência do PL Mulher, organismo que havia estado sob sua liderança na sigla.

Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, manifestou-se um dia antes da declaração de Flávio Bolsonaro, afirmando que os dois integrantes da família não mantêm contato desde as trocas públicas de acusações. O dirigente partidário defendeu uma reconciliação entre ambos antes da convenção nacional agendada para 25 de julho, ressaltando que "não podemos sair brigando dentro de casa" e que a resolução do impasse é imprescindível para definir o direcionamento eleitoral da agremiação.

Gestões diplomáticas nos Estados Unidos

Durante sua presença no Aeroporto de Guarulhos, Flávio Bolsonaro também comentou sobre sua recente viagem aos Estados Unidos, onde participou de audiência pública relacionada a questões tarifárias que afetam produtos brasileiros.

O senador relatou ter apresentado argumentações tanto técnicas quanto políticas contra a imposição de novas taxas sobre empresas brasileiras. "Eu fui pedir o cancelamento desse processo de tarifação no Brasil pelas razões técnicas e também pelas razões políticas que eu expus lá pessoalmente na defesa oral", informou.

Flávio Bolsonaro mencionou encontros anteriores com autoridades americanas de alto escalão, incluindo o presidente Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, todos com foco na questão tarifária. O pré-candidato criticou a postura do governo Lula, afirmando não ter identificado representantes da administração federal atuando contra as medidas protecionistas americanas.

Posicionamento contra as tarifas

De acordo com o relato de Flávio Bolsonaro, a sobretarifa de 25% proposta prejudicaria tanto as empresas brasileiras quanto os consumidores americanos. O senador enfatizou: "Não há necessidade nenhuma de impor mais essa sobretarifa de 25%, vai ser ruim para as empresas brasileiras e também vai ser muito ruim para os consumidores americanos".

O governo federal, por sua vez, não enviou representantes do Executivo para participar das audiências públicas, limitando-se a designar observadores para acompanhar os procedimentos.

Questão do Pix nas negociações internacionais

Quando indagado sobre investigação comercial aberta pelos Estados Unidos que incluiu observações críticas ao sistema Pix, Flávio Bolsonaro defendeu veementemente a preservação do mecanismo de pagamentos instantâneos brasileiro. "O Pix é bom para o Brasil e, por incrível que pareça, é bom também para os Estados Unidos. Então essa parte do Pix, especificamente, eu acho que não tem nenhuma dúvida de que tem que permanecer como está porque é patrimônio do povo brasileiro e eu fui lá defender com unhas e dentes", explicou.

A questão ganhou destaque após manifestações de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, que sinalizou a possibilidade de incluir o Pix em negociações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos. Eduardo Bolsonaro mencionou o Zelle, plataforma privada americana de transferências, ao sugerir uma mesa de discussão entre os países.

Críticas à posição de Eduardo Bolsonaro

As declarações de Eduardo Bolsonaro foram alvo de contestação por parlamentares ligados ao governo, que acusaram o ex-presidente's filho de pretender utilizar o Pix como instrumento de troca nas tratativas comerciais. O sistema brasileiro foi mencionado em documentos governamentais americanos sobre disputas comerciais, com autoridades dos EUA argumentando que o modelo favorece a estrutura operada pelo Banco Central e poderia impactar negocialmente concorrentes do setor privado.

O governo brasileiro e entidades financeiras refutam essa avaliação, defendendo que o Pix representa um avanço significativo para a população brasileira e não deve ser objeto de negociação em questões tarifárias.

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